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16/02/2024 • 3 mins de leitura
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Estudo da consultoria Veritas mostra ascensão do modelo de cobrança de taxa fixa e novas consultorias no mercado financeiro

O registro de consultores de investimentos, ligados ao modelo de cobrança de uma taxa fixa sobre o patrimônio (fee based) avançou 25,7% no primeiro trimestre do ano em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto o registro de assessores de investimentos, mais ligados ao modelo de comissão, caiu 19% no mesmo período.
De janeiro a março o número de consultores de investimento no país aumentou 6,35% e atingiu 2.293 profissionais. Foram 197 consultores de investimentos registrados no primeiro trimestre do ano, enquanto 40 registros foram cancelados, o que gerou um saldo de 157 novos profissionais.
No mesmo período, o número de assessores de investimento caiu 1,53%, para 26.419. Nos três primeiros meses do ano, 786 novos profissionais se registraram, mas 416 registros foram cancelados, e o saldo de novos assessores atingiu 370.
A partir dos dados é possível concluir que há uma migração do modelo de assessoria para o de consultoria de investimentos, diz Anderson Couto Timm, CEO da Veritas.
“É um modelo mais benquisto pelo investidor, que está mais consciente e educado. Muitos influenciadores sobre o tema estão explicando o novo modelo, e ele vem ganhando popularidade”, afirma.
Vale ressaltar, contudo, que os registros de novos assessores de investimentos estão desacelerando, mas não estão em declínio. “O crescimento do mercado está apenas mais maduro”, conclui Timm.
Thiago Nigro, fundador do Grupo Primo, vem apostando no crescimento do modelo de taxa fixa no mercado, que considera mais transparente. O influenciador conta que a consultoria de investimentos do grupo, a Portfel, criada no final de 2023, já tem 700 consultores espalhados pelo país, cerca de 30% do total dos profissionais do mercado. Todos são credenciados pela CVM, e têm formação em uma metodologia própria de alocação da consultoria. “A Portfel cadastra cerca de 30 novos profissionais por mês.”
O assessor de investimentos não precisa necessariamente mudar de empresa para virar consultor: o próprio escritório de investimentos onde trabalha pode criar um braço de gestão de patrimônio que tem como foco contratar esses profissionais.
“Temos na empresa um caso de assessor de investimentos que decidiu migrar para o registro de consultor de investimentos e irá trabalhar no nosso braço de gestão de patrimônio”, aponta Felipe Bichara, vice-presidente da Fami Capital, maior escritório de assessoria de investimentos do País.
O assessor de investimentos pode trabalhar com o modelo de taxa fixa, mas não pode gerenciar a carteira do cliente em diferentes instituições financeiras, que é a base das consultorias de investimentos, aponta o executivo.
A tendência já vem se desenhando há algum tempo, e apenas se intensificou recentemente. Nos últimos 10 anos, o número de registro de consultores de investimentos vem em um crescimento linear, chegando no topo da série histórica no ano passado, quando 663 profissionais foram registrados.
Já o de assessores de investimentos vem caindo desde o pico de 6.389 registros em 2022: foram 5077 registros em 2023, 3738 em 2024 e 3510 em 2025, menor número desde 2018.
O modelo de taxa fixa representa 15% dos atendimentos da Fami, enquanto na Monte Bravo já equivale a 40% do total. No começo do ano passado, um a cada cinco clientes nossos preferiam o modelo. No meio do ano passado já eram um a cada quatro, e hoje é um terço deles, diz Felipe Carbonar, diretor comercial do escritório de assessoria de investimentos.
“O papel da relação com assessor e consultor vai mudar. Ele será mais alinhado ao interesse cliente e prestará um serviço cada vez mais consultivo.”
O número de cancelamento de registros tanto de consultores como assessores de investimentos vem crescendo. No ano passado foram cancelados 204 registros de consultores, o maior da série histórica, enquanto foram registrados 2804 cancelamentos de registros de assessores de investimentos, que só não ultrapassou o pico de 2013, quando 2.907 registros foram cancelados.
Para Timm, o número de cancelamentos de registros reflete um mercado que tem maior dificuldade de captar clientes em um cenário prolongado de altas taxas de juros. Escândalos recentes, como o do Banco Master e da Reag, também deixaram investidores desconfiados.
O lado bom é que o mercado em crise acaba qualificando os profissionais. “Tivemos uma enxurrada de profissionais no mercado durante a pandemia. Quem continua até agora são os bons. Muita gente que não era do mercado, como advogados, foram atraídos por promessas de altos salários e acabaram não conseguindo se desenvolver”, explica o CEO da Veritas.
O avanço dos consultores de investimentos acompanhou o lançamento de novas consultorias. Já são 523 existentes no país, e 43 foram criadas no primeiro trimestre do ano, sendo 17 em São Paulo, seis no Paraná, seis no Rio de Janeiro, e o restante divididas entre sete estados. Por outro lado, 17 registros foram cancelados, sendo oito por decisão administrativa, refletindo uma maior fiscalização.
Já os registros de novos escritórios de assessorias de investimento somaram 26 nos primeiros três meses do ano, e atingiram 1.420, redução de 0,42% desde janeiro. Como 23 assessorias de investimentos foram canceladas no período, o saldo foi de apenas três novas casas. No ano passado, foram 168 registros, menor número desde 2020.
Os números mais tímidos de novas casas e cancelamentos de registros refletem um cenário mais difícil para captar clientes, com maior fiscalização após escândalos e casos de conflitos de interesses.
Além disso, corretoras estão elevando a régua para escritórios de consultoria financeira independentes, especialmente os não “plugados” diretamente à sua infraestrutura, o que favorece um movimento de fusões e aquisições recentes no mercado, aponta Timm.
Antes, muitas plataformas aceitavam operações menores, a exemplo de consultorias com cerca de R$ 100 milhões sob custódia. Agora, esse piso vem aumentando porque as corretoras querem parceiros que utilizem todo o ecossistema delas: tecnologia, compliance, produtos, atendimento, mesa de operações e estrutura de gestão de patrimônio.
Manter uma consultoria independente acessando a plataforma de forma parcial gera custo operacional, regulatório e de suporte para a corretora, mas sem necessariamente trazer retorno proporcional em receita ou comissionamento.
Na prática, isso não impede o consultor de atender clientes. Pelas regras da CVM, especialmente as resoluções 178 e 179, o consultor pode continuar atuando mesmo sem estar integrado diretamente a uma grande plataforma como BTG Pactual ou XP. O problema é que o processo fica mais burocrático e menos fluido. Por exemplo: o consultor consegue recomendar produtos ou operar para o cliente, mas depende de acessos indiretos, repasses de informações e mais etapas operacionais. Isso cria atrito na experiência do cliente e reduz eficiência.
Leia aqui a reportagem publicada no E-Investidor.