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16/02/2024 • 3 mins de leitura
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Os preços dos alimentos consumidos nos lares brasileiros caíram 0,16% no IPCA de outubro, no quinto mês consecutivo de queda, segundo os dados divulgados ontem pelo IBGE. Nesse período, o recuo acumulado foi de 2,5%, mas alguns dos itens mais consumidos nas cozinhas país afora ficaram bem mais baratos.
A batata-inglesa, que subiu 8,56% em outubro, ainda assim registra um tombo de 29% nesses cinco meses. A cebola recuou 29,7% no mesmo período. O tomate e o alho acumularam quedas de 19,8% e 20,3%, respectivamente. A laranja-pera ficou 18,3% mais barata no período de cinco meses, enquanto o ovo de galinha recuou 15,2%.
Considerando apenas outubro, ficaram mais baratos o arroz (-2,49%) e o leite longa vida (-1,88%).
O resultado surpreendeu economistas, porque o último trimestre do ano costuma ser de inflação pressionada na alimentação em domicílio, por conta de fatores sazonais. Os principais são o clima, com o início das chuvas do período úmido prejudicando a oferta de alimentos in natura, e as festas de fim de ano, que impulsionam a demanda.
— Talvez o impacto do clima não esteja sendo tão severo, como em outros anos, para gerar alguma pressão, principalmente na parte dos alimentos in natura. As chuvas atrasaram um pouco este ano — disse Luciano Costa, economista-chefe da corretora Monte Bravo. — E tem a questão do tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, que diminui um pouco as exportações de alguns produtos.
Nesse caso, a maior oferta no mercado doméstico de produtos que antes iam para os EUA ajuda a aliviar os preços.
O café, um dos produtos de exportação mais prejudicados pelo tarifaço americano, vem caindo há quatro meses, com recuo acumulado de 3,52%. Em maio, o café registrou um pico de alta de 82,24%, no acumulado em 12 meses.
Apesar da surpresa positiva, para os próximos meses a expectativa é de uma maior pressão nos preços de alimentos.
— Tem as festas de fim de ano, e é normal a alimentação ter uma pressão nesse período. A parte in natura também sofre com as chuvas. Elas podem estar atrasadas, mas é meio inevitável ter chuvas mais densas, e isso acaba atrapalhando um pouco a produção — disse Costa, lembrando que carnes e proteínas em geral também tendem a encarecer no fim do ano.
O grupo Alimentação e bebidas do IPCA — que inclui os alimentos fora do domicílio, em bares e restaurantes, por exemplo — teve leve alta de 0,01%, o menor resultado para outubro desde 2017, quando foi de -0,05%. O que impediu o grupo de registrar deflação em outubro foi a alimentação fora do domicílio, cujos preços médios subiram 0,46%.
Reportagem produzida por Mayra Costa, para O Globo.