Fernanda Rocha: “É insustentável pensar que o Brasil pagará esse juro real por tanto tempo”

03/03/2026 • 2 mins de leitura

Nesta segunda-feira (2), o Radar trouxe uma análise técnica sobre a valorização surpreendente de quase 30% acumulada pelo Tesouro Direto IPCA+ 2050 nos últimos doze meses. Fernanda Rocha, assessora de investimentos da Monte Bravo e comentarista do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, explicou que esse fenômeno decorre do fechamento das taxas longas após o pico de estresse fiscal no país.

Segundo a especialista, o mercado brasileiro queimou uma “gordura” inicial, mas ainda mantém um prêmio de risco elevado que atrai tanto conservadores quanto especuladores.

“Estamos falando de títulos rodando a IPCA mais 7, uma taxa que só vemos em momentos de extrema tensão. É quase um prêmio insustentável imaginar que o Brasil manterá esse nível de juro real por décadas sem que haja uma correção para patamares mais saudáveis”, afirmou Rocha.

Ela ressaltou que, para o investidor repetir os lucros passados, os pilares do cenário fiscal e político precisam apresentar um arrefecimento consistente nos próximos meses.

O “Seguro” contra a inflação e a estratégia tática

A assessora destacou que o investimento em títulos longos funciona como um mecanismo de proteção patrimonial robusto. Ao adquirir uma NTNB (Nota do Tesouro Nacional Série B), o investidor consegue travar uma rentabilidade acima do aumento de preços, garantindo um ganho real independentemente das oscilações de curto prazo.

Fernanda Rocha enfatizou que a estratégia mais prudente é entrar no ativo com a mentalidade de carregar até o vencimento, transformando a volatilidade em um seguro contra a inflação.

Abaixo, os caminhos para quem investe em títulos públicos de longo prazo:

ModalidadePerfil de AtuaçãoObjetivo Principal
Buy & HoldConservadorGarantir juro real elevado e proteção até o vencimento
Marcação a MercadoEstratégicoCapturar lucros rápidos de 30% com a queda das taxas
DiversificaçãoEquilibradoReduzir a exposição ao risco de ações em tempos de juros altos

A força do capital estrangeiro e a curva de juros

O apetite do investidor estrangeiro tem sido um motor fundamental para a compressão das taxas brasileiras. Atualmente, o Brasil oferece o maior juro real do mundo, o que torna a nossa renda fixa extremamente atrativa diante de um dólar enfraquecido globalmente.

Para a especialista da Monte Bravo, esse fluxo internacional tem espaço para crescer, visto que muitos fundos globais ainda estão subalocados na nossa curva de juros longa, buscando a previsibilidade que o mercado acionário local ainda não consegue entregar.

“Quando você compra a renda fixa de uma empresa, você assume o mesmo risco de quem compra a ação, mas com a garantia de que, se levar até o final, o seu ganho está travado. No cenário atual, com juros elevados, correr risco na bolsa torna-se menos atraente diante da previsibilidade financeira oferecida pelos títulos públicos”, concluiu Rocha.

Ela reforça que a manutenção dessa tendência positiva depende da continuidade do fluxo de dólares e da estabilidade das metas de inflação.

Leia aqui a reportagem publicada na Times Brasil.