Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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O Federal Reserve reduziu a taxa de juros em 25 pontos base, em uma votação dividida, trazendo a taxa básica para o intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano. A mensagem, no entanto, foi de que — com os juros próximos da zona neutra — a maioria dos diretores tende a aguardar alguns meses antes de definir os próximos passos.
Os mercados futuros seguem embutindo cortes, atribuindo mais de 77% de probabilidade a duas novas reduções no próximo ano.
Os Treasuries mostram oscilações marginais nesta manhã, com a taxa de 10 anos em 4,14% e a de 2 anos em 3,53% — praticamente estáveis em relação ao fechamento anterior.
No câmbio, o dólar recua nesta quinta-feira (11) e atinge a mínima desde 21 de outubro, com o índice DXY em 98,543 pontos. O Bitcoin cai 2,30%, cotado a US$ 90.272,51, enquanto o ouro recua 0,20%, a US$ 4.221,49 por onça.
Entre as commodities, o petróleo WTI opera em baixa de 0,75%, cotado a US$ 76,74 por barril. O minério de ferro avança 0,56%, para US$ 106,54 por tonelada.
As bolsas asiáticas devolveram os ganhos iniciais e fecharam majoritariamente no negativo hoje, com queda de 0,72% no Shanghai CSI 300 e 1,03% no Nikkei 225. A Europa opera em baixa moderada, com o Euro Stoxx caindo 1,32%.
Em Nova York, os futuros recuam de forma moderada, pressionados pela queda de 11% das ações da Oracle no after-hours. A gigante de computação em nuvem divulgou receita aquém do esperado e aumentou a projeção de gastos, reacendendo o debate sobre o retorno dos investimentos em IA. Nas negociações estendidas, Nvidia recua 1% e CoreWeave cai mais de 3%.
No Brasil, ontem (10) o Ibovespa avançou 0,66%, encerrando aos 131.233,47 pontos, enquanto o dólar encerrou o dia em alta de 0,62%, para R$ 5,469. A curva de juros apresentou abertura e aumento da inclinação, com as taxas longas subindo mais que as curtas. Após o fechamento, o Copom manteve a taxa Selic em 15% a.a. e manteve um discurso duro.
EUA: O Fed reduziu a taxa básica dos EUA em 25 p.b., para a faixa de 3,50% a 3,75% a.a., em linha com as expectativas. Powell justificou o corte pelo enfraquecimento do emprego e por uma inflação mais baixa, especialmente nos serviços, enquanto pressões vindas de tarifas devem ser temporárias.
Com o corte acumulado de 0,75 p.b. em 2025, a taxa alcançou o intervalo estimado para a taxa de juros neutra e comunicação sugere uma postura de espera antes de novos ajustes. O “dot plot” manteve um corte previsto para 2026 e outro para 2027.
O Fednão demonstra urgência em afrouxar a política monetária. Nós seguimos projetando um corte adicional de 25 p.b. em março de 2026, levando a taxa para 3,5% ao ano. Para conferir nossa análise completa, clique aqui.
Brasil: O IPCA subiu 0,18% em novembro, em linha com o consenso e ligeiramente abaixo da nossa projeção. A inflação manteve um comportamento benigno, com melhora das medidas subjacentes e impacto dos descontos da Black Friday, além da continuidade da deflação de alimentos e combustíveis.
Os núcleos também mostraram desaceleração, com alta de 0,23% em novembro, abaixo de outubro, e recuo do acumulado em 12 meses. O núcleo de bens teve deflação, com destaque para eletroeletrônicos, móveis e itens pessoais, enquanto o núcleo de serviços teve comportamento segue benigno.
Para dezembro, o IPCA deve subir 0,45% devido à reversão dos descontos e pressões sazonais. A projeção do IPCA para 2025 foi reduzida de 4,5% para 4,4%, com a inflação terminando o ano abaixo do teto da meta, o que reflete a apreciação da taxa de câmbio e o êxito do Banco Central de reconstruir a credibilidade da política monetária.
Brasil: O Copom manteve a Selic em 15% a.a. e reforçou uma comunicação dura, destacando expectativas de inflação desancoradas, projeções elevadas, atividade resiliente e pressões no mercado de trabalho.
Apesar dessa postura firme, há inconsistências entre o tom do comunicado e as próprias projeções do Banco Central, que apontam inflação de 3,2% no segundo trimestre de 2027 mesmo com cerca de 2,75 p.p. de cortes. Simulações indicam que, ao fim de janeiro de 2026, o modelo do BC deverá projetar inflação dentro da meta no horizonte relevante.
Diante disso, conciliando a comunicação rígida com uma gestão prudente de riscos, ajustamos o cenário para um corte menor em janeiro — de 25 p.b.ao invésdos 50 p.b. inicialmente previstos — , seguido de aceleração para cortes de 50 p.b. nas reuniões subsequentes. Para conferir nossa análise completa, clique aqui.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |