Stuhlberger vê euforia na Bolsa com vitória de Flávio, mas alerta para falta de projeto

25/09/2026 • 3 mins de leitura

Gestor da Verde avalia que saída de Lula reduziria percepção de risco fiscal, mas demonstra ceticismo sobre capacidade de Flávio de avançar com reformas

Euforia na Bolsa

Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial poderia provocar uma forte alta da Bolsa e levar à queda do dólar, na avaliação de Luis Stuhlberger, fundador da Verde Asset. O gestor estima espaço para uma valorização das ações brasileiras nesse cenário, diante da expectativa de redução do risco fiscal e da entrada de investidores locais e estrangeiros.

Stuhlberger, porém, demonstrou ceticismo sobre um eventual governo Flávio e questionou a capacidade do candidato de implementar uma agenda de reformas. Em debate promovido pela Monte Bravo nesta quinta-feira (24), o gestor também manifestou preocupação com a trajetória das contas públicas em um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em debate promovido pela Monte Bravo, o gestor afirmou que o governo Lula 3 levou o quadro fiscal a um nível “absolutamente insustentável”, com dívida “perigosamente alta” e sem perspectiva de queda. Do ponto de vista fiscal, avaliou, o terceiro mandato de Lula foi o pior.

Segundo Stuhlberger, o País caminha para um quadro de desaceleração econômica “clara”, puxada por juros elevados, endividamento das famílias e aumento da inadimplência.

“O Lula 3, em termos fiscais, foi o pior mandato dele”, disse Stuhlberger, ao citar aumento tanto das despesas quanto dos impostos. Para ele, um eventual novo mandato do presidente Lula tende a começar com alguma estratégia de contenção de gastos para evitar reação imediata do mercado, mas o risco é de que uma recessão leve o governo a adotar medidas de estímulo via crédito e garantias, “jogando essa bomba para o futuro”.

O gestor também mencionou que o mercado de opções embute uma alta do dólar em caso de vitória de Lula, enquanto a Bolsa, na leitura dele, parece mais assimétrica por ser um mercado pequeno e com baixa posição de investidores.

Ao tratar de câmbio, Stuhlberger disse ainda que, em um cenário de crise, é preciso considerar risco de “convertibilidade”, com eventual encarecimento para comprar moeda americana.

Já uma eventual vitória da oposição na eleição presidencial tende a reduzir o risco fiscal e provocar um fluxo generalizado para a Bolsa brasileira, com compras de investidores locais e estrangeiros, avalia o gestor.

Stuhlberger disse ser, no entanto, cético em relação à capacidade de implementação de uma agenda de correção dos desequilíbrios econômicos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do presidente Lula na corrida presidencial.

“O pai, pelo menos, tinha um projeto. Podia ser maluco, mas tinha um projeto”, comentou Stuhlberger, ao comparar Flávio com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o gestor, o País precisa de um líder “muito forte e com muita moral”, o que, avaliou, não é o caso de Flávio.

Stuhlberger ponderou que Flávio é assessorado por uma equipe qualificada, citando como exemplo a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, que coordena o programa econômico do candidato. O gestor observou, contudo, que a tendência, se Flávio sair vitorioso das urnas, é de que Daniella não vá para a Fazenda, mas sim se torne CEO do Banco do Brasil.

Na avaliação do fundador da Verde Asset, o Brasil ainda não vive uma crise grave o suficiente para forçar uma correção mais ampla, a exemplo do que aconteceu na Argentina. “Para o Brasil acordar, infelizmente, as coisas têm que piorar muito”, disse, ao mencionar que a economia ainda funciona com desemprego baixo, apesar do endividamento elevado das famílias.

Para ele, mesmo sem grandes entregas, a simples saída de Lula do Planalto poderia aliviar a percepção de risco fiscal e destravar apetite por ações. Ainda disse que a redução do ritmo de expansão das despesas públicas já seria suficiente para animar o mercado, mesmo que Flávio não retome a regra de teto dos gastos.

“Mesmo que o Flávio não entregue nada muito bom, só o fato do Lula sair já dá um alívio”, concluiu.

Assim, uma vitória do senador Flávio Bolsonaro na corrida ao Palácio do Planalto, pode gerar, num primeiro momento, euforia dos investidores, e, nas palavras do gestor, a Bolsa pode ter uma “porrada”, por reduzir o risco fiscal.

O gestor também afirmou que, por mais construtivo que seja o cenário doméstico, é recomendável manter parte do patrimônio no exterior, citando preocupações institucionais.

Matéria publicada pelo E-Investidor (Estadão).

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