Fed corta juros, conforme esperado, mas entra em compasso de espera

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Por: Monte Bravo
10/12/2025 • 4 mins de leitura

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Nesta quarta-feira (10), o FOMC optou por reduzir a taxa dos Fed Funds juros base dos EUA para a faixa-alvo de 3,50% a 3,75% a.a.

No comunicado, não houve alteração relevante na avaliação do cenário. Na estratégia de gestão do balanço, o comitê julga que as reservas recuaram para níveis adequados e o Fed iniciará a compra de treasuries de curto prazo conforme necessário para manter o equilíbrio da composição das reservas. Quanto à análise do cenário, o Fed manteve a avaliação de que a economia segue crescendo em ritmo moderado e que os riscos de desaceleração do emprego aumentaram nos últimos meses.

Atividade: Indicadores recentes disponíveis sugerem que a economia segue crescendo em ritmo moderado.

Mercado de Trabalho: A criação de vagas desacelerou e a taxa de desemprego segue subindo até setembro.  

Inflação: Subiu desde o início do ano e permanece um pouco elevada.

Balanço de Riscos: Os riscos de baixa para o emprego subiram recentemente.

Orientação para o futuro:O balanço de riscos, os dados a serem divulgados e a evolução do cenário serão os fatores que orientarão a extensão e o momento de cortes adicionais das taxas de juros pelo Federal Reserve.

Entrevista

O presidente do Fed, Jerome Powell, indicou que o patamar de juros alcançado após a decisão de hoje colocou a taxa dentro do intervalo entre 3% e 4% estimado para o nível neutro pelo Comitê. Portanto, esse é um nível considerado adequado para observar os impactos do corte de 75 pontos base desde a reunião de setembro sobre a economia. Isso sugere que não há sinalização de novos cortes já na próxima reunião.

Sobre os dois votos dissidentes, Powell afirmou que todos no Fed concordam que a inflação ainda está elevada e que o mercado de trabalho se enfraqueceu, mas há divergências quanto à forma de ponderar esses riscos — o que explica a divisão na decisão. Ele destacou que o Fed está bem posicionado para aguardar mais dados antes de decidir sobre cortes, especialmente porque algumas estatísticas recentes podem estar distorcidas. Também ressaltou que essas divergências não prejudicam a comunicação do FOMC e refletem a complexidade do momento econômico.

A respeito do impacto das tarifas, o presidente explicou que seus efeitos levam alguns meses para aparecer, pois dependem do tempo de transmissão para os preços dos bens. Uma vez aplicada, a tarifa tende a gerar um aumento pontual, e não contínuo, de preços. Segundo Powell, a inflação excluindo tarifas está próxima de 2,0%, sendo as tarifas a principal razão da alta recente. Assim, quando esse efeito se dissipar, a inflação convergirá para a meta de 2,0%.

Avaliamos que a entrevista confirmou que os próximos cortes de juros serão mais dependentes da evolução do cenário, especialmente dos dados de emprego e inflação. A opção por esperar e observar a trajetória da economia até a reunião de janeiro indica que há espaço para cortes adicionais, mas o Comitê não demonstra urgência em reduzir os juros. Mantemos a expectativa de um corte adicional de 25 p.b. na reunião de março de 2026, levando a taxa para 3,5% a.a.

O que isso implica para os mercados de ativos

O Fed reduziu a taxa de juros em 25 p.b., para a faixa de 3,50% a 3,75%, a.a. O Comitê considera que a incerteza segue elevada, com riscos para ambos os lados, mas os riscos sobre o emprego aumentaram.

Na entrevista após a reunião, o presidente do Fed Jerome Powell justificou o corte pelo arrefecimento do mercado de trabalho e pela inflação um pouco mais baixa. A inflação de serviços desacelerou, enquanto a alta de bens vem sobretudo de tarifas, que seguem no radar, mas com uma crescente confiança de que o impacto será transitório.

As novas projeções do Fed reforçam um cenário de crescimento mais forte em 2026, inflação ligeiramente mais baixa e juros próximos do nível neutro. Tudo isso em um ambiente de consumo resiliente, investimento ligado à IA e política fiscal sustentando a atividade, enquanto o mercado de trabalho esfria gradualmente.

Com a decisão, o Fed acumulou 75 p.b. em cortes em 2025, que trouxeram a taxa base para a zona neutra. A introdução da expressão “considerando a extensão e o momento de ajustes adicionais” indica que o Fed está agora em compasso de espera. Nessas condições, é provável que a maioria do Comitê opte por esperar alguns meses para ter maior clareza sobre o espaço para um corte adicional.  O “dot plot” manteve um corte em 2026 e outro em 2027.

O mercado reagiu de maneira moderada. Após a entrevista de Powell, a taxa de 2 anos caiu 5 p.b. para 3,54% e a de 10 anos recuou 3 p.b. para 4,15%. O S&P 500 acelerou levemente a alta, enquanto o DXY cedeu 0,45%.

A reunião do Fed confirma nosso cenário global para 2026, com condições financeiros acomodatícias e favoráveis aos ativos de risco. Assim, a despeito da situação fiscal extremamente frágil do Brasil e da volatilidade com o cenário político, a onda global deve seguir empurrando os ativos brasileiros.

Até agosto, portanto, as posições em renda fixa doméstica — tanto prefixados quanto indexadas ao IPCA — continuam com potencial de ganho. As posições pós-fixadas oferecem um retorno robusto, sendo uma alternativa  conservadora.

Com um quadro global favorável e a expectativa de queda da Selic a partir de janeiro, continuamos a ver o Ibovespa buscando 180 mil pontos no primeiro semestre de 2026 e atingir 225 mil pontos no final de 2026 caso um ajuste fiscal crível prevaleça após as eleições. A proteção com opções sobre ações segue como excelente alternativa, pois proteger uma queda de 3% do Ibovespa até o final de 2026 tem um custo de cerca de 5%.

Os Fundos Imobiliários, especialmente de tijolos, tendem a se beneficiar dos cortes da Selic em 2026. Títulos de Crédito seguem com carregamento atraente pelos juros elevados, mas é essencial uma curadoria criteriosa.

O final do ano deve registrar um dólar mais próximo de R$ 5,60 por conta do risco fiscal e das incertezas eleitorais. Nos EUA, com o Fed cortando juros diante de uma economia que não está em recessão, resultados corporativos robustos e o hype em torno de IA, a tendência é que as ações sigam em alta.

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