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16/02/2024 • 3 mins de leitura
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Tese da gestora de R$ 32 bilhões combina commodities fortes e possível alívio no custo do dinheiro
Mesmo com a piora recente do humor do mercado em relação ao Brasil, a Kapitalo Investimentos começou a girar parte da carteira para ações ligadas à economia doméstica, em um movimento que busca antecipar uma possível retomada da Bolsa, segundo Bruno Mauad, sócio e gestor de renda variável Brasil.
A gestora, que tem R$ 32 bilhões sob gestão, mantém posição relevante em exportadoras, mas já adiciona nomes descontados e menos alavancados, apoiada em uma leitura que combina demanda global por commodities e espaço, ainda que incerto, para queda de juros.

A principal posição nos fundos de ações locais da casa ainda está em exportadoras, como a mineradora de ouro Aura, o maior peso, e Embraer. Aos poucos, porém, a gestora está “colocando o pé” em nomes ligados à economia doméstica que estejam menos alavancados e pareçam descontados na Bolsa, como Renner e Natura.
A explicação vai além dos fundamentos locais.. Para Mauad, há uma conjuntura global de demanda por commotidies que pode ajudar o País, além de certo histórico que leva a crer que o Executivo não vai “pular do precipício” ou “virar a Venezuela” em termos de contas públicas.
“Nos últimos 12 meses, havia várias probabilidades positivas para o Brasil. Commodities para cima, expectativa de que o mundo ia cortar juros, além de certa discussão sobre uma mudança na mentalidade do governo. Tudo isso ajudou a Bolsa a andar”, disse.
Desde a eclosão da guerra, o mercado passou a duvidar se o custo do dinheiro realmente vai cair; tanto no que diz respeito à queda de juros, quanto à condução de política econômica no Brasil. Isso fez as ações brasileiras caírem de quase 200 mil pontos para os atuais 170 mil.
Já a possibilidade de um novo ciclo mais forte para commodities, devido à necessidade de infraestrutura para os investimentos que estão sendo realizados em inteligência artificial, segue jogando a favor. A incerteza geopolítica também contribuiu para que a demanda pelos materiais aumente.
“A não ser que o mundo entre em recessão, o que não é nosso cenário-base, não acho que a Space X, que captou US$ 75 bilhões no IPO vá deixar de fazer seus investimentos ou as Filipinas, que ficaram sem petróleo com a guerra, vão deixar de estocar commodities. Ainda acho que o cenário pode ser positivo para Brasil”, explicou o gestor da Kapitalo. “Com commodities em alta, se o custo do dinheiro cair, pode acontecer o mesmo que vimos em 2016, 2017. Um cenário muito benéfico para ações.”
O gestor participou nesta sexta-feira (12) de um evento da Monte Bravo em São Paulo. Executivos discutiram como equilibrar a carteira de investimentos entre a alocação local e internacional, em um mundo volátil e com tantas incertezas macroeconômicas e geopolíticas.
Lá fora, a continuidade da guerra no Oriente Médio ainda gera dúvidas se o atual choque do petróleo vai contaminar a economia global de forma mais expressiva. Isso dependerá do tempo de duração do conflito. A pressão que esse fator pode causar na inflação, em um contexto em que as grandes economias globais já estão em restrição monetária, fez o mercado passar a precificar que os Estados Unidos podem não ter espaço para reduzir mais sua taxa de juros. Com os resultados das empresas, especialmente as ligadas à inteligência artificial, ainda altos e a economia resiliente, as atenções das últimas semanas se voltaram mais uma vez ao mercado do país.
No Brasil, a incerteza tem a ver com o fiscal. O mercado também passou a precificar que o Banco Central pode optar pela manutenção da taxa Selic nos atuais patamares de 14,5% – até poucas semanas, o consenso indicava continuidade no ciclo de queda iniciado em março.
E isso passa diretamente pelo resultado das eleições. Na Faria Lima, predomina o entendimento de que o atual governo Lula não vai fazer um ajuste relevante para resolver o problema das contas públicas se reeleito e a esperança de uma mudança na condução de política econômica no Brasil está na alternância de poder.
Com a disputa política ainda muito aberta e a quatro meses da votação, a Monte Bravo acha precipitado apostar demais em uma direção ou outra. O caminho da alocação passa por encontrar um ativo que se destaque nos dois cenários. E a resposta são as NTN-Bs.
Leia mais: Por que aumentar a alocação no tesouro IPCA + , segundo Monte a Bravo
O Tesouro IPCA+ está pagando 8% de juro real ao ano ao investidor, no maior nível da série histórica. “Não é um ativo que vai ganhar dinheiro no cenário negativo, é defensivo. Mas, no cenário bom, se os problemas estruturais forem endereçados e o Brasil conseguir flertar com juros reais mais civilizados, os títulos podem dar ‘retorno de Bolsa’”, disse Guilherme Loureiro, CIO da Monte Bravo.
A alocação sugerida aos clientes está sendo dividida principalmente entre NTN-Bs e offshore, para que o investidor não fique de fora do bom momento das empresas de tecnologia e da proteção do dólar, importante caso o cenário fiscal do Brasil se deteriore de forma relevante. “O desafio hoje é mensurar o tamanho do investimento no exterior, de tal forma que não mate a alocação local se tudo der certo, mas garantindo uma boa capacidade de proteção”, explicou Loureiro.
O outro ativo que merece lugar na carteira, consenso entre os dois executivos, é o ouro, dada a demanda crescente da commodity no mundo e a capacidade de proteção que o metal oferece. Para o CIO da Monte Bravo, a queda recente da cotação abriu uma janela de entrada. Em 30 dias, a desvalorização foi de 10%.
A Kapitalo gosta de fazer essa alocação via Aura, porque a empresa ainda permite exposição a tese do cobre, que também está em um momento positivo.
Leia a reportagem publicada no E-Investidor.