Alta do ouro e da prata reflete incertezas globais

13/01/2026 • 2 mins de leitura

O avanço do ouro e da prata marcou o pregão desta segunda-feira, em um movimento associado a fatores macroeconômicos e geopolíticos. Segundo o estrategista-chefe da Monte Bravo, Alexandre Mathias, a valorização dos metais preciosos reflete uma combinação de riscos, como preocupações inflacionárias, tensões geopolíticas e, mais recentemente, a conduta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Federal Reserve. Mathias destacou que a pressão política por cortes de juros sem um cenário inflacionário compatível eleva o prêmio de risco e favorece ativos de proteção, como o ouro, que acumula cerca de 70% de alta nos últimos 12 meses, embora ele avalie ser improvável a manutenção desse ritmo no curto prazo.

No mercado doméstico, a bolsa brasileira teve um dia de baixa liquidez e oscilou perto da estabilidade. Mathias afirmou que os movimentos mais relevantes ficaram concentrados em ações como Petrobras e Vale, influenciadas pelos preços do petróleo e do minério de ferro. Houve ainda realização em papéis de construtoras e queda em alguns bancos, sem a presença de um fator específico que justificasse o desempenho. Para o estrategista, após uma alta acumulada de aproximadamente 35% em 12 meses, o Ibovespa passa por um processo de consolidação, em meio a um cenário externo ainda favorável, mas com incertezas fiscais e eleitorais no Brasil.

A expectativa do mercado agora se volta para as decisões de política monetária. Mathias avalia que, nos Estados Unidos, é improvável uma mudança imediata nos juros, já que o Fed sinalizou a necessidade de acumular mais dados após cortes realizados no fim do ano passado. No Brasil, apesar de um comunicado recente mais duro, ele vê espaço para o início do ciclo de flexibilização, considerando a taxa básica em 15%, a inflação em 4,26% e a melhora das expectativas inflacionárias.

Confira a entrevista na íntegra, transmitida na Times Brasil: