Análise
08/05/2024 • 3 mins de leitura
Monte Bravo Analisa | Copom reduz taxa Selic para 10,50% a.a.
Após a reunião desta quarta-feira (08), O Comitê de Política…
📄 Para conferir a análise em formato PDF, clique aqui.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano, com votação unânime. No Comunicado, o Copom justificou a decisão da seguinte forma:
O ambiente externo mantém-se incerto em função da conjuntura e da política econômica nos EUA com reflexos nas condições financeiras globais. Este ambiente exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.
A atividade e o mercado de trabalho seguem apresentando trajetória de moderação no crescimento, como observado na última divulgação do PIB. Apesar disso, o mercado de trabalho mostre resiliência.
Inflação e medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.
As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta e situam-se em 4,4% e 4,2%, respectivamente.
A projeção de inflação para o segundo trimestre de 2027 — atual horizonte relevante de política monetária — foi reduzida de 3,3% para 3,2% no cenário de referência.
Os fatores de risco seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se: (i) desancoragem das expectativas de inflação; (ii) maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se: (i) eventual desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica; (ii) desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
Sobre as tarifas, o Comitê segue acompanhando com atenção os anúncios referentes à imposição pelos EUA de tarifas comerciais. O Copom reforça a postura de cautela.
O cenário segue marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, atividade econômica resiliente e mercado de trabalho aquecido.
Esse ambiente exige uma política monetária em patamar contracionista por período bastante prolongado. A decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação ao redor da meta ao longo do horizonte relevante.
O BC julga que o cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.


O Copom manteve a Selic em 15% a.a. “O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade […] e pressões no mercado de trabalho”, apontou o comunicado. “Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, reforçou o Comitê, mantendo a visão apresentada nas reuniões recentes.
“Os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, (o Copom) não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, concluiu. Assim, o Copom — ao contrário do que esperávamos — não flexibilizou a linguagem e continuou uma postura bastante dura que reduz o espaço para cortes em janeiro.
A menção a um aperto nos parece contraditória face a uma projeção que caiu e agora aponta uma inflação de 3,2% no segundo trimestre de 2027, mesmo assumido cerca de 2,75 pontos percentuais em cortes. A crer no modelo, se a Selic ficar constante, a projeção já ficaria muito abaixo da meta.
Quando nos colocamos no final de janeiro de 2026, nossas simulações apontam que o modelo do BC — que parametriza a função de reação da política monetária — projetará uma inflação na meta dentro do horizonte relevante.
Nestas condições, o usual é iniciar o ciclo de cortes para evitar uma inflação abaixo da meta devido ao tempo excessivo com uma política monetária contracionista — arriscando um aumento desnecessário do desemprego.
Assim, compatibilizando a postura dura do BC com a boa prática de gestão de riscos, ajustamos o cenário para um corte de 0,25 p.p. em janeiro, e não mais 0,50 p.p., com aceleração para cortes de 0,50 p.p. nas reuniões subsequentes.
A reunião do Fed confirmou nosso cenário para 2026, com condições financeiros acomodatícias e favoráveis aos ativos de risco.
Assim a despeito da situação fiscal extremamente frágil do Brasil e da volatilidade com o cenário político, a onda global deve prosseguir empurrando os ativos brasileiros.
Ainda que seja em março, os cortes da Selic serão um fator adicional para um cenário construtivo que tende a se manter até o início da campanha eleitoral. A partir daí, a percepção sobre o risco fiscal em 2027-30 ganhará centralidade na trajetória dos preços ativos brasileiros.
Com um CDI projetado de 13,40% para os próximos 12 meses, a taxa real de juros esperada é de 8,50%, dado um IPCA de 4,50%. Com isso, a renda fixa brasileira permanece bastante atraente.
Os títulos prefixados se destacam com a expectativa de cortes de juros a partir de janeiro de 2026, enquanto os papéis indexados à inflação, como as NTN-Bs, oferecem cupons superiores a 7% — com potencial adicional de valorização caso se concretize um ajuste fiscal em 2027.
Com um quadro global favorável e a expectativa de queda da Selic a partir de janeiro, continuamos a ver o Ibovespa buscando 180 mil pontos no primeiro semestre de 2026 e atingir 225 mil pontos no final de 2026 caso um ajuste fiscal crível prevaleça após as eleições. A proteção com opções sobre ações segue como excelente alternativa, pois proteger uma queda de 3% do Ibovespa até o final de 2026 tem um custo de cerca de 5%.
No câmbio, o final do ano deve registrar um dólar mais próximo de R$ 5,60 por conta do risco fiscal e das incertezas eleitorais.
Nos EUA, o mercado acionário mantém viés positivo. O cenário tem Fed cortando juros com a economia resiliente, resultados corporativos robustos e o hype em torno de IA. Com isso, a tendência é que as ações sigam em alta.