Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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A aversão ao risco domina a abertura dos mercados globais nesta quinta-feira (19). Os ataques do Irã à infraestrutura de produção no Oriente Médio empurraram o barril de petróleo tipo Brent para a faixa de US$ 110.
O movimento impulsiona uma liquidação de ações e a busca por ativos de proteção. O índice do dólar (DXY) atinge sua máxima de nove meses, enquanto as taxas dos Treasuriesde 10 anos avançaram ontem (18).
Uma escalada do conflito ocorreu na quarta-feira, quando Israel lançou ataques contra um campo de gás no Irã. Em resposta,Teerã a disparou mísseis contra um terminal de gás natural liquefeito no Catar.
Os preços do petróleo saltaram durante a madrugada. Os contratos futuros do Brent avançam 1,82%, cotados a US$ 98,07 por barril.
As publicações de Trump sobre os episódios sinalizam consciência dos custos econômicos e políticos — dinâmica que pode reforçar uma retirada antecipada dos EUA.
Ontem, o Fed manteve os juros estáveis, enquanto o Banco Central do Brasil iniciou um ciclo de relaxamento monetário cuja continuidade depende da evolução do cenário externo.
A taxa do título de dois anos negocia a 3,81%. A mesma dinâmica é observada no papel de 10 anos, cotado a 4,28%.
O índice DXY registra alta de 0,05% aos 100,13 pontos. O ouro recua 2,42%, precificado a US$ 4.701,69 por onça, enquanto o Bitcoin cai 0,98% e negocia a US$ 70.528,35.
Na Ásia, o índice chinês Shanghai CSI 300 fechou em baixa de 1,61%. O índice Nikkei, do Japão, encerrou a sessão com queda de 3,38%.
Na Europa, o índice Euro Stoxx opera em recuo de 2,18%. Nos EUA, o S&P 500 Futuro negocia em baixa de 0,22%.
No Brasil, o Ibovespa encerrou com perda de 0,43%. O dólar avançou 1,43% contra o real, fechando a R$ 5,2678.
EUA: O Fed manteve a taxa de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano,em linha com as expectativas. O BC americano destacou que a atividade econômica segue em expansão sólida, embora o mercado de trabalho mostre sinais de moderação, com criação de vagas fraca e taxa de desemprego estável. O comitê também enfatizou que a incerteza permanece elevada, especialmente diante dos desdobramentos no Oriente Médio e seus potenciais impactos sobre a economia americana.
Em entrevista, o presidente Jerome Powell descreveu uma economia resiliente, mas com inflação ainda acima da meta. Ele observou que parte relevante do núcleo do PCE — entre 0,50 e 0,75 ponto percentual — reflete o impacto temporário de tarifas, que tende a se dissipar.
Apesar da manutenção da mediana das projeções de cortes, Powell reconheceu um deslocamento das expectativas em direção a menos flexibilização, mesmo que a visão predominante continue sendo de progresso gradual no processo desinflacionário.
Leia mais: Fed mantém juros conforme esperado, mas destaca incerteza elevada
Brasil: O Copom reduziu a taxa Selic para 14,75% a.a., dando início ao ciclo de afrouxamento mesmo diante das incertezas associadas ao conflito no Oriente Médio. O comunicado destacou que a manutenção dos juros em nível contracionista já produziu evidências de transmissão da política monetária, contribuindo para a desaceleração da atividade econômica, ao mesmo tempo em que ressaltou a elevada incerteza do cenário.
Segundo o Copom, os próximos passos dependerão da evolução do quadro geopolítico e de seus efeitos sobre o cenário de inflação, especialmente via petróleo. O Copom caracterizou a decisão como o “início ao ciclo de calibração da política monetária”, indicando que as próximas decisões estão em aberto.
Nesse contexto, a decisão entre um corte de 0,25 p.p. ou uma eventual aceleração para 0,50 p.p. estará condicionada à trajetória dos preços do petróleo e aos seus impactos sobre a dinâmica inflacionária até a próxima reunião.
Em um cenário de arrefecimento dos riscos ao longo de abril, com condições financeiras globais mais acomodatícias, o BC teria espaço para avançar no ciclo de cortes, levando a Selic a cerca de 12,50% a.a. até novembro.
Leia mais: Copom inicia ciclo de afrouxamento e corta Selic para 14,75%


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |