Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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A geopolítica volta a ditar a dinâmica dos negócios globais. As atenções estão voltadas para a reunião entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia, além das tensões no Oriente Médio.
Os jornais especulam sobre uma possível intervenção dos EUA no Irã, o que eleva a aversão ao risco e impulsiona o petróleo. Trump suspendeu diálogos e prometeu apoio a dissidentes, enquanto o WSJ cita sanções e ações cibernéticas como opções, a despeito de alertas do Golfo contra um conflito militar.
Hoje (14) haverá uma reunião na Casa Branca entre o secretário de Estado Marco Rubio e representantes de Nuuk e Copenhague para tratar das reiteradas manobras de Trump para assumir o controle estratégico da ilha no Ártico.
Paralelamente, a ofensiva de Trump contra o presidente do Fed, Jerome Powell, intensificou-se ontem (13). O mercado observa com crescente apreensão o risco à autonomia da autoridade monetária após a notícia de que o Departamento de Justiça conduz uma investigação criminal contra Powell.
No mercado de renda fixa, as taxas dos Treasuries negociam próximos da estabilidade, com as taxas de 10 e 2 anos em 4,16% e 3,52%, respectivamente.
No câmbio, o índice DXY registra variação marginal negativa de 0,05%, aos 99,09 pontos. O ouro avança 1,02%, cotado a US$ 4.633,53 por onça-troy, enquanto o Bitcoin sobe 1,15%, negociada a US$ 95.158,03.
Entre as commodities, o petróleo WTI exibe leve valorização de 0,26%, a US$ 61,31 por barril. Em contrapartida, o minério de ferro recuou 0,64%, marcando o preço de US$ 108,19 por tonelada.
Na Ásia, os índices japoneses renovaram máximas históricas durante a madrugada, impulsionados pela expectativa de que a primeira-ministra Sanae Takaichi convoque eleições antecipadas, possivelmente em fevereiro. As demais praças asiáticas tiveram desempenho misto: em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,33%, ao passo que o Shanghai CSI 300, na China, cedeu 0,40%.
Na Europa, as bolsas operam com viés positivo, refletido na alta de 0,24% do Euro Stoxx. Já os futuros em Nova York sinalizam cautela e oscilam no terreno negativo, com o S&P 500 Futuro em baixa de 0,19%.
No Brasil, o Ibovespa encerrou o pregão de ontem em queda de 0,72%, aos 161.973 pontos. O câmbio terminou o dia praticamente estável, com leve variação negativa de 0,02%, cotado a R$ 5,3737.
A curva de juros doméstica apresentou descompressão nos vértices curtos ante uma leve oscilação positiva nos prazos longos, resultando em um ganho de inclinação na estrutura a termo.
EUA: O núcleo do CPI avançou 0,24% em dezembro na comparação mensal, abaixo do consenso, enquanto a taxa em 12 meses subiu marginalmente para 2,64%. O resultado refletiu fortes recomposições de preços em passagens aéreas, hotéis e vestuário, após distorções causadas pelo shutdown do governo que afetaram a coleta de dados em outubro e novembro. Os aluguéis também aceleraram para ritmos próximos às médias do terceiro trimestre, corrigindo a subestimação anterior da inflação de habitação. Em contrapartida, preços de veículos usados recuaram, comunicações e bens domésticos registraram quedas.
Ao observar as variações em três meses, que suavizam as distorções associadas ao shutdown, núcleo do CPI apresenta alta anual de 1,6%, ou cerca de 2,0% quando se ajusta o viés negativo ainda presente nos componentes de habitação. Embora parte desse viés só deva ser totalmente revertida nos próximos relatórios, a maior parte das distorções relacionadas à coleta de dados já parece ter sido corrigida, oferecendo um retrato mais fiel da dinâmica inflacionária.
Alguns componentes de bens relevantes para o núcleo do PCE — e com peso significativamente maior do que no núcleo do CPI — tiveram forte alta em dezembro, com destaque para software e aluguel de vídeos sobre demanda. Com base nos detalhes do CPI, estima-se que onúcleo do PCE tenha subido 0,4% em dezembro, elevando a taxa anual para cerca de 2,9%.
EUA: As vendas de casas novas avançaram, em média, 1,8% entre setembro e outubro, alcançando uma taxa anualizada com ajuste sazonal de 737 mil unidades, acima das expectativas, enquanto o dado de agosto foi revisado para baixo em 89 mil unidades, para 711 mil. Com o bom desempenho das vendas, a estimativa de crescimento do PIB no quarto trimestre foi revisada para cima em 0,1 p.p., para 2,2% em termos anualizados.
Brasil: O volume de serviços recuou 0,1% na margem em novembro, interrompendo uma sequência de nove altas consecutivas e sete recordes históricos na série com ajuste sazonal. Apesar do resultado ligeiramente abaixo do esperado, o setor ainda apresentou crescimento de 2,5% em relação a novembro do ano anterior e acumulou alta de 3,8% entre janeiro e outubro.
O desempenho entre os segmentos foi heterogêneo. Os serviços ligados às empresas lideraram os avanços, com destaque para os técnico-profissionais, impulsionados por atividades jurídicas. Em contrapartida, Transportes registraram a principal queda, pressionados pelos modais aquaviário e aéreo.
Considerando o resultado mais fraco do setor de serviços e da indústria, o tracking do PIB indica contração de 0,1% na margem no 4° trimestre, confirmando a expectativa de desaceleração da economia na virada do ano. Em 2025, a economia deve ter crescido 2,2%.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |