Monte Bravo Experience Campinas 2026: eleições 2026, geopolítica e oportunidades de investimento

19/05/2026 • 5 mins de leitura

A estratégia de investimento que funciona não é aquela que tenta prever o futuro. É aquela que se prepara para múltiplos cenários possíveis, mantendo flexibilidade para se adaptar conforme novas informações surgem.

Esse foi um dos principais pontos discutidos na segunda edição de 2026 do Monte Bravo Experience, realizada em Campinas nesta terça-feira (19/05), com participações de Luciano Dias (cientista político), Marcela Rocha (CIO da Avenue) e Guilherme Loureiro (CIO da Monte Bravo).

O Monte Bravo Experience é um evento exclusivo para clientes e convidados selecionados. Promovido desde 2017, ele reúne especialistas e gestores do mercado financeiro para discutir as principais tendências no cenário econômico global e nos investimentos.

Veja a seguir os principais insights do encontro:

Painel 1: dois futuros radicalmente diferentes no cenário político brasileiro

Luciano Dias estruturou sua análise em torno de um fato fundamental: a próxima eleição presidencial não é apenas sobre quem governa nos próximos quatro anos, mas sobre qual será a configuração política do Brasil pelos próximos 20 anos. E essa configuração tem implicações diretas para investidores.

Cenário 1: vitória da centro-direita

Com uma maioria robusta no Congresso e um presidente alinhado, a aprovação de reformas estruturais se tornaria viável. A força política permitiria implementar mudanças que afetam diretamente juros, câmbio e investimento estrangeiro, fatores que impactam diretamente as carteiras de investidores.

Essa capacidade de governar permitiria sinalizar para o mercado que reformas estruturais virão, reduzindo a percepção de risco sobre a solvência do país e a evolução da dívida pública. O mercado financeiro precifica essas sinalizações antes mesmo da implementação.

Cenário 2: vitória da esquerda

Uma vitória da esquerda apresenta um problema estrutural diferente: a impossibilidade de reeleição de Lula criaria uma disputa por sua sucessão durante todo o mandato. Isso não é apenas uma questão de política econômica, mas de estabilidade governamental. Como Luciano aponta:

“Se for um governo de esquerda, vai ser uma versão piorada da situação em que nós já estamos, com um agravante: o Lula não pode mais ser reeleito. Ou seja, a coalizão do governo vai rachar em cinco, seis meses pela disputa para ser o sucessor do Lula.”

Luciano Dias, cientista político

A falta de maioria parlamentar forçaria o governo a usar gastos públicos como moeda de troca política, ampliando o endividamento e os problemas fiscais. Enquanto isso, a disputa pela sucessão minaria a discussão sobre reformas estruturais.

O analista destacou que, em caso de derrota, a esquerda teria “dificuldade para voltar ao poder nos próximos 20 anos”.

Painel 2: Como equilibrar Brasil e Exterior

Enquanto a política brasileira se desenrola, o mercado global enfrenta seus próprios desafios. Marcela Rocha e Guilherme Loureiro apresentaram uma análise de como esses cenários globais se conectam com oportunidades de investimento.

Geopolítica: incentivos para resolução rápida da guerra no Oriente Médio

Apesar da incerteza sobre preços de petróleo, ambos os CIOs identificaram incentivos para resolução rápida do conflito no Oriente Médio:

  • Para os EUA: Petróleo acima de US$100/barril é politicamente negativo, afeta inflação e confiança do consumidor.
  • Para o Irã: Há incentivos para abertura parcial do Estreito de Ormuz.
  • Para a China: Já acumulou estoques, reduzindo urgência imediata.

O resultado? A alocação de risco mantém-se favorável para ações americanas, especialmente tecnologia, que cresceu mais de 25% no primeiro trimestre.

Regiões melhor posicionadas: EUA e América Latina

Em um cenário de choque de energia, nem todas as regiões sofrem igualmente:

RegiãoPosiçãoImpacto
Estados UnidosExportador líquido de petróleoMenos afetado, economia dinâmica
América Latina/BrasilExportadores líquidos de petróleoGanhos de termos de troca
EuropaMuito expostaSem estoques significativos, BC pode subir juros
ÁsiaAltamente vulnerávelApesar de estoques (finitos)

A conclusão é clara: diversificação geográfica é essencial, mas EUA e América Latina oferecem melhor proteção em cenários adversos.

Tecnologia: defensiva, não cíclica

Contrariamente ao pensamento convencional, tecnologia mostrou-se resiliente durante períodos de volatilidade:

  • Lucro de empresas de tecnologia crescendo mais de 25% ano contra ano
  • Receita forte com projetos de investimento contratados
  • Menos sensível a crescimento econômico de curto prazo
  • Beneficiária de tendências seculares (IA, eletrificação)

Em cenários de aversão a risco, tecnologia e setores com tendências seculares (health care, eletrificação) oferecem melhor proteção que setores cíclicos tradicionais.

Dólar continuará sendo moeda forte

Um dos mitos mais persistentes no mercado é o “fim da hegemonia do dólar”. A análise de transações globais mostra uma realidade diferente:

  • 88% das transações cambiais
  • 67% das transações comerciais
  • 60% das transações financeiras

Não há evidência de perda estrutural de força do dólar. O movimento de diversificação é tático e cíclico, não estrutural.

O dólar pode sofrer desvalorização gradual em períodos específicos, mas continuará como moeda de referência global.

“Ficar longe do dólar hoje é muito complicado quando a gente pensa nessa integração global, seja do que a gente está falando de comércio, de viagens, de investimentos, tudo ainda depende do dólar.”

Marcela Rocha, Avenue

Brasil: oportunidade subestimada

Se há um consenso entre os painelistas, é que o Brasil está no radar de investidores estrangeiros, mas ainda com preços de risco significativamente altos. O país oferece múltiplos atrativos simultaneamente:

  • Valuation: Brasil está barato em comparação internacional.
  • Isolamento geopolítico: não é afetado por conflitos globais que impactam outras regiões.
  • Commodities: exportador de recursos naturais beneficiado por preços altos em cenários de choque de energia.
  • Energia limpa e terras raras: recursos estratégicos para a transição energética global.
  • Ciclo de juros: Banco Central ainda no início de ciclo de corte de juros, criando oportunidades de realocação.
  • Política regional: possível guinada à direita na região (Chile, Peru), criando ambiente mais favorável a investimentos.

O desafio (e o risco) é a política fiscal

O risco político e fiscal do Brasil ainda é precificado como prêmio significativo pelos investidores estrangeiros. Em outras palavras: o Brasil está barato porque há dúvida sobre a capacidade de resolver seus problemas estruturais.

Como Guilherme Loureiro destacou durante o painel, a janela de oportunidade está aberta, mas com prazo limitado. Se o Brasil conseguir endereçar questões políticas e fiscais, pode ser grande beneficiário de realocação de investimentos globais. Se não conseguir, os prêmios de risco permanecerão altos.

O cenário global é complexo, incerto e, às vezes assustador. Mas para investidores sofisticados, incerteza cria oportunidade.

O que diferencia aqueles que prosperam daqueles que apenas sobrevivem é a capacidade de navegar essa complexidade com análise sistemática, não com reações emocionais. E a Monte Bravo pode ajudar você nessa tarefa.

Sobre os especialistas

Luciano Dias: Cientista político da CAC Consultoria, com quase 30 anos de experiência em análise política e previsão eleitoral. Trabalhou em Brasília e é especialista em entender os nuances do cenário político brasileiro.

Marcela Rocha: CIO da Avenue, trabalhou por cinco anos na Fator Administração de Recursos e foi economista-chefe para a América Latina da Principal Asset Management. Na Principal, trabalhou com análises e projeções de variáveis macroeconômicas nacionais e internacionais durante 13 anos.

Guilherme Loureiro: CIO da Monte Bravo, tem mais de 20 anos de experiência em macroeconomia, estratégia de investimentos e análise de mercado. Fundador da Trafalgar Investimentos, também atuou como economista-chefe do UBS no Brasil, além de passagens por Barclays e Credit Suisse. É economista pelo Insper, com extensão na University of Chicago.

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