Conflito no Oriente Médio derruba Ibovespa e eleva petróleo

09/03/2026 • 2 mins de leitura

Estrategista-chefe da Monte Bravo, Alexandre Mathias afirma que incerteza da guerra e risco no fornecimento de petróleo elevam volatilidade nos mercados

O conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz ampliaram o impacto nos mercados globais nesta semana, pressionando o petróleo e provocando queda no Ibovespa. Nesse cenário, o estrategista-chefe da Monte Bravo, Alexandre Mathias, avalia que a principal característica do momento é a incerteza sobre a duração do conflito e seus impactos no fornecimento de energia.

O barril do petróleo tipo Brent crude oil, referência internacional, encerrou a semana cotado a US$ 92 após subir mais de 27%, impulsionado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo. No mesmo período, o Ibovespa recuou 5%, voltando ao patamar de 179 mil pontos, enquanto o dólar avançou 2,14%, fechando a R$ 5,24.

Para Mathias, a volatilidade reflete a dificuldade de prever a evolução de conflitos armados e os riscos associados à interrupção prolongada do fornecimento global de petróleo.

“Guerra é uma coisa absolutamente incerta. Ninguém tem modelos de previsão de guerra. Então a gente tem que observar. Justamente porque existe o risco dessa paralisação ser mais demorada é que os preços sobem tanto e o mercado fica inseguro com relação à duração da interrupção do fornecimento de petróleo”, afirmou.

Segundo o estrategista, a alta da energia tende a gerar uma cadeia de efeitos na economia global. Custos mais elevados de transporte, produção e logística pressionam a inflação e podem manter as taxas de juros em níveis elevados por mais tempo.

Além disso, o aumento do risco global também altera o comportamento dos investidores internacionais. De acordo com Mathias, o fluxo de capital estrangeiro, que vinha sustentando o desempenho da bolsa brasileira, perdeu força diante do ambiente de maior incerteza.

“O que estava empurrando a Bolsa de Valores aqui no Brasil era o fluxo do capital estrangeiro. Diante desse aumento do risco global, o capital estrangeiro parou de se mover em direção aos mercados emergentes e ao Brasil, inclusive”, explicou.

Com o conflito ainda sem perspectiva clara de resolução, a evolução dos preços do petróleo e o comportamento do capital internacional seguem no radar dos investidores, especialmente em economias emergentes como o Brasil.

Confira a entrevista no Jornal da Globo: