Fernanda Rocha analisa riscos de bolha na IA

10/02/2026 • 2 mins de leitura

Nesta segunda-feira (9), o Radar trouxe uma análise detalhada sobre o rápido avanço da inteligência artificial e os temores de uma nova bolha no mercado financeiro. A comentarista do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBCFernanda Rocha, assessora de investimentos da Monte Bravo, explicou que, embora a euforia atual lembre episódios históricos, o cenário das empresas de tecnologia hoje possui fundamentos distintos de crises passadas.

Diferente da bolha das “pontocom” nos anos 2000, onde o valor de mercado era baseado em expectativas sem lastro, as gigantes de IA atuais apresentam resultados financeiros sólidos.

“Hoje, essas empresas de inteligência artificial realmente entregam lucros. Na bolha do ponto com, eram expectativas tão elevadas e empresas que não tinham nenhum racional. Hoje entendemos que há uma perspectiva de lucro real”, afirmou a especialista.

Sinais de alerta: FOMO e efeito manada

Apesar dos lucros, Rocha alertou que o surgimento de uma bolha é difícil de detectar no auge, pois envolve componentes emocionais fortes. O excesso de liquidez e a alavancagem alimentam o fenômeno conhecido como FOMO (Fear of Missing Out), ou o medo de ficar de fora, que infla os preços para patamares surreais.

A assessora relembrou exemplos clássicos de como a irracionalidade pode distorcer o valor dos ativos:

  • Bolha das Tulipas (1636): Flores que chegaram a valer mais do que residências na Holanda.
  • Companhia dos Mares do Sul: Onde até Isaac Newton perdeu parte de seu patrimônio.
  • Bolha das Ferrovias: Com projetos que sequer saíram do papel.

O exemplo japonês e o valor da terra

Fernanda mencionou também a bolha de ações e imóveis no Japão, ocorrida na década de 1980. Ela destacou a dimensão absurda que os preços atingiram na época, citando que um terreno próximo ao Palácio Imperial chegou a valer mais do que o estado inteiro da Califórnia.

Abaixo, os detalhes da correção histórica do mercado japonês comparados à trajetória atual:

AspectoBolha do Japão (Anos 80/90)Cenário IA (2026)
Crescimento do ÍndiceDe 6,000 para 39,000 pontos (em 9 anos)Valorização acelerada em índices como Nasdaq e Dow Jones
Tempo de Recuperação44 anos para voltar ao patamar de 39,000Empresas em fase de renovação de máximas históricas
Fundamento PrincipalEspeculação imobiliária e tecnologia extremaIntegração de IA e geração de caixa real
NarrativaJapão como a única e nova hegemonia globalIA como motor da produtividade mundial

“Comprar o guarda-chuva em dia de sol”

Para o investidor que deseja navegar neste cenário de incertezas, a recomendação da especialista é clara: cautela e diversificação. Fernanda Rocha enfatizou que as ferramentas de proteção são mais acessíveis quando o mercado ainda está em alta.

“Compramos o guarda-chuva em dia de sol. Hoje as proteções estão baratas. Elas ficam caras quando o mercado entra em tendência de baixa. Hoje você consegue comprar proteção via ‘puts’ (opções de venda) ou colocando um ‘stop’ de preço para limitar perdas”, explicou Rocha.

A assessora reforçou a importância de desconfiar do otimismo exagerado. A regra de ouro para 2026, segundo ela, é manter mecanismos de defesa ativos para garantir que o patrimônio não seja corroído em caso de uma correção inesperada de preços.

Leia aqui a reportagem da Times Brasil.