Fee based exige mudança no serviço prestado ao investidor, dizem especialistas

18/09/2026 • 2 mins de leitura
Fee based

Fee based: executivos afirmam que mudar a forma de cobrança não basta e defendem maior qualidade no atendimento ao cliente

A expansão do modelo fee based no Brasil exige mais do que uma mudança na forma de cobrança. O mercado também precisa elevar o nível de serviço oferecido ao investidor e ampliar a transparência, segundo participantes do Congresso Internacional Planejar, nesta quinta-feira (17).

Durante o painel “Fee e commission based: remuneração alinhada às necessidades dos clientes”, Filipe Portella, cofundador e CEO da Monte Bravo, afirmou que a cobrança de uma taxa fixa, sozinha, não garante uma relação mais vantajosa para o cliente.

“Para que o fee based se torne realmente o melhor modelo de remuneração, o modelo de servir também precisa mudar”, afirmou.

Segundo Portella, empresas que adotam esse formato precisam entregar um nível mínimo de atendimento e acompanhamento. Caso contrário, a mudança pode representar apenas uma troca na estrutura de cobrança.

“Não adianta você cobrar um valor fixo e não ter um nível de serviço mínimo”, disse.

O executivo também afirmou que o desenvolvimento do modelo exige produtos mais eficientes e maior transparência. Para ele, esse processo deve transformar gradualmente a indústria de investimentos.

Anbima defende padronização

Tatiana Itikawa, superintendente de Representação de Mercados da Anbima, afirmou que a associação trabalha para organizar e padronizar as informações apresentadas aos investidores.

De acordo com ela, os modelos comissionado e fee based podem coexistir. No entanto, o mercado precisa garantir que a escolha da remuneração considere as necessidades do cliente, e não apenas os interesses da instituição.

“O nosso papel vem na questão de uniformizar padrão, orientar a melhor forma”, afirmou.

Tatiana explicou que o modelo comissionado já avançou em transparência com a Resolução CVM 179, que estabeleceu regras para a divulgação da remuneração recebida por intermediários.

Já no fee based, segundo ela, o mercado ainda discute formas de garantir que a estrutura adotada não priorize apenas a remuneração mais vantajosa para a instituição.

“Eu não posso colocar uma remuneração que é melhor para mim porque, naquele momento, é mais interessante para mim, enquanto indústria, enquanto mercado”, afirmou.

Dessa forma, a Anbima busca reforçar a centralidade do investidor. Para Tatiana, a discussão precisa considerar tanto a qualidade do serviço quanto aquilo que realmente atende aos interesses do cliente.

Matéria publicada no portal BP Money.