19/01/2022 às 14:50

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A economia chinesa cresceu 8,1% em 2021, alinhada às expectativas dos especialistas. Esse é o maior resultado em 10 anos. O crescimento no último trimestre foi impulsionado pela produção industrial, que cresceu 4,3% em relação a 2020. No entanto, o consumo enfraqueceu, com as vendas no varejo aumentando apenas 1,7% em dezembro, bem abaixo dos 3,9% em novembro.

O ritmo desacelerado do crescimento do PIB chinês, no entanto, é o que acende um sinal amarelo, especialmente após o corte das taxas de empréstimo pelo banco central chinês.

“O grande problema é que, quando a gente olha o consumo local e a atividade industrial, esses números não seguiram o mesmo crescimento. O consumo local, inclusive, caiu. Nesse sentido, há uma questão de confiança, de renda na mão da população, e o fato de a China não querer ficar vivendo de exportação o tempo todo”, explica Rodrigo Franchini, sócio e head de Relações Institucionais da Monte Bravo.

De acordo com Franchini, a tentativa de diminuir os juros de curto prazo é uma forma de facilitar o acesso da população chinesa ao crédito mais barato, estimulando, assim, o consumo.

“A expectativa da China é a injeção de mais de 30 bilhões de dólares na economia. Ela também quer reverter essa questão das incorporadoras, afinal, existe um risco de uma implosão de uma sequência de casos envolvendo a Evergrande: do mesmo grupo financeiro, de outros braços deles e até de outras empresas do mesmo setor. Então, há uma incerteza, gerando um efeito cascata, que é justamente o que o país está tentando evitar. Ao contrário do que vemos em outras economias globais, atualmente iniciando movimentos contracionistas, a China está expandindo os poderes monetários e as medidas fiscais para acelerar um eventual crescimento”, explica.

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Apesar do cenário incerto, especialmente com relação à infraestrutura do país, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou nesta semana que está totalmente confiante em relação ao desenvolvimento econômico da China e que a força geral da economia é sólida. No discurso durante a conferência virtual Davos Agenda do Fórum Econômico Mundial, Jinping ainda afirmou que a China permanecerá com reformas e com abertura.

Quais as oportunidades para o Brasil após o PIB da China?

Para Rodrigo Franchini ainda reforça que, “uma balança comercial favorável facilita a entrada de mais recursos, possibilitando ainda a contenção da alta do dólar”, explica.

Para Bruno Madruga, sócio e head de Renda Variável da Monte Bravo, ainda não é possível saber quais serão as maiores demandas do país no próximo semestre, inclusive de materiais básicos. No entanto, sendo a China um parceiro econômico do Brasil, o atual cenário apresenta oportunidades importantes para o nosso país.

“Pelo menos neste primeiro semestre, o setor de commodities é uma alternativa para investidores. Estamos observando também uma recuperação do petróleo. Chama atenção um recuo pontual do preço do minério, em função das pressões ambientais sofridas pela China, em decorrência das Olimpíadas de Inverno. Com os olhos do mundo voltados para lá, há a redução da atividade industrial. Quando falamos de inflação elevada, vemos tanto o agronegócio indo muito bem, como grãos com uma grande recuperação global, por exemplo. O mesmo vale para o setor de metais, que está positivo também. A redução dos casos de óbito da Ômicron, mesmo com a alta de casos, deixa o mercado com uma expectativa mais positiva”, explica.

Madruga ainda ressalta que o setor de commodities é exatamente onde o capital estrangeiro está sendo alocado neste momento.

“O setor de siderurgia, mineração, a própria Petrobras batendo ponto histórico recentemente. Então, sim, os dados chineses trazem boas perspectivas para investidores brasileiros”, finalizou.

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