Monte Bravo: apesar do petróleo, corte deve começar em 0,50pp; Selic final deve ser de 12,5%

13/03/2026 • 2 mins de leitura

São Paulo, 11/03/2026 – O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã acrescenta um fator de incerteza elevada ao cenário doméstico, na avaliação do economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa. Em carta mensal antecipada à Broadcast, a corretora elevou a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 de alta de 4,8% para 5%.

Ao mesmo tempo, a Monte Bravo mudou a expectativa de Selic ao final do ciclo de queda, de 12,25% para 12,50% ao ano. Segundo Costa, apesar do choque do preço do petróleo, o processo de cortes do juro básico se iniciará no Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês.

Dentre as justificativas para a estimativa de Selic passando dos atuais 15% para 14,50% na decisão na semana que vem, estão “os sinais de desaceleração da demanda, o elevado nível da taxa de juros real e as projeções de inflação no horizonte relevante em torno da meta.”

Quanto ao aumento na projeção de Selic terminal para 12,50%, explica que a marca atual dos juros bem acima do nível neutro permite que o Banco Central prossiga na redução do aperto relativo, mas mantenha as taxas de juros reais em território contracionista.

Segundo o economista, o choque do preço do petróleo deverá se concentrar no segundo trimestre, o que não impedirá a continuidade do ciclo de quedas da Selic, mas torna improvável a aceleração do ritmo de cortes. Neste cenário, o barril da commodity atingiria em média US$ 85 por barril entre abril e junho de 2026, seguido de moderação da cotação até o final do ano.

Ao considerar este quadro, calcula que a gasolina teria uma defasagem média de 20% a 30% no segundo trimestre, o que seria repassado de forma parcial para os preços na refinaria. Ele estima que um reajuste de 15% no valor da gasolina na refinaria representaria alta de cerca de 9% na bomba, com impacto de 0,5 ponto porcentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no segundo trimestre.

“Com a resolução do conflito ao longo do segundo semestre, o preço do petróleo convergiria para um patamar de US$ 65 por barril, levando o preço doméstico da gasolina para um prêmio de 20% a 25% das cotações internacionais”, cita. Diante desse prêmio, os valores do combustível praticados no Brasil poderiam ser reduzidos parcialmente em 6,0% no segundo semestre, reduzindo o IPCA em cerca de 0,3 ponto no período. Considerando essa trajetória, o impacto total do choque ficaria em torno de 0,2 ponto no IPCA de 2026. “Portanto, a projeção do IPCA foi revisada de 4,8% para 5,0% em 2026.”

Confira abaixo reportagem publicada na plataforma Broadcast.