S&P 500 alcança sua maior sequência negativa de 2025, com fraqueza no setor tech

19/11/2025 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os índices de Nova Iorque ampliaram perdas ontem (18). O S&P 500 acumula sua sequência negativa mais longa desde agosto, enquanto o Nasdaq recuou em cinco dos últimos seis pregões. Nomes ligados à onda de IA, como Nvidia, Palantir, Microsoft e AMD, fecharam em queda.

A fraqueza em tecnologia antecede o balanço do terceiro trimestre da Nvidia, que deve ser divulgado após o fechamento do mercado nesta quarta-feira (19). O consenso projeta resultados acima da orientação da empresa, sustentados pela demanda por chips e infraestrutura de IA. Mesmo assim, investidores têm realizado lucros diante do receio de que a valorização das gigantes de tecnologia tenha superado níveis compatíveis com fundamentos.

A ata do Fed, que também sai hoje à tarde, deve esclarecer divergências internas sobre a resposta apropriada à inflação e às mudanças no mercado de trabalho. Operadores reduziram a probabilidade de um corte de juros no próximo mês para pouco acima de 46% — ante 63% na semana passada.

As taxas dos Treasuries sobem de forma moderada: o título de 10 anos está em 4,12% e o de 2 anos se mantém em 3,58% após alta de 30 pontos base.

No mercado de moedas, o índice DXY avança 0,18%, a 99,73 pontos. O ouro à vista está em leve alta de 1,17%, a US$ 4.113,80 por onça troy. No universo cripto, o Bitcoin recua 1,03%, a US$ 91.498,20.

As commodities energéticas seguem em leve correção: o WTI perde 0,61%, a US$ 60,37 por barril; o minério de ferro está estável em US$ 104,50 por tonelada.

As bolsas asiáticas fecharam em baixa. O Shanghai CSI 300 caiu 0,44%, enquanto o Nikkei perdeu 0,34%, em movimento associado à realização em tech.

Na Europa, os mercados abriram em tom cauteloso: o Euro Stoxx recua 0,09%. Os futuros nos EUA avançam moderadamente.

No Brasil, o Ibovespa caiu 0,30% ontem, a 156.522,13 pontos. O dólar fechou em leve baixa de 0,07%, a R$ 5,3238. Na curva local, os contratos de prazos curtos subiram, enquanto os longos recuaram, reduzindo a inclinação.

Economia

EUA: O presidente do Federal Reserve de Richmond, Thomas Barkin, afirmou que a falta de dados oficiais provocada pelo fechamento do governo tem dificultado a leitura da economia. Ainda assim, ele diz que informações privadas e relatos de empresas têm ajudado a manter uma visão razoável da atividade, revelando tendências que os indicadores tradicionais nem sempre capturam.

Segundo Barkin, a demanda continua firme, sustentada por consumidores resilientes, investimentos impulsionados por inteligência artificial e mercados financeiros favoráveis. Mas o desempenho é desigual: setores ligados a tecnologia, energia e consumidores de alta renda seguem aquecidos, enquanto agricultores, imobiliárias e indústrias afetadas por tarifas enfrentam mais pressão. No mercado de trabalho, o desemprego segue baixo, mas a criação de vagas perdeu força e empresas relatam um ambiente de contratações mais folgado — exceto em funções técnicas.

A inflação permanece acima da meta, embora alguma moderação em moradia e a maior resistência dos consumidores a aumentos de preços tenham ajudado a conter pressões. Ganhos de produtividade também estão compensando parte dos custos mais altos. Com sinais mistos na atividade e na inflação, Barkin evitou qualquer indicação sobre os próximos passos do FED, dizendo que diante da baixa visibilidade a estratégia mais prudente é agir com cautela.

EUA: Os pedidos de bens duráveis avançaram 2,9% em agosto, confirmando a leitura preliminar e com alta disseminada entre as principais categorias, especialmente em transportes. O núcleo de bens de capital subiu 0,4%, um ritmo mais moderado que em julho. Os embarques, que são uma proxy dos investimentos, recuaram 0,1% no mês. Na comparação anual, os pedidos totais aceleraram para 7,5%, enquanto o núcleo manteve crescimento de 3,7%, igual ao mês anterior. O tracking do PIB indica alta de 4,1% na margem no 3° trimestre da economia americana.

Zona do euro: A inflação ao consumidor da zona do euro desacelerou levemente em outubro, com o CPI anual caindo para 2,1%, após marcar 2,2% em setembro. O resultado ficou exatamente em linha com as estimativas. Na comparação mensal, o índice avançou 0,2%, também conforme previsto pelos analistas.

O núcleo da inflação — que exclui energia e alimentos — manteve o ritmo do mês anterior, registrando alta anual de 2,4% em outubro, em linha com as projeções do mercado. No mês, o núcleo subiu 0,3%, reforçando a leitura de que a desinflação avança de forma gradual, mas ainda com alguma persistência nos componentes mais sensíveis.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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