Diversificação internacional: estudo da FGV calcula quanto investir no exterior

04/11/2026 • 4 mins de leitura

A diversificação internacional tem um papel importante na preservação do patrimônio, especialmente em países mais sensíveis à oscilação cambial, como o Brasil. Mas qual seria a parcela adequada para investir fora do Brasil?

Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), publicado em outubro de 2024, buscou responder a essa questão a partir de uma perspectiva diferente: o impacto das variações do dólar sobre o consumo dos brasileiros.

A conclusão aponta que a exposição internacional deveria representar, no mínimo, cerca de 16% do patrimônio. Para famílias de renda média-alta e alta, a estimativa é de aproximadamente 17% a 18%. Leia o estudo na íntegra aqui.

O percentual chama atenção quando comparado à realidade dos investimentos brasileiros. Segundo dados da Anbima utilizados no estudo, em agosto de 2024, apenas 1,11% dos recursos de renda fixa estavam investidos no exterior.

Mas de onde vem a estimativa para investir no exterior? E por que a exposição ao câmbio importa tanto para a preservação do patrimônio? Veja a seguir os principais insights.

Como o dólar influencia o custo de vida dos brasileiros?

O ponto de partida da pesquisa é que a exposição ao dólar não se limita a quem compra moeda estrangeira ou investe em ativos internacionais. Ela também está presente no consumo cotidiano.

Combustíveis, alimentos, medicamentos, eletrônicos, veículos e viagens, inclusive domésticas, são exemplos de produtos e serviços cujos preços podem sofrer influência das variações cambiais. Mesmo produtos fabricados no Brasil podem depender de matérias-primas, componentes e insumos importados.

O estudo destaca uma característica da economia brasileira: enquanto as exportações são fortemente concentradas em commodities, mais de 90% das importações estão relacionadas à indústria de transformação. Isso significa que a alta do dólar pode encarecer insumos utilizados na produção nacional, afetando também os preços de produtos vendidos no mercado interno.

A pesquisa analisou dados mensais de julho de 2006 a junho de 2024 e identificou que os efeitos do câmbio sobre a inflação não são imediatos. Parte do impacto aparece com defasagem, podendo levar meses para chegar ao consumidor.

Quanto o câmbio representa na cesta de consumo?

Um dos principais resultados do estudo é a estimativa da participação das variações cambiais na composição dos gastos das famílias brasileiras.

Considerando os efeitos diretos e indiretos do câmbio, incluindo a volatilidade da moeda e as despesas no exterior, a pesquisa encontrou os seguintes percentuais:

Faixa de rendaImpacto do dólar na cesta de consumo
Muito baixa17,08%
Baixa17,02%
Média-baixa16,06%
Média15,75%
Média-alta18,00%
Alta16,83%

Fonte: O impacto cambial no consumo dos brasileiros e a necessidade de diversificação internacional, de Claudia Emiko Yoshinaga, Francisco Henrique Figueiredo de Castro Junior, Ricardo Ratner Rochman e William Eid Junior, FGV, outubro de 2024.

Os resultados mostram que a exposição cambial está presente em todas as faixas de renda. Entre as famílias de renda média-alta, ela chega a 18%. Na faixa de renda alta, fica próxima de 17%.

Para os autores, esses números ajudam a dimensionar a importância de manter parte dos recursos exposta a moedas e mercados internacionais, como forma de compensar os efeitos das oscilações cambiais sobre o poder de compra.

O estudo indica quanto investir no exterior?

Com base na exposição cambial identificada na cesta de consumo, a pesquisa aponta uma referência mínima de aproximadamente 16% do patrimônio em ativos internacionais. Para famílias de renda média-alta e alta, o percentual estimado fica entre 17% e 18%.

Na prática, em uma carteira de R$ 1 milhão, essa proporção corresponderia a:

  • 16%: R$ 160 mil investidos no exterior.
  • 17%: R$ 170 mil investidos no exterior.
  • 18%: R$ 180 mil investidos no exterior.

É importante observar que essa estimativa tem um objetivo específico: compensar a exposição do consumo às oscilações cambiais. Os autores ressaltam que uma estratégia mais ampla de diversificação, considerando outros objetivos e riscos dos investimentos, pode justificar uma participação internacional ainda maior.

Portanto, os percentuais não devem ser interpretados como uma recomendação universal. A alocação adequada depende dos objetivos financeiros, do horizonte de investimento, da liquidez necessária, do perfil de risco e da composição total do patrimônio.

Por que diversificar os investimentos internacionalmente?

Além da exposição cambial, o estudo destaca outros benefícios da diversificação internacional:

Redução da concentração geográfica: investir em diferentes países diminui a dependência de uma única economia e de suas condições políticas e fiscais.

Acesso a outros mercados e setores: o investidor amplia as possibilidades de exposição a empresas e segmentos que têm pouca representatividade ou não estão disponíveis na bolsa brasileira.

Diversificação de moedas: manter parte do patrimônio em ativos expostos a outras moedas pode ajudar a reduzir o impacto da desvalorização do real sobre o poder de compra.

Melhor relação entre risco e retorno: a combinação de ativos de diferentes mercados pode contribuir para uma carteira mais diversificada, com fontes distintas de risco e desempenho.

Tesouro IPCA+ versus investimento em dólar

Um outro aspecto analisado pelo estudo da FGV foi o desempenho do dólar em comparação com o investimento em um ativo que repõe a inflação, acrescida de uma taxa prefixada (Tesouro IPCA+).

O objetivo foi observar como essas duas referências se comportaram em diferentes períodos e destacar que a proteção contra a inflação doméstica não equivale à proteção contra a desvalorização do real. Os resultados são contundentes.

Período analisadoDólarTesouro IPCA+
5 anos33,9%31,1%
10 anos131,4%76,3%

Os resultados são históricos, referentes a períodos encerrados em agosto de 2024, e não representam garantia de rentabilidade futura.

A comparação evidencia que olhar somente para a inflação em reais não é suficiente para proteger poder de compra.

Mas é importante frisar: ativos atrelados à inflação brasileira e investimentos expostos a moedas estrangeiras podem cumprir funções distintas na preservação do patrimônio.

Enquanto o Tesouro IPCA+ busca proteger o poder de compra em relação ao IPCA, a exposição ao dólar permite diversificar o patrimônio diante das oscilações cambiais.

A conclusão não é substituir a renda fixa brasileira por investimentos internacionais, mas combinar diferentes estratégias de proteção e diversificação de acordo com os objetivos de cada investidor.

Diversificação internacional como estratégia de longo prazo

O estudo da FGV evidencia uma diferença importante entre a composição dos investimentos dos brasileiros e a exposição cambial presente em seu consumo. Mesmo quem mantém todo o patrimônio no mercado doméstico está sujeito às variações de uma moeda estrangeira.

A estimativa de 16% a 18% em ativos internacionais oferece um parâmetro para refletir sobre essa concentração. Mais do que acompanhar a cotação do dólar ou buscar oportunidades pontuais no exterior, a diversificação internacional deve ser considerada dentro de uma estratégia de preservação patrimonial de longo prazo.

Sua carteira está preparada para diferentes cenários econômicos e cambiais? Converse com seu Financial Advisor e avalie como os investimentos internacionais podem contribuir para a diversificação do seu patrimônio.

Ainda não é cliente? Abra sua conta na Monte Bravo e descubra nosso ecossistema completo de soluções para você, sua família e seu negócio.

Se você tem
Monte Bravo, Bravo!

Invista com quem ajuda você a alcançar o próximo topo.

Abra sua conta