A semana foi marcada por valorização do real, que se destacou entre as moedas emergentes mesmo em um ambiente externo ainda bastante incerto.
Ao longo do período, a perda de força do dólar no cenário global contribuiu para esse movimento, mas o real também encontrou suporte em fatores domésticos e no fluxo para países exportadores de commodities, principalmente diante da alta dos preços do petróleo.
Além disso, o diferencial de juros brasileiro segue atrativo, favorecendo o chamado carry trade e ajudando a sustentar nossa moeda.
O real apresentou valorização frente às três principais moedas acompanhadas:
🇺🇸 USD/BRL: -1,24%
R$ 5,1932 → aproximadamente R$ 5,13
🇪🇺 EUR/BRL: -1,04%
R$ 6,0162 → aproximadamente R$ 5,95
🇬🇧 GBP/BRL: -1,48%
R$ 7,0292 → aproximadamente R$ 6,92
*Considerando as cotações do Investing.com entre 28/08 e 04/09.
Na sexta-feira, porém, vimos uma mudança parcial desse movimento após a divulgação do payroll americano.
A economia dos Estados Unidos criou 162 mil vagas em agosto, resultado bem acima das expectativas, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,1%.
O dado mostrou um mercado de trabalho americano mais resiliente e fez o mercado aumentar novamente as apostas de uma alta de juros pelo Federal Reserve na reunião de setembro.
Como consequência, os Treasuries abriram as taxas e o dólar voltou a ganhar força globalmente, pressionando também o real no último pregão da semana.
Para as próximas semanas, além do cenário externo e das decisões do Fed, o ambiente político doméstico tende a ganhar cada vez mais relevância para os ativos brasileiros, principalmente com a aproximação do primeiro turno das eleições, trazendo potencialmente mais volatilidade para o câmbio.
Juros e atividade doméstica
No mercado de juros, a curva apresentou alívio ao longo da semana, principalmente nos vencimentos mais curtos, refletindo uma combinação de desaceleração da atividade econômica e inflação mais comportada.
O PIB brasileiro avançou 0,5% no segundo trimestre de 2026, desacelerando em relação ao crescimento de 1,1% observado no primeiro trimestre. Apesar do resultado positivo, a composição mostrou perda de força em componentes importantes da atividade, reforçando a percepção de uma economia caminhando para um ritmo mais moderado no segundo semestre.
Os dados da indústria também reforçaram essa leitura. A produção industrial avançou apenas 0,2% em julho, depois de dois meses consecutivos de queda, mostrando uma recuperação ainda bastante modesta.
Esse conjunto de dados contribuiu para a redução dos prêmios na curva de juros e reforçou a expectativa de continuidade do ciclo de cortes da Selic, embora o cenário fiscal, o processo eleitoral e o comportamento dos juros americanos continuem sendo importantes fontes de volatilidade.
O que fica no radar
Para as próximas semanas, o mercado deve continuar acompanhando principalmente a trajetória dos juros americanos e os próximos dados de inflação dos Estados Unidos, que serão decisivos para a reunião do Fed.
No Brasil, o foco permanece na evolução da atividade e da inflação, na continuidade do ciclo de flexibilização monetária e, cada vez mais, no cenário eleitoral e fiscal.
No câmbio, portanto, seguimos com fatores estruturais favoráveis ao real — principalmente o diferencial de juros e o fluxo —, mas com um cenário que tende a apresentar mais volatilidade conforme nos aproximamos das eleições e da próxima decisão do Fed.
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Fonte: Investing.com