01/03/2021 às 16:25

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Segunda

Mar

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Por Rodrigo Franchini, Sócio e Head de Relações Institucionais da Monte Bravo.

A pergunta a qual dou início a esse texto é importante para entendermos os diversos pontos de vistas da polêmica decisão tomada pelo presidente Jair Bolsonaro na segunda quinzena de fevereiro.

Digo isso pois há quem defenda que a troca do agora ex-presidente da principal empresa do país, Sr. Roberto Castello Branco já teria sido feita no próximo mês de qualquer maneira. Portanto, essa antecipação não seria justificativa para tanta repercussão negativa.

Outros defendem que esse movimento vindo diretamente por parte do presidente, é uma clara intervenção no livre mercado, podendo até causar consequências em outros setores, abrangendo, assim, mais empresas do que apenas as controladas pelo Estado.

O que isso quer dizer na prática?

De uma maneira geral, o mercado deu o seu recado no minuto depois da decisão: as ADRs da empresa negociadas fora do mercado local já mostravam quedas superiores a 5% na própria sexta-feira.

E de fato, na abertura do mercado, após um final de semana de muita especulação e indigestão de vários investidores e gestores (que tinham a ação mais líquida do nosso Ibovespa em seus portfólios), a queda foi inevitável, transformando a maior empresa do índice e do nosso país em um ativo que ninguém queria.

A queda, inclusive, foi a segunda maior de sua história, fazendo com que a empresa perdesse mais de R$ 100 bilhões em valor de mercado naquele momento.

Por que houve uma mudança brusca?

Terra arrasada, ninguém mais vai querer acreditar na empresa e ao mesmo tempo no país? É hora de vender tudo e olhar outros ativos para a carteira? Não teremos mais segurança nas nossas instituições e por isso os prêmios pelos juros de fato se justificam em aberturas homéricas em apenas algumas horas?

Eu digo que não é bem assim. Na terça-feira (23/02), após os eventos citados, o mercado voltou a sua parcial racionalidade que não lhe é peculiar em vários momentos e entendeu que houve de fato um exagero na queda e na depreciação da empresa.

As ações começaram a retornar, e as casas de análises diminuíam o seu ímpeto de queda para o preço alvo das ações, ainda que existisse um cenário incerto sobre os novos rumos da empresa.

Agora façamos uma reflexão sobre o novo presidente, o General Silva Luna. Vamos entender os seus desafios e teoricamente a sua competência para tal.

Os preços que só cresceram

A Petrobras teve que enfrentar em anos recentes ajustes significativos dentro do preço do barril do petróleo, ainda que em 2020 nós tivéssemos o efeito covid para trabalhar.

De fato, a mudança de preço foi significativa. Vale lembrar que ano passado o barril chegou ao patamar de US$ 20,00, para os US$ 65,00 atuais.

O reajuste de um produto tão utilizado no nosso dia a dia nunca será tarefa simples. Inclusive, a crítica que se faz nesse 2021 é de que a empresa teria margem para trabalhar nesse início de ano, e que esse aumento de mais de 30% em apenas um mês e meio, poderia ser mais bem trabalhado.

Olhar com um caráter social para um momento ainda de pandemia seria obrigação de uma empresa que serve ao Estado. Isso na visão de alguns, e aparentemente na visão do nosso atual governo.

E quem é o novo comandante?

Fato é que o novo presidente terá que adquirir com o tempo, o respeito do mercado e do comitê que irá comandar, visto que os membros já defenderam em diversos momentos o modelo de ajuste de preços dos combustíveis praticados pela empresa.

Este, inclusive, que corroborou sem nenhuma novidade, a nomeação, endossando a teórica competência do General, naquela que muitos dizem ser o maior desafio da sua carreira como gestor.

É preciso lembrar também que atualmente ele já detém (ou detinha) um cargo importante na administração pública, dentro de um setor que também é sensível a preços e a interferências governamentais: a Itaipu.

Dirigir uma das maiores hidrelétricas do mundo não é tarefa fácil, tendo ainda um complicador que é a divisão da produção de energia com o Paraguai, além das decisões diárias e ajustes de preços na compra das sobras energéticas, tendo sua nomeação desde janeiro de 2019 e até o atual momento uma elogiável gestão.

Portanto, teremos uma mesma Petrobrás? Por que então essa interferência do governo, trazendo volatilidade sem sentido, vez que o novo presidente manterá a política? Ou será que ele terá uma postura mais dura e não vai repassar de imediato esses reajustes?

As dúvidas ainda existem e vão perdurar. Não podemos e nem devemos ficar aqui com elações a respeito de eventuais mudanças que podem ou não ocorrer, até porque não haverá melhor juiz do que o tempo, e aqueles que tiveram paciência nas suas posições e até outros que aproveitaram e ajustaram os seus preços médios, o longo prazo os premiará e disso tenho certeza.

Conteúdos complementares

Para ter mais detalhes do colapso do mercado, você pode ouvir o nosso podcast especial sobre o assunto. Ouça abaixo:

Conclusão

Quando olhamos o resultado de uma semana, entendemos bem até onde vai a “loucura” desenfreada de um mercado sedento por ganhos, a Petrobrás foi de R$ 29,59 na quarta-feira (17/02), para R$ 21,67 na segunda feira (22/02) e a R$ 24,40 no meio da semana passada, portanto em 5 dias úteis de mercado, a ação variou 17,54% em queda total, tendo do dia 22/02 ao dia 24/02, alta de 12,60%.

O fato é que o curto prazo pode nos machucar. Mas isso não quer dizer necessariamente que devemos tomar alguma atitude. O não se mexer em determinados momentos faz todo o sentido, até porque a paciência é a melhor arma para suportar tudo aquilo que não depende de nós.

O mercado se ajusta em ciclos econômicos, essa afirmativa é verdadeira, e o curto prazo leva a efeitos de manada, leva a movimentos estressados e ocasiona perdas que podem se transformar irremediáveis.

Outro discurso que endosso aqui, é a questão de opções para novas alocações, pois em um mundo com os juros mais baixos de sua recente história, de que vale alocar em ativos mais conservadores a parte de seu portfólio mais arrojado?

Portanto a manutenção nesse tipo de classe será mantida, e a transação entre “nomes” será mais usual nesse “novo mundo”, onde os juros médios são mais baixos, onde países AAA emitem dívida média com juros negativos e onde o fluxo para as bolsas só crescem.

Olhando tudo isso, temo dizer a você que está lendo esse texto, que com o aumento de fluxo, os ativos que já são voláteis, se tornaram ainda mais e essa tendência de oscilação será uma constante ainda maior daqui para frente, portanto se acostume esse é o recado para 2021.

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