Sala de Imprensa
16/02/2024 • 3 mins de leitura
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Juros elevados, alta do petróleo e maior aversão ao risco mantiveram o perfil defensivo das carteiras recomendadas; BB Investimentos foi a principal exceção ao promover mudanças mais relevantes.
O forte desempenho da Bolsa brasileira em julho não foi suficiente para provocar uma ampla reorganização das carteiras recomendadas para agosto. Em vez de correr atrás das ações que mais subiram, bancos e corretoras fizeram ajustes pontuais, reforçando posições em empresas consideradas mais resilientes diante de um cenário que continua cercado de incertezas, tanto no Brasil quanto no exterior.
O mês passado foi marcado pela volta das preocupações com a inflação global, pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e por dúvidas crescentes sobre o retorno dos pesados investimentos em inteligência artificial. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o banco central manteve os juros inalterados, enquanto a abertura da curva dos títulos do Tesouro Americano (Treasuries) refletiu a percepção de que o ciclo de afrouxamento monetário pode demorar mais do que o esperado. Ao mesmo tempo, a disparada do petróleo e de outras commodities voltou a pressionar as expectativas de inflação.
Ainda assim, a Bolsa brasileira conseguiu se destacar. O Ibovespa avançou 3,47% em julho, sustentado principalmente pelo bom desempenho de empresas ligadas a commodities, energia e setor financeiro, além da continuidade do fluxo estrangeiro para a B3. No mercado doméstico, a inflação mostrou sinais de alívio, mas a proximidade das eleições e as incertezas fiscais continuam limitando uma melhora mais consistente dos ativos brasileiros.
Esse cenário aparece com clareza nas recomendações para agosto. A maior parte das instituições manteve suas convicções, enquanto aquelas que promoveram mudanças optaram por ampliar a exposição a utilities, infraestrutura, exportadoras e empresas com maior previsibilidade de resultados. Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), Itaú (ITUB4), Axia Energia (AXIA3) e companhias ligadas ao dólar seguem entre os nomes mais recorrentes.
A Monte Bravo também promoveu apenas uma troca em agosto. A corretora zerou sua posição em Localiza (RENT3) e redistribuiu o peso entre Direcional (DIRR3) e Nvidia (NVDC34).
A decisão foi motivada pelo aumento das dúvidas sobre o comportamento do mercado de veículos seminovos nos próximos meses, fator que pode pressionar os resultados da locadora.
Já a Direcional teve sua participação ampliada diante das perspectivas positivas para o segmento de habitação popular, enquanto o aumento da posição em Nvidia mantém a exposição da carteira a uma das principais empresas globais de inteligência artificial, apesar da recente volatilidade do setor.

Publicado no E-Investidor no portal Estadão.