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16/02/2024 • 3 mins de leitura
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A escalada da guerra no Oriente Médio aumentou a aversão ao risco no mercado financeiro global ontem e levou os ativos locais a um estresse maior do que o visto na segunda-feira, o primeiro dia de negócios após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e a resposta de Teerã.
Com o bloqueio do Estreito de Ormuz, o barril de petróleo do tipo Brent chegou a subir mais de 9% ontem, intensificando o receio de pressão inflacionária e crise energética global. A tensão diminuiu após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que a Marinha americana fará a escolta dos navios no estreito (leia mais abaixo), e o barril fechou com alta de 4,7%, a US$ 81,40. É a maior cotação em 14 meses, e em dois dias o petróleo acumula alta de15%.
As Bolsas caíram, e o dólar subiu. O Ibovespa recuou 3,28%, e o dólar, fortalecido globalmente pela maior aversão ao risco, chegou a R$ 5,34 no pico do dia, uma alta de 3,48%, mas desacelerou no fim do pregão para valorização de 1,91%, a R$ 5,26.
O movimento não afetou apenas o real, mas outras moedas, especialmente emergentes. O U.S. Dollar Index (DXY), que pondera a variação do dólar em relação a uma cesta de moedas relevantes subiu 1,1%, refletindo a forte demanda global pela divisa.
— Como o petróleo e outros ativos energéticos são precificados em dólar, a alta da commodity gera demanda adicional pela moeda americana, produzindo um efeito de transmissão que reforça sua valorização no mercado internacional — afirma Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Segundo analistas, na segunda-feira ainda havia a percepção de que o conflito seria limitado, de menor escala.
— Os ataques contra aliados na região e o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz reforçaram a avaliação de que a crise está longe de uma solução rápida. Petróleo mais caro significa inflação adicional. Nos EUA, por exemplo, o preço da gasolina acompanha o valor internacional do barril e já vem subindo, o que reforça as preocupações com uma inflação persistente justamente em um momento de desinflação global — afirma Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo.
O aumento da aversão global ao risco derrubou as Bolsas nos principais mercados. Em Nova York, o Dow Jones caiu 0,83%, o S&P 500 recuou 0,94% e o Nasdaq perdeu 1,02%. Na Europa, o Stoxx 600 recuou 3,18%, o alemão DAX caiu 3,44%, o londrino FTSE cedeu 2,75%; e o francês CAC 40 perdeu 3,46%.
— Os mercados estão reagindo de manchete em manchete. Muito dependerá de as tensões se estabilizarem ou se isso marcar o início de uma interrupção mais prolongada no fornecimento global — afirmou Fawad Razaqzada, da Forex.com, à Bloomberg.
No Brasil, o Ibovespa atingiu a mínima de 180.518 pontos, mas fechou a 183.105. Os contratos de juros futuros subiram. No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 aumentou de 13,29% no dia anterior para 13,44%. O DI para janeiro de 2029 subiu de 12,72% para a 12,97%.
A alta dos juros futuros derrubou as ações de empresas ligadas à economia local, com o mercado revisando de 0,50% para 0,25% ao ano a expectativa de corte da taxa básica de juros (Selic) pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) na próxima reunião, nos próximos dias 17 e 18.
— O Copom acompanha a situação de perto. Em um contexto de tensão internacional, os dados econômicos ficam em segundo plano. Eles refletem um cenário préguerra. Hoje, o foco está nos desdobramentos do conflito e nos efeitos sobre energia, inflação e política monetária – afirmou Daniel Teles, sócio e líder comercial da Valor Investimentos.
Curiosamente, ativos tradicionais em momentos de estresse, como Treasuries e ouro, não registraram ganhos relevantes. O metal recuou de cerca de US$ 5,4 mil para US$ 5,1 mil por onça-troy, queda de 3,54%.
— Se a inflação sobe e os juros precisam permanecer mais elevados por mais tempo, o custo de oportunidade de manter ouro aumenta, tornando-o relativamente menos atraente — diz Bezzon, da StoneX.
Confira abaixo reportagem publicada na edição do impresso (04/03/2026):