Eleições, ajuste fiscal e geopolítica: o que investidores devem observar nos próximos meses
A combinação entre incertezas eleitorais, desafios fiscais e tensões geopolíticas deve continuar no radar dos investidores nos próximos meses. Durante o Monte Bravo Experience São Paulo, que ocorreu nesta sexta-feira (12), especialistas em política, economia e investimentos discutiram os principais fatores capazes de influenciar os ativos brasileiros e internacionais.
A avaliação comum entre os participantes é que o cenário exige menos apostas em previsões e mais foco na construção de portfólios preparados para diferentes contextos econômicos e políticos.
Eleições de 2026 aumentam a incerteza
Na avaliação do cientista político Luciano Dias, as pesquisas eleitorais enfrentam dificuldades crescentes para antecipar resultados, fenômeno observado em diferentes eleições. Segundo ele, o momento exige cautela na interpretação dos levantamentos divulgados ao mercado.
O especialista diz que com os números de junho e julho, a previsão é inviável. “Não é possível prever com as informações que a gente sabe do ciclo eleitoral”, afirmou Dias.
O especialista destacou ainda que a disputa presidencial tende a permanecer competitiva, impulsionada por mudanças no perfil do eleitorado brasileiro.
“A eleição brasileira é competitiva não porque existe uma polarização astral, mas porque o número de eleitores evangélicos está se aproximando do número de eleitores nordestinos”, disse.
Ajuste fiscal segue como principal desafio do Brasil
No segundo painel, composto por Guilherme Loureiro, CIO da Monte Bravo, Daniel Haddad, CCO da Avenue, e Bruno Mauad, sócio e gestor de Renda Variável Brasil na Kapitalo, os especialistas apontaram que, apesar da atenção voltada para a corrida eleitoral, a questão fiscal continua sendo o principal vetor para os ativos brasileiros.
Para Guilherme Loureiro, CIO da Monte Bravo, a sustentabilidade das contas públicas permanece no centro da discussão econômica. “Hoje o Brasil é o país que, olhando o mundo inteiro, mais precisa fazer ajuste fiscal”, afirmou.
Segundo ele, a discussão fiscal impacta diretamente juros, inflação, crescimento econômico e fluxo de investimentos. “O modelo de crescimento que a gente viu foi: gasta, aumenta o imposto e aumenta a dívida. Acho que está chegando perto do fim”, disse Loureiro.
Mesmo diante dos desafios domésticos, o Brasil aparece como um mercado observado por investidores internacionais. A posição estratégica na produção de commodities, a matriz energética limpa e o relativo distanciamento dos principais conflitos globais foram apontados como diferenciais importantes.
Para Loureiro, o país reúne características que podem favorecer a entrada de capital estrangeiro nos próximos anos.
Geopolítica e juros seguem no foco
Outro tema debatido durante o segundo painel foi o impacto dos conflitos internacionais sobre inflação, petróleo e política monetária. Bruno Mauad, sócio e gestor de Renda Variável Brasil na Kapitalo, destacou que os desdobramentos geopolíticos continuam sendo uma das principais fontes de incerteza para os mercados globais.
“Se a inflação sobe, naturalmente você tem que subir a taxa de juros para controlá-la. Se a taxa de juros sobe, influencia todo o preço de ativos ao redor do planeta”, afirmou Mauad.
Nesse ambiente, a velocidade dos cortes de juros ao redor do mundo continua sendo uma variável importante para os investidores.
Diversificação ganha importância
Diante de um cenário marcado por incertezas políticas, fiscais e geopolíticas, os especialistas defenderam uma abordagem baseada em gestão de risco e diversificação.
“O trabalho de gestão não é tanto um trabalho de projeção, de acertar o cenário. É muito mais um trabalho de mapear os riscos e entender como a carteira funciona”, explica Haddad.
Para investidores de alta renda, a combinação entre ativos locais e internacionais, renda fixa, ações e estratégias patrimoniais pode ajudar a atravessar diferentes cenários sem depender de uma única aposta macroeconômica.
O que o investidor deve observar
A aproximação das eleições de 2026, os debates sobre ajuste fiscal e a evolução do cenário geopolítico devem continuar influenciando os mercados ao longo dos próximos meses.
O momento reforça a importância de uma estratégia patrimonial preparada para diferentes cenários. Para entender como esses fatores podem impactar sua carteira, converse com seu assessor da Monte Bravo e avalie como posicionar seus investimentos diante dos desafios e oportunidades que se desenham para os próximos anos.