A semana no câmbio | 14 a 18 de setembro

18/09/2026 • 2 mins de leitura

As três principais moedas apresentaram queda frente ao real no acumulado da semana.

O movimento foi mais expressivo na libra e no euro, enquanto o dólar terminou praticamente estável, refletindo o equilíbrio entre a pressão externa provocada pelo Fed e pelo petróleo e o suporte ao real proporcionado pelo diferencial ainda elevado de juros no Brasil.

Fechamento das principais moedas

Considerando o fechamento de segunda-feira (14/09) e as cotações de sexta-feira (18/09):

🇺🇸
USD/BRL: R$ 5,1505 → R$ 5,1443 | -0,12%

🇪🇺
EUR/BRL: R$ 5,9483 → R$ 5,9101 | -0,64%

🇬🇧
GBP/BRL: R$ 6,9530 → R$ 6,8914 | -0,89%

Câmbio

O real passou por uma semana de volatilidade, com o mercado dividido entre as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, a evolução das tensões no Oriente Médio e os ruídos no cenário doméstico. O petróleo permaneceu em patamar elevado ao longo da semana, pressionado pelos riscos geopolíticos e pelas preocupações com a oferta global, aumentando a cautela dos investidores em relação aos mercados emergentes. Nesta sexta-feira, porém, o Brent apresentou correção e operava próximo de US$ 103 por barril.

No cenário internacional, o Federal Reserve elevou os juros americanos em 0,25 p.p., movimento que inicialmente fortaleceu o dólar globalmente diante da perspectiva de uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos. Após a decisão, entretanto, houve acomodação da moeda americana, acompanhando o recuo dos rendimentos dos Treasuries e dos preços de energia.

No Brasil, além da decisão do Copom, o mercado acompanhou as discussões envolvendo o cenário político e, principalmente, a trajetória das contas públicas. O anúncio de reajuste de 15% no valor mínimo do Bolsa Família voltou a colocar o risco fiscal no radar dos investidores e adicionou pressão sobre os ativos domésticos. Ainda assim, o dólar encerra a semana próximo da região de R$ 5,14.

Juros

A curva de juros doméstica apresentou tendência de fechamento ao longo da semana, especialmente após o Copom reduzir a Selic em 0,25 p.p., de 14,00% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo. A decisão ocorreu em um ambiente de desaceleração da atividade econômica e alguma melhora da inflação, embora o Banco Central tenha mantido uma comunicação cautelosa e condicionado os próximos movimentos à evolução dos dados.

O cenário externo, entretanto, continua funcionando como contraponto. O aumento dos juros pelo Fed, combinado ao petróleo ainda elevado, mantém atenção sobre as perspectivas de inflação global e pode limitar movimentos mais intensos de queda dos juros brasileiros. Internamente, as preocupações fiscais também seguem relevantes, principalmente nos vencimentos mais longos da curva. Apesar da expectativa de continuidade gradual da flexibilização monetária, o ritmo dos próximos cortes deverá permanecer dependente da inflação, da atividade econômica e, principalmente, da evolução do cenário fiscal.

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