04/11/2021 às 14:32

04

Quinta

Nov

3 minutos de leitura
Compartilhar
Compartilhe

Por Rebeca Nevares, Sócia da Monte Bravo.

Ainda que a pandemia esteja perto do fim em muitos países, os efeitos de 2020 ainda permanecem na economia mundial. Não só o Brasil, mas muitos países têm enfrentado uma crise energética e de demanda industrial. E esses dois drivers explicam, em partes, o que tem pressionado a inflação e, por consequência, os resultados das companhias.

Inicialmente, os números das empresas nos EUA vieram dentro ou acima das expectativas. JPMorgan e Bank of America divulgaram balanços mais positivos que o previsto pelo mercado. Contudo, no dia 28 de outubro, Apple e Amazon, duas das principais potências americanas, divulgaram dados abaixo das expectativas. Os relatórios de ambas apontaram que os problemas na cadeia de suprimentos e aumento de custos com mão de obra prejudicaram suas margens.

Há alguns dias, falava-se que os resultados das companhias americanas estavam acima do esperado em mais de 80% dos casos. Agora, há certa dúvida.

É esperar para ver como chegaremos ao fim desta divulgação, mas fica o aviso de que surpresas desagradáveis podem acontecer no caminho.

No Brasil, os relatórios de algumas das principais companhias listadas na B3 vieram de acordo ou acima do esperado pelos analistas. No caso da Petrobras, os lucros chegaram a R$31,1 bilhões e o destaque positivo ficou para o dividends yields (DY) por ação de 17%.

Já a Vale, por outro lado, que registrou lucro de US$3,9 bilhões, ficou abaixo das expectativas dos agentes de mercado. Ainda assim, analistas dizem que os números são saudáveis e devem permanecer equilibrados por algum tempo.

Ainda é cedo para ter uma visão mais ampla do que ocorrerá com os balanços, mas é preciso já levar em conta os problemas do Brasil ao montar uma carteira. O risco fiscal, o agravamento da inflação e, consequentemente, a elevação da taxa Selic são fatores que prejudicam as perspectivas para a nossa economia e empresas.

Além do mais, mesmo que a temporada seja positiva, analistas dizem que não deve ser suficiente para que o Ibovespa se recupere das recentes quedas. Ou seja, para que a gente veja uma melhora significativa e a confiança do investidor volte, é preciso que a agenda de reformas avance.

Enquanto isso, temos enxergado alguns setores que podem fazer sentido na composição de um portfólio. Vale lembrar que não posso e nem pretendo recomendar as ações da empresa A ou B. O objetivo deste artigo é trazer a visão de pessoas que acompanham o dia a dia do mercado financeiro para que o leitor possa embasar melhor as suas decisões.

Dito isso, um dos setores que dificilmente tem decepcionado nos últimos anos é o financeiro. Beneficiados pela alta da Selic (muitos possuem contratos de crédito indexados pela taxa básica de juros), os resultados de bancos e seguradoras devem agradar.

Além disso, ainda que a Vale tenha ficado abaixo do esperado, os setores de mineração e siderurgia devem apresentar bons balanços. A Gerdau, por exemplo, registrou um crescimento de mais de 600% no lucro.

Por fim, é preciso ainda chamar a atenção para o movimento de elevação de juros nos países de primeira linha. Ao reajustarem suas taxas para cima, acabam por tornar as bolsas de valores menos atrativas.

O momento exige certa cautela por parte do investidor. Existem diversos pontos a serem observados e escolher a melhor forma de se posicionar no mercado não é tarefa das mais simples.

Bons negócios!


Invista com quem entende sua história e personaliza a gestão do seu patrimônio

Entre em contato com nossos especialistas e abra sua conta!


Artigos Relacionados

  • 12

    Quarta

    Jan

    Inflação fecha 2021 com a maior alta desde 2015: Onde investir agora?

    12/01/2022 às 14:14

    MB Sócios

    Inflação fecha 2021 com a maior alta desde 2015: Onde investir agora?

    Compartilhe

    CompartilhePor Rodrigo Franchini, sócio e head de Relações Institucionais da Monte Bravo O IPCA, a inflação oficial do Brasil, fechou o ano de 2021 em 10,06%, bem acima da meta estabelecida pelo Banco Central, de 3,75% – e que contava com tolerância de 1,5 ponto percentual. Essa é a maior alta desde 2015, quando chegou […]

    Continue lendo
  • 17

    Sexta

    Dez

    17/12/2021 às 11:56

    MB Sócios

    IPO’s: perspectivas para 2022

    Compartilhe

    CompartilhePor Bruno Madruga, sócio e head de Renda Variável da Monte Bravo Investimentos É muito comum ouvirmos dentro do mercado financeiro a palavra IPO. E geralmente, ela vem junto com “aquela empresa vai fazer um IPO, essa é uma ótima oportunidade de investimento”. Nos últimos dois anos, o crescimento de investidores na Bolsa de Valores […]

    Continue lendo
  • 24

    Quarta

    Nov

    “captured with the D200 & DX17-55 2.8 in the capital of Brazil, i never saw a city like that, like a space command center or an UFO, build in the middle of nowhere”

    24/11/2021 às 12:48

    MB Sócios

    PEC dos Precatórios e os impactos para investidores

    Compartilhe

    CompartilhePor Rodrigo Franchini, Sócio e Head de Relações Institucionais da Monte Bravo O mercado tem acompanhado de perto a PEC dos Precatórios e os desdobramentos dela no Senado. Alguns parlamentares estão reticentes à aprovação do projeto por causa do aumento do risco fiscal brasileiro pela ampliação do teto de gastos para financiar o Auxílio Brasil, […]

    Continue lendo
Invista com a gente

Ao navegar neste site, você aceita os cookies que utilizamos para melhorar sua experiência.

Fechar

Loading...

Fechar

1