Petró­leo sobe 4,7%, com maior cota­ção em 14 meses

04/03/2026 • 3 mins de leitura

Guerra faz bar­ril do Brent fechar a US$ 81,40. Em dois dias, alta chega a 15%. Ibo­vespa cai 3,2%. Dólar avança 1,91%, a R$ 5,26, segu­indo valo­ri­za­ção glo­bal da moeda ame­ri­cana com maior aver­são ao risco

A es­ca­lada da guerra no Ori­ente Médio aumen­tou a aver­são ao risco no mer­cado finan­ceiro glo­bal ontem e levou os ati­vos locais a um estresse maior do que o visto na segunda-feira, o pri­meiro dia de negó­cios após os ata­ques dos Esta­dos Uni­dos e de Israel ao Irã e a res­posta de Teerã.

Com o blo­queio do Estreito de Ormuz, o bar­ril de petró­leo do tipo Brent che­gou a subir mais de 9% ontem, inten­si­fi­cando o receio de pres­são infla­ci­o­ná­ria e crise energé­tica glo­bal. A ten­são dimi­nuiu após o pre­si­dente dos EUA, Donald Trump, anun­ciar que a Mari­nha ame­ri­cana fará a escolta dos navios no estreito (leia mais abaixo), e o bar­ril fechou com alta de 4,7%, a US$ 81,40. É a maior cota­ção em 14 meses, e em dois dias o petró­leo acu­mula alta de15%.

As Bol­sas caí­ram, e o dólar subiu. O Ibo­vespa recuou 3,28%, e o dólar, for­ta­le­cido glo­bal­mente pela maior aver­são ao risco, che­gou a R$ 5,34 no pico do dia, uma alta de 3,48%, mas desa­ce­le­rou no fim do pre­gão para valo­ri­za­ção de 1,91%, a R$ 5,26.

O movi­mento não afe­tou ape­nas o real, mas outras moe­das, espe­ci­al­mente emer­gen­tes. O U.S. Dol­lar Index (DXY), que pon­dera a vari­a­ção do dólar em rela­ção a uma cesta de moe­das rele­van­tes subiu 1,1%, refle­tindo a forte demanda glo­bal pela divisa.

— Como o petró­leo e outros ati­vos energé­ti­cos são pre­ci­fi­ca­dos em dólar, a alta da com­mo­dity gera demanda adi­ci­o­nal pela moeda ame­ri­cana, pro­du­zindo um efeito de trans­mis­são que reforça sua valo­ri­za­ção no mer­cado inter­na­ci­o­nal — afirma Lucca Bez­zon, ana­lista de inte­li­gên­cia de mer­cado da Sto­neX.

Mudança de percepção

Segundo ana­lis­tas, na segunda-feira ainda havia a per­cep­ção de que o con­flito seria limi­tado, de menor escala.

— Os ata­ques con­tra ali­a­dos na região e o anún­cio do fecha­mento do Estreito de Ormuz refor­ça­ram a ava­li­a­ção de que a crise está longe de uma solu­ção rápida. Petró­leo mais caro sig­ni­fica infla­ção adi­ci­o­nal. Nos EUA, por exem­plo, o preço da gaso­lina acom­pa­nha o valor inter­na­ci­o­nal do bar­ril e já vem subindo, o que reforça as pre­o­cu­pa­ções com uma infla­ção per­sis­tente jus­ta­mente em um momento de desin­fla­ção glo­bal — afirma Luci­ano Costa, eco­no­mista-chefe da Monte Bravo.

O aumento da aver­são glo­bal ao risco der­ru­bou as Bol­sas nos prin­ci­pais mer­ca­dos. Em Nova York, o Dow Jones caiu 0,83%, o S&P 500 recuou 0,94% e o Nas­daq per­deu 1,02%. Na Europa, o Stoxx 600 recuou 3,18%, o ale­mão DAX caiu 3,44%, o lon­drino FTSE cedeu 2,75%; e o fran­cês CAC 40 per­deu 3,46%.

— Os mer­ca­dos estão rea­gindo de man­chete em man­chete. Muito depen­derá de as ten­sões se esta­bi­li­za­rem ou se isso mar­car o iní­cio de uma inter­rup­ção mais pro­lon­gada no for­ne­ci­mento glo­bal — afir­mou Fawad Razaq­zada, da Forex.com, à Blo­om­berg.

No Bra­sil, o Ibo­vespa atin­giu a mínima de 180.518 pon­tos, mas fechou a 183.105. Os con­tra­tos de juros futu­ros subi­ram. No fecha­mento, a taxa do con­trato de Depó­sito Inter­fi­nan­ceiro (DI) para janeiro de 2027 aumen­tou de 13,29% no dia ante­rior para 13,44%. O DI para janeiro de 2029 subiu de 12,72% para a 12,97%.

A alta dos juros futu­ros der­ru­bou as ações de empre­sas liga­das à eco­no­mia local, com o mer­cado revi­sando de 0,50% para 0,25% ao ano a expec­ta­tiva de corte da taxa básica de juros (Selic) pelo Comitê de Polí­tica Mone­tá­ria do Banco Cen­tral (Copom) na pró­xima reu­nião, nos pró­xi­mos dias 17 e 18.

— O Copom acom­pa­nha a situ­a­ção de perto. Em um con­texto de ten­são inter­na­ci­o­nal, os dados eco­nô­mi­cos ficam em segundo plano. Eles refle­tem um cená­rio pré­guerra. Hoje, o foco está nos des­do­bra­men­tos do con­flito e nos efei­tos sobre ener­gia, infla­ção e polí­tica mone­tá­ria – afir­mou Daniel Teles, sócio e líder comer­cial da Valor Inves­ti­men­tos.

Ouro recua

Curi­o­sa­mente, ati­vos tra­di­ci­o­nais em momen­tos de estresse, como Tre­a­su­ries e ouro, não regis­tra­ram ganhos rele­van­tes. O metal recuou de cerca de US$ 5,4 mil para US$ 5,1 mil por onça-troy, queda de 3,54%.

— Se a infla­ção sobe e os juros pre­ci­sam per­ma­ne­cer mais ele­va­dos por mais tempo, o custo de opor­tu­ni­dade de man­ter ouro aumenta, tor­nando-o rela­ti­va­mente menos atra­ente — diz Bez­zon, da Sto­neX.

Confira abaixo reportagem publicada na edição do impresso (04/03/2026):