Dividendos em outubro: bancos e corretoras mudam apostas; confira as ações escolhidas

05/10/2026 • 5 mins de leitura

Bancos, corretoras e gestoras chegam a outubro com estratégias bastante diferentes para suas carteiras de dividendos. Enquanto algumas casas mantiveram as apostas de setembro, outras fizeram trocas relevantes – e há até quem tenha renovado todo o portfólio para aproveitar o calendário de proventos do mês.

As eleições e a temporada de balanços financeiros, que começa em 20 de outubro, entram nas decisões em um momento de maior volatilidade do Ibovespa. Entre as mudanças, a Terra retirou Petrobras (PETR4) e incluiu BB Seguridade (BBSE3), enquanto o BTG Pactual aumentou a exposição justamente à petroleira e ao Itaú Unibanco (ITUB4). Já Ágora e Andbank mantiveram suas carteiras.

A seguir, veja o que mudou nas carteiras e o que cada casa busca com suas escolhas para o mês.

Monte Bravo estreia carteira com foco na sustentabilidade dos dividendos

A Monte Bravo estreia nesse mês sua carteira de dividendos, formada por dez ações com peso de 10% cada. O portfólio tem dividend yield (rendimento de dividendo) projetado de 7,92% nos próximos 12 meses, enquanto o retorno líquido estimado é de 7,39%. A carteira foi criada com foco na capacidade de as empresas distribuírem caixa de forma recorrente e sustentarem essa remuneração ao longo do tempo.

A seleção foi dividida em três grupos:

  • Pagadoras estruturais (60% do portfólio), com empresas de receitas mais previsíveis;
  • Dividendos crescentes (20% do porfólio), com empresas que podem ampliar a distribuição de proventos;
  • Yield cíclico (20% do portfólio), com ações ligadas a commodities, cujos dividendos tendem a oscilar mais conforme o ciclo econômico.

Entre as dez posições estão Telefônica (VIVT3), Caixa Seguridade (CXSE3), Itaúsa (ITSA4), Copel (CPLE3), CPFL Energia (CPFE3), ISA Energia (ISAE4), Copasa (CSMG3), Allos (ALOS3), Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3).

Os dividend yields projetados variam de 4,53% na Copasa a 12,17% na Allos, com Petrobras em 11,53%. Copasa e Allos estão no grupo de dividendos crescentes, enquanto Petrobras e Vale são classificadas como yield cíclico pela maior dependência dos preços das commodities.

Empresa | Peso | DY 12m projetado

Telefônica Brasil (VIVT3) 10,00% 9,34%

Caixa Seguridade (CXSE3) 10,00% 7,21%

Itaúsa (ITSA4) 10,00% 8,58%

Copel (CPLE3) 10,00% 4,89%

CPFL Energia (CPFE3) 10,00% 7,43%

ISA Energia Brasil (ISAE4) 10,00% 6,86%

Copasa (CSMG3) 10,00% 4,53%

Allos (ALOS3) 10,00% 12,17%

Petrobras (PETR4) 10,00% 11,53%

Vale (VALE3) 10,00% 6,64%

Ágora mantém carteira e eleva dividend yield projetado para outubro

A Ágora Investimentos manteve a carteira de dividendos, com portfólio formado por Allos (ALOS3), Copasa (CSMG3), Caixa Seguridade (CXSE3), ISA Energia (ISAE4) e Itaú Unibanco (ITUB4), com peso de 20% para cada ação. Com a manutenção das posições, o dividend yield médio projetado para os próximos 12 meses passou de 7,4% em setembro para 8,4% em outubro.

A estratégia continua concentrada em empresas com maior previsibilidade de geração de caixa. A Allos é sustentada pela resiliência operacional, ganhos de eficiência e política de retorno aos acionistas, enquanto a Caixa Seguridade combina elevada rentabilidade, baixa necessidade de capital e capacidade de distribuição de dividendos.

A Copasa aparece pelo potencial de ganhos de eficiência após a privatização; a ISA Energia, pela previsibilidade das receitas de transmissão e pelo ciclo de investimentos; e o Itaú, pela rentabilidade elevada, controle de riscos e capacidade de geração de resultados.

Empresa | Peso | DY 12m projetado

Allos (ALOS3) 20% 12,1%

Copasa (CSMG3) 20% 8,0%

Caixa Seguridade (CXSE3) 20% 6,9%

ISA Energia (ISAE4) 20% 6,9%

Itaú (ITUB4) 20% 7,9%

Terra troca Petrobras por BB Seguridade em carteira de dividendos

A Terra Investimentos mudou a carteira de dividendos ao retirar a Petrobras (PETR4) e colocar a BB Seguridade (BBSE3). As demais posições foram mantidas, com cada uma das cinco ações representando 20% do portfólio. A corretora selecionou empresas com payout (lucro líquido distribuído aos acionistas) superior a 25%, múltiplos considerados atrativos, balanço sólido, geração de caixa e histórico de distribuição de proventos.

A BB Seguridade entra com uma tese baseada na recorrência dos resultados, elevada rentabilidade e capacidade de distribuição. Além disso, a casa destacou a sinistralidade favorável da Brasilseg, o crescimento das reservas da Brasilprev e a possibilidade de recuperação gradual do resultado financeiro. A ação tem dividend yield de 11,75% nos últimos 12 meses, com payout de 79%.

Já a Petrobras, que deixa a carteira, apresentou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre e aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), mas sua remuneração está mais sujeita à volatilidade do petróleo e a fatores ligados à política de preços e aos investimentos.

BTG reforça Itaú e Petrobras e amplia exposição a renda e geração de caixa

O BTG Pactual fez uma rotação relevante na carteira de dividendos para outubro, anunciando a saída de Bradesco (BBDC4), Sanepar (SAPR11), Engie Brasil (EGIE3) e TIM (TIMS3), enquanto a posição de Cury (CURY3) caiu de 10% para 5%. No lugar, entrou B3 (B3SA3), e os pesos de Itaú (ITUB4), Petrobras (PETR4), Compass (PASS3) e Sabesp (SBSP3) foram ampliados.

A carteira passou a ter dez ações, com diferentes pesos para os ativos. Os dividend yields projetados para 2026 vão de 2,3% para Sabesp a 11,8% para Allos.

A mudança concentra mais peso em empresas que, na avaliação do BTG, combinam qualidade dos resultados, geração de caixa e capacidade de distribuir proventos. O Itaú é visto como a principal tese de qualidade entre os grandes bancos, enquanto a Petrobras aparece pela combinação de produção, custos operacionais e geração de caixa. A B3 entra pela recuperação da atividade no mercado de capitais e pela geração recorrente de receitas.

Planner aposta no calendário de proventos para renovar toda a carteira

Diferente da carteira da Ágora, a Planner renovou todo o portfólio. Segundo a corretora, todas as ações ficaram ex-proventos. Para outubro, entraram Allied Tecnologia (ALLD3), BrasilAgro (AGRO3), CSU Digital (CSUD3), ISA Energia (ISAE4) e Banco Pine (PINE4), com 20% de peso para cada papel. O relatório não apresenta um dividend yield consolidado da carteira, em vez disso, informa o retorno líquido estimado dos proventos de cada ação.

A estratégia da carteira está diretamente ligada ao calendário de remuneração ao acionista do mês. Assim, diferentemente das carteiras que mantêm posições de longo prazo e usam o dividend yield projetado como um dos principais critérios, a Planner está olhando principalmente para proventos já aprovados ou esperados no curto prazo.

Andbank mantém apostas e combina renda com geração de caixa

Para este mês, o Andbank não realizou nenhuma alteração na sua carteira de dividendos. O portfólio segue com Axia (AXIA3), BB Seguridade (BBSE3), Bradesco (BBDC4), Cemig (CMIG4), Copel (CPLE3), CPFL Energia (CPFE3), ISA Energia (ISAE4), Itaú (ITUB4), Itaúsa (ITSA4) e Vale (VALE3), com peso de 10% cada uma. A carteira tem dividend yield projetado de 7,85% para 2026 e potencial de valorização de 17,29%.

A manutenção das posições acompanha os resultados recentes das empresas e combina negócios de geração de caixa mais previsível com companhias que apresentam potencial de remuneração ao acionista. A Vale também foi mantida mesmo após uma performance negativa em setembro, devido à fraqueza da atividade na China.

O private bank avalia que o movimento representou uma realização, enquanto a companhia segue com geração de caixa relevante. No segundo trimestre, o fluxo de caixa livre foi de US$ 1,5 bilhão e a empresa anunciou US$ 1,7 bilhão em dividendos e JCP, além de um novo programa de recompra de ações.