Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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A sinalização de uma resolução diplomática para o impasse entre os Estados Unidos e a Europa — somada ao descarte do uso de força militar na Groenlândia — confere um tom de alívio aos mercados globais nesta manhã.
O presidente Donald Trump manifestou confiança no encerramento das tensões tarifárias ao afirmar que o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, aceitou os termos propostos em nome do bloco europeu.
Wall Street cunhou o acrônimo “TACO” (Trump Always Chickens Out, ou “Trunp sempre fraqueja”) para se referir ao padrão do presidente Trump de anunciar medidas extremas para, em seguida, recuar fazendo acordos.
O foco agora se desloca para o PCE de novembro, que saí às 12h desta quinta-feira (22), indicador de inflação predileto do Fed. As previsões são de alta de 0,2% na comparação mensal e 2,8% na base anual para o núcleo do índice.
As taxas dos Treasuries operam estáveis com os juros dos títulos de 2 anos em 3,59%, enquanto as taxas dos títulos de 10 anos mostram queda marginal no nível de 4,24%.
O movimento ocorre em um contexto de pressão global sobre as taxas longas, proveniente do Japão — onde o risco de expansão fiscal e os desafios da normalização monetária levaram as taxas longas pra níveis recordes.
O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas, recua 0,01% e situa-se em 98,755 pontos. No segmento de ativos alternativos, o ouro apresenta desvalorização de 0,14% e negocia a US$ 4.825,18 por onça-troy, enquanto o Bitcoin perde 0,23% e é cotado a US$ 89.974,26.
O petróleo do tipo WTI apresenta queda de 0,94% e opera a US$ 60,05 por barril. O minério de ferro recua 0,38%, negociado a US$ 105,39 por tonelada.
Na Ásia, os índices encerraram o dia com viés positivo. O índice japonês Nikkei subiu 1,73%, enquanto na China o índice Shanghai CSI 300 avançou 0,01%.
Na Europa e nos futuros de Wall Street, a tendência de alta prevalece. O Euro Stoxx avança 1,49%, ao passo que o S&P 500 Futuro sobe 0,59%.
No cenário doméstico, o Ibovespa encerrou a última sessão com valorização de 3,33%, atingindo o recorde histórico de 171.816,67 pontos. O pregão foi marcado por forte apetite ao risco, impulsionado pelo fluxo estrangeiro e complementado por uma pesquisa eleitoral mostrando um pleito equilibrado.
O dólar recuou 1,10% e fechou cotado a R$ 5,3166. Na curva de juros, os contratos futuros de DI devolveram prêmios de ponta a ponta: o DI Jan/27 recuou 5 pontos base e o DI Jan/31 registrou queda de 10 p.b.
EUA: O presidente Donald Trump afirmou ontem (21) que a base para um eventual acordo envolvendo a Groenlândia já está estabelecida, reduzindo a necessidade de recorrer à imposição de tarifas contra países que se opõem à pretensão americana de ampliar sua influência sobre a Groenlândia, território pertencente à Dinamarca. A declaração adotou um tom mais conciliador, sinalizando uma inflexão diplomática após semanas de retórica mais agressiva.
Trump acrescentou que seguem em andamento discussões adicionais sobre o chamado “Golden Dome” — sistema de defesa antimísseis defendido por seu governo —, com foco específico na Groenlândia. O comentário sugere que a ilha permanece no centro de negociações estratégicas mais amplas, combinando interesses de segurança e política externa dos Estados Unidos.
EUA: Nesta quarta-feira, juízes conservadores e liberais da Suprema Corte dos Estados Unidos demonstraram ceticismo em relação à tentativa do presidente Donald Trump de demitir a diretora do Federal Reserve Lisa Cook. Durante cerca de duas horas de argumentos, os ministros indicaram pouca disposição para atender ao pedido do governo de suspender a decisão de um juiz federal, que bloqueou a demissão imediata enquanto a disputa judicial segue em andamento.
Os ministros também expressaram preocupação com as possíveis consequências econômicas e institucionais de uma iniciativa sem precedentes, incluindo riscos à independência do banco central em relação ao poder político.
EUA: Os gastos nominais com construção avançaram 0,5% em outubro na comparação mensal, acima das expectativas do mercado, após queda de 0,6% em setembro. Os dados anteriores foram revisados para cima, com o crescimento de julho e agosto ajustado para 0,4% em ambos os meses.
O aumento de outubro foi puxado principalmente pelo setor privado, cujos gastos subiram 0,6%, refletindo a forte alta da construção residencial, que compensou a leve retração no segmento não residencial. Em setembro, no entanto, os gastos privados haviam recuado 0,9%, com quedas tanto na construção residencial quanto na não residencial.
Com esses resultados, o tracking do PIB indica alta de 2,1% na margem no 4° trimestre em termos anualizados.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |