Consórcio volta ao radar dos brasileiros como alternativa ao crédito caro e ferramenta de patrimônio

09/06/2026 • 2 mins de leitura

Com os juros elevados e o crédito mais restrito, o consórcio voltou a ganhar destaque entre os brasileiros que buscam adquirir bens de maior valor sem recorrer ao financiamento tradicional. A modalidade, antes associada principalmente à compra de imóveis e veículos, passou a ser utilizada também para a aquisição de serviços, equipamentos agrícolas, propriedades rurais e até como estratégia de formação de patrimônio.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a assessora de investimentos Fernanda Rocha, da Monte Bravo, afirmou que a principal vantagem do consórcio está na ausência de juros bancários. “O consórcio nasceu exatamente com esse propósito. Ele tem apenas uma taxa de administração, que pode ficar em torno de 15% a 20% durante todo o período”, explicou.

Segundo a especialista, a modalidade tende a ser mais vantajosa para quem não possui urgência na aquisição do bem. Ela destacou que mecanismos como os lances podem antecipar a contemplação. “Dependendo das circunstâncias, quanto mais tranquilo você estiver para essa aquisição, mais o consórcio faz sentido”, disse.

Fernanda ressaltou que o mercado ampliou significativamente as possibilidades de utilização das cartas de crédito. “Hoje em dia, esse universo abriu muito. Você consegue fazer consórcio para comprar gado, maquinário agrícola, fazendas, helicópteros, aviões e até para cirurgia plástica”, afirmou.

Ao comparar o consórcio com o financiamento imobiliário, a assessora apontou diferenças expressivas de custo. Em uma simulação para um crédito de R$ 1 milhão em 20 anos, ela estimou que a parcela de um financiamento ficaria próxima de R$ 13,7 mil, enquanto a de um consórcio seria de cerca de R$ 5,7 mil. “No final do período, quem financiou pode ter pago mais de R$ 2 milhões, enquanto no consórcio esse valor ficaria próximo de R$ 1,17 milhão”, exemplificou.

Apesar das vantagens, a especialista alertou para alguns cuidados. Entre eles, a escolha de uma administradora sólida e autorizada pelo Banco Central e a manutenção dos pagamentos em dia. “Uma dica que vale ouro é nunca atrasar a parcela. Muitas pessoas não percebem, mas isso pode impactar suas chances de contemplação ao longo do tempo”, afirmou.

Outro ponto destacado foi a correção das cartas de crédito. De acordo com Fernanda, os valores são atualizados por índices como o INCC, no caso dos imóveis, e o IPCA, para veículos e outros bens, preservando o poder de compra da carta ao longo dos anos.

A assessora também chamou atenção para uma estratégia utilizada por alguns investidores. Quando a carta é contemplada e não é utilizada imediatamente, ela passa a ser remunerada pelo CDI. “Muitas pessoas usam essa estratégia para crescimento patrimonial. Elas adquirem cartas, conseguem a contemplação e deixam os recursos rendendo até o momento da utilização”, explicou.

Para Fernanda, o sucesso do consórcio depende principalmente de duas características. “Planejamento e disciplina. Tudo no universo dos investimentos e do patrimônio passa por isso. Quem consegue se organizar e abrir mão do consumo imediato normalmente paga menos juros e toma decisões mais eficientes financeiramente”, concluiu.

Leia aqui a reportagem publicada na Times Brasil. Confira abaixo o programa na íntegra.