Sala de Imprensa
13/10/2025 • < 1 minuto de leitura
IBGE: Inflação oficial sobe 0,48% em setembro
A inflação oficial do Brasil voltou a subir em setembro,…

Com IPCA de 0,33% em dezembro, acumulado do ano ficou em 4,26%, o menor valor desde 2018. Especialistas alertam, no entanto, para pressão do setor de serviços.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — usado como parâmetro da meta de inflação do Banco Central (BC) — subiu 0,33% em dezembro, abaixo do previsto. Com o resultado, a inflação acumulada em 2025 ficou em 4,26%, dentro da meta, que é de 3%, com limite máximo de 4,5% e piso de 1,5%. No início do ano passado, as projeções do mercado para o IPCA chegavam a 5% e 6%, mas o índice de preços acabou ficando abaixo do teto da meta pela primeira vez no atual governo Lula e com a menor taxa desde 2018.
A gente começou 2025 com dólar a R$ 6,20. Naquele momento, a projeção de inflação rompia muito o teto da meta. Fechar o ano com 4,26% é realmente uma dinâmica muito favorável — avalia Luciano Costa, economista da Monte Bravo.
Economistas afirmam que a forte elevação feita pelo BC na taxa básica de juros, a Selic, que chegou a 15% ao ano, foi essencial para evitar que o IPCA estourasse a meta, com a desaceleração da economia. Além disso, a combinação de boas safras, com condições climáticas favoráveis, e a valorização do real frente ao dólar fizeram com que o grupo de alimentação no domicílio desacelerasse de 8,23% em 2024 para 1,43% em 2025.
No começo do ano passado havia analistas esperando quase 9% de inflação de alimentos no acumulado de 2025. Foi 1,4%, uma surpresa bem grande — disse Flávio Serrano, economista do BMG.
O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, titular interino da pasta nas férias do ministro Fernando Haddad, celebrou: “Os 4,26% são o menor IPCA desde 2018, quando o desemprego estava em 11,6%. Agora está em 5,2%. Estamos entregando inflação e desemprego baixos”, escreveu Durigan no X.
O resultado anual, no entanto, permaneceu longe do centro da meta de 3%. Alguns itens impediram que a desaceleração anual fosse maior. A energia elétrica foi a maior vilã de 2025, com alta anual de 12,31%.
Se não fosse isso, a gente talvez tivesse terminado com uma inflação em torno de 4% — afirma o coordenador dos índices de preços do FGV Ibre, André Braz.
Mas o grupo que mais preocupa os economistas é o de serviços, que acelerou de 4,78% em 2024 para 6,01%, impulsionado por um mercado de trabalho aquecido. O segmento de serviços representa cerca de 30% do orçamento familiar. Se o grupo for somado ao dos preços monitorados — aqueles regulados pelo poder público, como luz, água e esgoto, transporte público e combustíveis —, que subiram 5,2%, representam juntos cerca de 55% da renda das famílias.
Mais da metade do orçamento familiar teve que conviver com a inflação um ponto acima do teto da meta. E é isso que ainda coloca a gente num cenário de inflação que preocupa — diz Braz.
Segundo os economistas, o mercado de trabalho ainda aquecido — com o desemprego em mínimas históricas e a renda batendo recordes consecutivos — é o principal responsável pelo cenário.
Já é consenso que o BC iniciará um ciclo de cortes de juros esteano,masasapostassedividem: se será na reunião do Copom nos dias 27 e 28 deste mês, ou em março. Para muitosanalistas,éjustamenteainflação de serviços que deve manter o BC cauteloso.
Se a atividade não desacelerar tanto e o mercado de trabalho não piorar um pouco, a inflação de serviços ainda vai ficar puxada. Isso é um grande desafio para o BC ao longo de 2026 — diz Serrano.
Mais otimista, Costa vê motivos para um corte na Selic já neste mês:
A inflação em 12 meses está caindo, as expectativas de inflação estão bem ancoradas com o processo de queda, mas o juro real continua subindo. Portanto, não faz sentido apertar passivamente o juro real quando a economia está dando sinais de desaceleração. Então, o BC deveria começar o corte de juros em janeiro.
Para este ano, os economistas preveem preços de alimentos mais pressionados por um lado e, por outro, alívio da energia elétrica, com bandeira tarifáriaverde,eumamenorinflação dos serviços pela desaceleração da economia. Serrano e Braz veem o ano terminando com IPCA em torno de 4%. Mas citam incertezas sobre as políticas de Donald Trump e a eleição presidencial de outubro, que podem trazer volatilidade ao câmbio.
O secretário de Política Econômica da Fazenda, Guilherme Mello, reconheceu o papel da atuação do BC no combate à inflação em 2025. Mas, ao GLOBO, destacou fatores além da eficácia da política monetária:
O IPCA mostra que a política monetária funciona. Mas mostra também que houve um esforço de coordenação de política econômica, principalmente do final do último trimestre do ano passado até o terceiro trimestre deste ano.
Ele enfatiza que os 4,26% são o melhor resultado do atual governo Lula, que começou o ano passado com o mercado projetando que seria o pior da gestão.
Para Mello, os números da inflação reforçam o debate sobre qual é a real capacidade de crescimento da economia, o chamado PIB potencial. Ele pondera que “uma taxa de desemprego mais baixa não necessariamente representou uma inflação muito mais pressionada”.