17/06/2022 às 15:00

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O Federal Reserve, dos Estados Unidos, e o Comitê de Política Monetária brasileiro, o Copom, anunciaram as decisões de elevar juros na última Super Quarta, dia 15. O Fed realizou aumento de 0,75 ponto percentual, para uma faixa de 1,5% a 1,75%. Este foi o primeiro e o maior aumento dessa magnitude desde 1994. Já o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic de 12,75% ao ano para 13,25% ao ano, um aumento de 0,5 ponto percentual. Este é o décimo primeiro aumento seguido na Selic, que chegou ao maior patamar desde dezembro de 2016.

De acordo com Luciano Costa, economista e sócio da Monte Bravo, a opção por uma curva de reação mais tempestiva é a resposta do FED as surpresas de inflação.

“Isso deve levar a taxa de juros para 2,5% a.a. na reunião de julho, o que colocará a política monetária em campo restritivo mais cedo que o esperado. Nas projeções divulgadas na reunião de junho, o FED estima que a taxa de juros básica deve atingir 2,4% a.a no final de 2022 e 3,8% a.a. em 2023”, explica.

Ainda nesta semana, o presidente do Banco Central americano, Jerome Powell, reiterou que o Fed está “agudamente focado” em retornar a inflação dos Estados Unidos à meta de 2%. Segundo ele, a estabilidade de preços contribui para a generalizada confiança no dólar como reserva de valor.

Leia mais: Entenda como funcionam os ciclos econômicos

Com relação à Selic, Luciano aponta para a continuidade do ciclo de aperto pelo Banco Central, o que indica novas altas nas próximas reuniões.

“O Banco Central segue sinalizando continuidade desse ciclo mais duro. Por isso, uma alta adicional de 50 bps em agosto não pode ser descartada. Mas consideramos a taxa Selic em 13,75% a.a. suficientemente contracionista em termos reais para produzir a convergência da inflação para as metas em 2024”, pontua.

Como Copom e Fed impactam na economia?

As altas dos juros têm impacto direto nos investimentos. Os juros básicos da economia brasileira são também o indexador principal dos rendimentos que incidem sobre as carteiras de renda fixa.

Até o início de 2021, o Brasil vinha em um declínio histórico da taxa de juros, que chegou ao patamar de 2%. A medida tentou facilitar o acesso ao crédito em um cenário de tamanha turbulência, enfrentada sobretudo pela pandemia de coronavírus.

Juros mais altos tornam o crédito mais caro, o que inibe o consumo da população. O objetivo é estimular a redução de preços e, consequentemente, a inflação. Juros altos, em geral, costumam provocar uma aversão ao risco em investidores, que acabam optando por mais ativos de renda fixa, por exemplo.

Já a elevação dos juros americanos impactam nos resultados de quem investe na bolsa. A tendência é a perda de capital para os Estados Unidos, uma vez que títulos públicos americanos, por exemplo, acabam rendendo mais.  

“Em cenários como estes é fundamental avaliar a carteira de investimentos e entender se ela está de acordo com o objetivo do investidor. Vimos as bolsas americanas caírem e, ao fim da semana, voltarem a subir. Como tivemos um feriado no Brasil, o Ibovespa reflete o resultado líquido dos dois dias”, finaliza Luciano Costa.

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