13/08/2020 às 16:32

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Quinta

Ago

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Depois de entrarmos em mais um recorde da diminuição da taxa básica de juros, que agora está a 2% ao ano, mais do que nunca o investidor ou entusiastas do mercado financeiro precisam entender o que isso significa. Afinal, você entende como a Taxa Selic influencia nos investimentos de Renda Fixa, Renda Variável e entre outras? Vamos descobrir neste artigo.

Meu nome é Marina Seixas, sou uma criadora de conteúdo sobre finanças, e preparei este texto para você que gostaria de entender um pouco mais sobre como a Taxa Selic implica nas principais modalidades de investimentos no Brasil.

Esse texto está dividido nas seguintes pautas: 

  • Definição da taxa básica de juros
  • Taxa Selic
  • Renda fixa pré e pós-fixada
  • Renda Variável

Temos acompanhado um ciclo de quedas na taxa Selic. Mas, o que é a Taxa Selic, Marina?

Vamos por partes. A taxa básica de juros é uma ferramenta econômica que todos países utilizam para definir as suas respectivas políticas monetárias. Ela é uma referência para as demais taxas de juros usadas em operações financeiras, como as cobranças em empréstimos e financiamentos, por exemplo. 

Ela também é uma forma que o Governo possui para controlar a política monetária como um todo. Como ele faz isso? Alterando o seu valor, seja diminuindo ou aumentando os juros. Dessa forma, um país pode incentivar o consumo ou desaquecer o mercado, respectivamente.

No Brasil, a taxa básica de juros é a Selic, que é uma sigla que significa “Sistema Especial de Liquidação e Custódia”. Esse sistema é um tipo de controle realizado pelo Banco Central do Brasil para monitorar as operações financeiras realizadas com Títulos Públicos (aqueles que são emitidos pelo Governo Federal para captação de recursos). 

A Selic possui grande importância, pois não só influencia a taxa de juros empregada em operações financeiras, mas também altera diretamente indexadores, como o CDI e o IPCA. Ou seja, o comportamento da taxa Selic vai afetar também o resultado de investimentos.

Não foi novidade mais uma manutenção do ciclo de quedas na taxa básica de juros, chegando mais uma vez ao menor patamar histórico, agora em 2% ao ano.

Por que isso aconteceu mais uma vez?

A atividade econômica está abaixo do esperado e a inflação está controlada. Isso dá espaço ao Banco Central para mais um corte com o objetivo de tentar aquecer a economia. Concorda que esse reajuste torna o crédito mais barato, facilita a tomada de empréstimos e estimula o consumo, ajudando a economia a girar?

“Mas e em relação aos meus investimentos? Devo abandonar a renda fixa em busca de maiores rentabilidades?”

A renda fixa, mesmo com os juros baixos, ou seja, te entregando uma rentabilidade pequena, tem o seu valor em sua carteira por alguns pontos.

  • 1. De acordo com a sua necessidade, você pode estar vivendo um momento de vida que não te permite correr muitos riscos. Assim, você vai  precisar seguir com a maior parte dos seus investimentos alocados em ativos considerados mais seguros e também mais líquidos.
  • 2. Você pode vir a sofrer uma adversidade, então é necessário pensar na sua reserva de emergência e, principalmente, que ela esteja alocada em ativos de renda fixa, que são os que te proporcionam maior liquidez quando comparados aos ativos de renda variável, por exemplo.
  • 3. Pelo fato de a renda fixa te proporcionar mais liquidez, ela se torna interessante até por uma questão de oportunidade para pessoas que possuem espaço para adquirir ativos em meio à crise, que é um momento que pode proporcionar oportunidades.

Portanto, na minha visão, esses são três pontos que devem ser levados em consideração na hora que você pensar sobre migrar diretamente para ativos de risco (ativos de renda variável; ações da bolsa, por exemplo), porque é importante e até mesmo estratégico você preservar a sua liquidez para emergências e, também, para não perder oportunidades na bolsa, ou em outros ativos, que podem ser únicas.

Falando sobre as suas formas de rentabilidade… Na prática, o que muda?

Já que a taxa Selic influencia todas as outras taxas de juros do país, obviamente que os investimentos atrelados a ela renderão menos. 

Por exemplo, o Governo Federal, que é emissor de títulos públicos, vai remunerar menos, Bancos emissores de CDBs também vão te pagar menos pelo “dinheiro emprestado”.

Então, pensando nas formas de rentabilidade, vamos começar pela renda fixa pré-fixada, ou seja, quando no momento da aplicação você sabe quando e quanto vai resgatar na data de vencimento. 

Quando a taxa de juros está baixa, é normal você ter menos disposição a comprar esses ativos prefixados, ou seja, fixar com antecedência essa taxa de retorno pelos próximos anos. Por que? Porque se existir uma reviravolta no cenário e a Selic subir, esses títulos podem perder valor.

Já sobre a renda fixa pós-fixada, mais precisamente falando sobre o Tesouro IPCA (lembrando: IPCA é o Índice oficial da inflação medido pelo IBGE). Quando você compra esse título público, você também está emprestando o seu dinheiro ao Governo Federal e, em troca, ele paga a você uma taxa de juros que é híbrida. Ou seja, é uma combinação da inflação e de uma taxa prefixada.

E como a Selic poderia influenciar a inflação? Já que a queda dos juros pode incentivar a economia como um todo, concorda que o preço dos produtos pode subir? Isso não acontece de uma hora pra outra. O Banco Central acompanha todos os efeitos das suas medidas, mas normalmente isso pode acontecer, já que a tendência é de a demanda pelo consumo aumentar. E como isso impactaria seus investimentos atrelados ao IPCA?

Vamos resumir os pontos desse título público que são os seguintes:

  • 1. Você, investidor, não sabe o valor exato que receberá na hora da aplicação, mas tem uma previsão de qual será o montante, pois você sabe a taxa pré-fixada e pode acompanhar as expectativas para a taxa de inflação, por exemplo no Boletim Focus (divulgado todas as segundas-feiras no site do Banco Central).
  • 2. Ele é indicado para investimentos de longo prazo e uma característica é a proteção do seu poder de compra, justamente pelo fato de a sua remuneração estar atrelada à inflação – o que não te permite perder o poder de compra ao longo dos anos.

    Na prática, o que isso significa? O investidor se protege da inflação no longo prazo pelo seguinte: como ele recebe uma rentabilidade prefixada mais a variação do IPCA, podemos dizer que sempre haverá retorno em termos reais, concorda? Será a inflação e um retorno prefixado, o que caracteriza um retorno sempre acima da inflação. Entenda o que é e como funciona a Inflação.

Migrando para a Renda Variável, pois ela também é afetada quando a taxa Selic sofre alguma alteração.

Quando a taxa Selic cai, o crédito não só fica mais barato, o que aumenta a possibilidade de expansão de muitas empresas, mas também o custo das dívidas das mesmas diminuem. 

Dessa forma, a tendência é que o lucro das empresas aumente, além de os fluxos de caixa futuros projetados também. O importante a saber seria: quanto menor a taxa de juros, menor desconto as empresas sofrerão, possibilitando um maior valor para a mesma. Empresas de diversos setores, como o de varejo, podem também se beneficiar com a queda da taxa de juros pela tendência de alta da demanda pelo consumo.

Bom, o que podemos concluir é que nós investidores temos que assumir um risco compatível com as nossas vida e, claro, muitas vezes não sabemos organizar a nossa carteira de investimentos, muito menos escolher ativos adequados ao nosso perfil. 

Mas não precisa se desesperar, você pode contar com a ajuda do seu assessor para isso! Se ainda não tiver um, conte com a equipe de assessores especializados da Monte Bravo Investimentos. Saiba mais!

*Este artigo foi escrito por Marina Seixas, produtora de conteúdos da Monte Bravo.

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