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16/02/2024 • 3 mins de leitura
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Com a temporada de distribuição de dividendos concentrada no fim do ano, cresce a atenção de investidores para empresas consideradas “vacas-leiteiras” – companhias que repassam parte consistente de seus lucros aos acionistas.
Para explicar vantagens, limites e estratégias desse tipo de investimento, a Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC ouviu Fernanda Rocha, comentarista do Radar e assessora de investimentos da Monte Bravo.
Segundo a especialista, investir em empresas pagadoras de dividendos segue como uma das estratégias mais sólidas da renda variável no Brasil. “É uma estratégia muito vencedora. O nosso exemplo, que é o [Luiz] Barsi, é o maior investidor pessoa física do Brasil e ele segue essa estratégia há muitos anos, então a gente tem que respeitar a estratégia.”
Fernanda destaca que esse tipo de empresa costuma combinar geração de caixa consistente, receita recorrente e baixo endividamento. Esses fatores permitem pagamentos frequentes, seja mensal, trimestral, semestral ou anual.
Ela lembra que a previsibilidade torna a estratégia atraente para quem busca retorno constante e menor volatilidade. “É como se tivesse tido um ganho na empresa e você recebe ele de forma isenta”.
A especialista reforça que reaplicar esses dividendos cria “uma bola de neve” no longo prazo.
Embora proteja o investidor das oscilações mais bruscas, Fernanda explica que esse tipo de ação não costuma disparar, mas também não tende a desabar, já que são empresas maduras e pouco alavancadas. “É um exercício mais de paciência, digamos assim.”
Entre as áreas mais tradicionais, Fernanda destaca:
“Temos empresas que há muitos anos são pagadoras recorrentes de muitos dividendos.”
Fernanda também explicou o conceito de Data-com, que define quem tem direito aos pagamentos. “Dividendos são parte do lucro de uma empresa, que faz uma distribuição proporcional ao número de ações.”
Ela exemplifica o ajuste automático do preço no dia seguinte, conhecido como Data-ex:
“Temos que pensar que se tivesse a R$ 100 essa ação e ela fosse pagar R$ 10, na manhã da Data-ex, ela amanhece a R$ 90.”
Em alguns casos, diz ela, investidores usam esses movimentos para gerar prejuízo contábil e reduzir impostos sobre ganhos futuros. No entanto, deixa claro que a tática só faz sentido em situações específicas.
Fernanda faz um alerta: comprar ações apenas porque anunciaram um pagamento expressivo raramente é vantajoso. “A resposta é depende do seu interesse.”
Ela afirma que a decisão deve estar alinhada à estratégia de longo prazo, e não a movimentos pontuais.
Rocha lembra ainda que algumas empresas estão antecipando pagamentos maiores à espera da possível aprovação do projeto que isenta de Imposto de Renda rendimentos até R$ 5 mil, mas tributa parte dos dividendos recebidos por investidores com valores mais altos. Por isso, companhias podem estar “descarregando” lucros enquanto ainda podem distribuir sem tributação.
Reportagem produzida pela Times Brasil.