MB Sócios

Evergrande – Crise econômica na China pode virar global?

24/09/2021

Compartilhe

Por Rodrigo Franchini, Sócio e Head de Relações Institucionais da Monte Bravo

Caro leitor,

Escrevo este artigo para contextualizar o porquê de um mercado tão volátil e receoso – se assim podemos dizer – nos últimos dias, sobre a crise na Evergrande. Então, vamos lá!

Seria por conta de ventos contrários ao livre mercado vindo da China? Talvez o medo de um efeito cascata ocasionado pela segunda maior incorporadora chinesa? Ou ainda por mais um pronunciamento do FED? Covid? Ou apenas o Brasil, que já bem conhecemos?

Eu poderia dizer que devemos ir por partes, porém, nessa história, tudo é parte de algo, o que ajuda a confundir muito mais esse cenário caótico.

Vamos iniciar com a segunda maior economia do mundo: a China

O país já demonstrou em outros momentos a sua aptidão para interferir nos mercados globais. Já aconteceu no setor de tecnologia, educação, entregas e, hoje mesmo há uma polêmica com relação às Criptomoedas. Segundo órgãos reguladores da China, e o Banco Central Chinês, a transação com a moeda virtual é ilegal e não será aceita no país. A China chegou mesmo a proibir a mineração de Criptomoedas em território nacional. Isso por si só, já seria o suficiente para uma oscilação perante os mercados. O medo de novas intervenções faz com que investidores repensem como investir em um mercado tão proeminente como esse, porém com tantos riscos regulatórios.

Ao passo, que ficou escancarada uma crise interna vinda um império empresarial com ramificações em toda a Ásia. Mas chamar a Evergrande de império não seria um exagero? Não, e eu explico o porquê.

A Evergrande é a segunda maior incorporadora chinesa, emprega mais de 200 mil pessoas, e gera mais de 3 milhões de empregos indiretos. A empresa se orgulha de ter atualmente, mais de 1,3 mil projetos imobiliários, em 280 cidades no país. E a atuação do conglomerado chinês vai além do ramo imobiliário: a empresa passou a explorar parques temáticos, bens de consumo, veículos elétricos e possui até um time de futebol, entre outros negócios.

Acredito que agora ficou mais clara a magnitude do problema, certo? No total, a Evergrande tem passivos financeiros na ordem de US$ 305 bilhões. E, nos últimos dias, tornou-se evidente a sua incapacidade de honrar com esses compromissos.

Em frente a esse cenário da Evergrande, o mercado deu o seu aviso

Derrubou as ações da empresa em mais de 80%, trazendo a realidade de que um efeito cascata estaria por vir. Mas será que os grandes bancos regionais, somados aos bancos europeus também estariam expostos de maneira exagerada? Talvez a possibilidade de um calote inevitável pode ocasionar uma quebra global. Vale lembrarmos a quebra do Banco de investimentos Lehman Brothers, a grande crise de 2008.

No entanto, a situação agora é diferente. Em 2008, a crise se instaurou pois os bancos americanos sempre foram divisões financeiras globais, possuindo contraparte em todos os bancos mais relevantes do mundo. Já a Evergrande tem atividades restritas à China, e, portanto, a “contaminação” seria menor.

Dito isso e feito essa ressalva, precisamos entender quais são as possibilidades para uma eventual saída honrosa dessa crise. Uma possibilidade clara e objetiva teria um socorro estatal por parte do Partido Comunista Chinês. Injeta-se dinheiro, inclusive como eles já fizeram nos últimos dias, visando diminuir o risco da contraparte, os movimentos de liquidez e honrar os pagamentos de curto prazo, na tentativa de evitar um default e um efeito inadimplente imediato.

Porém, e se esse socorro, acabasse passado uma mensagem errada localmente?

O quer quero dizer é o seguinte: o governo não quer passar um recado de que podem errar, assumir um risco maior do que podem cumprir, ou até se alavancar.  A ideia é que o socorro aconteça aos poucos, de maneira paliativa e que seja feito para honrar os compromissos pontuais e mais curtos. Essa semana, inclusive, vence um valor de mais de US$ 83 milhões. E ainda não se tem clareza se será pago. Pois a empresa tem um prazo de 30 dias de carência. Só que a simples falta de transparência sobre esse pagamento, já foi o suficiente para que a ação da Evergrande despencasse mais 10%.

Em resumo, os mercados não gostam de ventos contrários à retomada econômica. E isso ainda se soma às questões americanas e europeias em relação ao ritmo de crescimento, com indicadores mostrando uma desaceleração. Não podemos deixar de colocar na conta o movimento de retirada de liquidez por parte do FED – Banco Central dos EUA – no seu programa de estímulo, que ainda injeta US$ 120 bilhões ao mês. Está bem claro que no máximo, no início de 2022, esse movimento será diminuído e um movimento de juros ficaria mais concentrado para o último trimestres do ano, com ramificações mais severas em 2023.

Conclusão: enxerga-se no horizonte de médio prazo, um aumento de juros na maior economia do mundo, os EUA. Isso não assusta os mercados, até porque essa elevação já estava nos preços. O que ainda é uma incógnita é a velocidade e a magnitude desse movimento.

E no contexto local, em que devemos ficar de olho?

Imagine você investidor tendo que operar em uma semana em que todas essas questões vieram à tona. Agora, adicione o bom e velho componente Brasil, com as já conhecidas dificuldades orçamentárias, o risco fiscal elevado ainda pela questão dos precatórios, ânimos efervescentes dentro das instituições governamentais. E para completar, fluxo de saída de uma Bolsa que sofre com ruído político, mesmo sendo negociada abaixo do seu múltiplo médio histórico.

O que fica de aprendizado ao fim de uma semana turbulenta como essa é que um portfólio mais equilibrado e diversificado, com certeza ajuda a diminuir os efeitos da oscilação. Óbvio que ter liquidez em eventos como esses ajudam, e muito! Pois, pode-se precificar ativos com valores médios e aproveitar oportunidades, como os juros no Brasil. Seja pela elevação de Selic, ou pelas curvas de juros, com exigência de prêmio, pelo risco Brasil apresentado.

As alocações precisam ser pensadas e repensadas frente a eventos como esses. Movimentos ocasionados por stress não ajudam ninguém. O melhor, por hora, é olhar adiante, além desse ruído e dessa fumaça.

Por hora, me despeço de vocês, com esse cenário ainda incerto, e sem respostas para tantas dúvidas, pois ninguém as têm.


Além do Real: como investir fora do Brasil?

Para entender melhor como investir no exterior e se manter preparado para mudanças no mercado global, participe da nossa live. 

▪ Dia 28.09, às 19h.

▪ YouTube Monte Bravo.

▪ Inscreva-se aqui!


Invista com quem entende sua história e personaliza a gestão do seu patrimônio

Entre em contato com nossos especialistas e abra sua conta!


Compartilhe

Quer saber como investir melhor o seu patrimônio?

Invista para potencializar as suas conquistas.

Leia também

  • 24

    quarta

    nov

    24/11/2021

    MB Sócios

    PEC dos Precatórios e os impactos para investidores

    Por Rodrigo Franchini, Sócio e Head de Relações Institucionais da Monte Bravo O mercado tem acompanhado de perto a PEC dos Precatórios e os desdobramentos dela no Senado. Alguns parlamentares estão reticentes à aprovação do projeto por causa do aumento do risco fiscal brasileiro pela ampliação do teto de gastos para financiar o Auxílio Brasil, […]

    Compartilhe

    Continue lendo
  • 18

    quinta

    nov

    18/11/2021

    MB Sócios

    IFIX já caiu mais de 8% em 2021. E agora?

    Por Rebeca Nevares, Sócia da Monte Bravo. O ano não tem sido fácil para algumas classes de ativos e os fundos imobiliários estão entre elas. O Ifix amarga uma queda de mais de 8% em 2021 e as perspectivas não são tão boas no curto prazo. Com a economia deteriorada, muitos investidores (as) começam a questionar se estão fazendo […]

    Compartilhe

    Continue lendo
  • 17

    quarta

    nov

    17/11/2021

    MB Sócios

    Curadoria de conteúdo: como se informar sobre investimentos diante de tanta oferta?

    Por Pier Mattei, CEO e sócio-fundador da Monte Bravo para o Jornal do Comércio Há pouco mais de 20 anos, os brasileiros contavam com poucas opções para administrar o patrimônio. O cenário de inflação e juros altos formou um padrão de investimentos que se dividia entre caderneta de poupança, imóveis e até linhas telefônicas em […]

    Compartilhe

    Continue lendo
  • 11

    quinta

    nov

    11/11/2021

    MB Sócios

    COP26: Até agora, quais lições os investidores podem tirar?

    Por Rebeca Nevares, Sócia da Monte Bravo. Mesmo com o mercado brasileiro agitado por conta da PEC dos Precatórios e furo do Teto de Gastos, a COP26 não tem passado despercebida. Adiada em um ano por conta da pandemia, a conferência, que vai até amanhã, 12 de novembro, lança luz às discussões sobre o clima […]

    Compartilhe

    Continue lendo
  • 05

    sexta

    nov

    05/11/2021

    MB Sócios

    Entrevista com Pier Mattei: Inflação é o pesadelo do investidor e momento é da renda fixa.

    Entrevista feita por Karla Spotorno do veículo Broadcast Investimentos com Pier Mattei, CEO e sócio fundador da Monte Bravo. São Paulo, 22/10/2021 – Inflação neste ano e eleição presidencial em 2022. Essas são as maiores preocupações dos investidores, segundo Pier Mattei, cofundador da Monte Bravo. Ainda que o horizonte siga turvo para os portfólios de […]

    Compartilhe

    Continue lendo
  • 04

    quinta

    nov

    04/11/2021

    MB Sócios

    Temporada de Balanços: O que temos enxergado até aqui?

    Por Rebeca Nevares, Sócia da Monte Bravo. Ainda que a pandemia esteja perto do fim em muitos países, os efeitos de 2020 ainda permanecem na economia mundial. Não só o Brasil, mas muitos países têm enfrentado uma crise energética e de demanda industrial. E esses dois drivers explicam, em partes, o que tem pressionado a inflação e, por consequência, […]

    Compartilhe

    Continue lendo
  • 03

    quarta

    nov

    03/11/2021

    Economia

    Veja as evoluções das aplicações financeiras de outubro/2021

    O mês de outubro foi marcado por oscilações e grandes baixas, resultando em mudanças significativas no cenário econômico nacional. Veja abaixo as evoluções das aplicações financeiras deste último mês. Compartilhe

    Compartilhe

    Continue lendo
  • 29

    sexta

    out

    29/10/2021

    MB Sócios

    Alta da inflação: risco ou oportunidade?

    Por Bruno Madruga, Sócio e Head de Renda Variável da Monte Bravo Investimentos A inflação vem preocupando o mercado e, claro, os investidores brasileiros. Com a disparada dos preços de insumos, alimentos, gás, gasolina e dólar, a visão de que a alta da inflação seria transitória já caiu por terra. Essa preocupação vem provada em […]

    Compartilhe

    Continue lendo
  • 22

    sexta

    out

    22/10/2021

    MB Sócios

    Debandada no Ministério de Guedes e furo do Teto de Gastos: como ficam os investimentos?

    Por Rodrigo Franchini, Sócio e Head de Relações Institucionais da Monte Bravo Na última quinta-feira, 21 de outubro de 2021, quatro secretários do Ministro da Economia, Paulo Guedes, pediram exoneração de seus cargos. Isso aconteceu após o presidente Jair Bolsonaro furar o Teto de Gastos da economia. O Teto de Gastos aprovado pelo governo Temer em […]

    Compartilhe

    Continue lendo

R. Min. Jesuíno Cardoso, 454 - 9° andar Vila Nova Conceição, São Paulo-SP, 04544-051, Fone (11) 3018-0960

Ao navegar neste site, você aceita os cookies que utilizamos para melhorar sua experiência.

1