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21/02/2024 • 4 mins de leitura
Cenário econômico e política fiscal no Suno Notícias
Cenário econômico: com a aprovação pelo Congresso, a execução do…

SELIC: BC reduz taxa básica para 13,75% ao ano, mas evita antecipar próximo movimento. Enquanto parte dos economistas vê espaço para outra redução, outros avaliam que petróleo, inflação de serviços, cenário eleitoral e expectativas desancoradas podem levar o BC a interromper temporariamente o ciclo
O corte da Selic anunciado pelo Banco Central na quarta-feira (16) veio dentro do esperado. A principal dúvida para o mercado, porém, permanece aberta: o ciclo de redução dos juros continuará na próxima reunião ou o Copom fará uma pausa?
O Comitê de Política Monetária reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, em decisão unânime. Foi o quinto corte consecutivo desde março, acumulando redução de 1,25 ponto percentual no período.
Mais importante que o tamanho do movimento foi a comunicação. O Banco Central reconheceu a desaceleração recente da inflação e a moderação gradual da atividade, mas manteve uma avaliação de riscos assimétrica para cima e evitou oferecer uma indicação explícita sobre a decisão de novembro.
O diagnóstico do Banco Central combina uma atividade econômica que perde força gradualmente com uma inflação que mostrou melhora nas divulgações mais recentes.
Segundo o Copom, a moderação ocorre principalmente nos setores mais cíclicos da economia, embora a atividade ainda esteja em nível considerado resiliente e o mercado de trabalho permaneça aquecido. O Comitê também registrou desaceleração tanto da inflação cheia quanto das medidas subjacentes, mas destacou que os preços continuam acima do centro da meta.
As expectativas coletadas pelo Focus permanecem acima da meta de 3%. Para 2026, estão em 4,9%, enquanto a projeção para 2027 é de 4,3%. Já o próprio Copom estima inflação de 3,2% no primeiro trimestre de 2028, período atualmente considerado o horizonte relevante da política monetária.
No cenário de referência apresentado pelo BC, a projeção de IPCA é de 5,2% em 2026, 3,9% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028.
Esse conjunto de informações permitiu ao Comitê reduzir novamente a Selic, mas sem abandonar a postura restritiva. “Sem dúvidas, a inflação de serviços, a inflação de demanda tem uma melhora mais lenta do que o ideal. E o ritmo dela, o ritmo corrente dela está incompatível com o centro da meta”, analisa Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Fórum Investimentos.
O economista destaca que parte da melhora observada recentemente veio pelo lado da oferta, especialmente dos alimentos. Isso ajuda a explicar por que, apesar da redução da Selic, o Banco Central continua preocupado com a inflação mais ligada à demanda e aos serviços.
O próprio Copom manteve uma assimetria altista no balanço de riscos. Entre os fatores capazes de pressionar a inflação para cima estão uma desancoragem mais prolongada das expectativas, efeitos do petróleo e de eventos climáticos, maior persistência da inflação de serviços, câmbio depreciado e estímulos capazes de sustentar a demanda acima do potencial da economia.
Outra questão central para os próximos passos será a velocidade da perda de força da economia.
Para Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, o comunicado apresentou poucas alterações em relação ao encontro anterior.
Segundo Chicoli, o Copom preservou a leitura de que o ambiente internacional exige cautela, ao mesmo tempo em que atividade e inflação mostram sinais graduais de moderação. A preocupação com as expectativas de inflação, entretanto, permanece: “O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária”.
O comunicado afirma que a magnitude total do atual ciclo será definida com base nas novas informações disponíveis. Ao mesmo tempo, o Copom voltou a dizer que o cenário exige “serenidade e cautela na condução da política monetária”.
Essa ausência de guidance mais explícito é justamente um dos pontos centrais da reunião. “Eu acho muito provável que a gente veja uma pausa no próximo Copom considerando exclusivamente o comunicado”, avalia Perri.
A possibilidade de uma pausa também aparece no cenário-base do Itaú BBA.
A equipe de macroeconomia da instituição avalia que o comunicado teve poucas mudanças e permanece compatível com uma interrupção do ciclo na próxima reunião. A instituição, contudo, ressalta que essa projeção depende da evolução dos dados até o encontro seguinte. O Itaú projeta Selic de 13,75% no encerramento de 2026 e 12,50% ao fim de 2027.
A Monte Bravo vê espaço para um movimento diferente.
Para Chicoli, a combinação entre desaceleração da atividade econômica e inflação mais favorável pode permitir mais uma redução de 0,25 ponto percentual.
“Acreditamos que a continuidade da desaceleração da atividade econômica e uma inflação mais favorável permitem um corte de 25 bps na próxima reunião.”
Ele ressalta, porém, que o calendário adiciona uma variável de incerteza à decisão, já que o próximo encontro será realizado após o período eleitoral.
O Copom voltará a se reunir nos dias 3 e 4 de novembro.
A resposta passa principalmente pela inflação futura, e não apenas pelos indicadores já divulgados.
O Copom destacou possíveis impactos de segunda ordem de choques relacionados ao petróleo, efeitos climáticos sobre a produção agrícola e energia, persistência da inflação de serviços e eventual depreciação mais duradoura do câmbio. A política fiscal doméstica também continua sendo acompanhada pelo Comitê por seus efeitos sobre expectativas e preços de ativos.
O ambiente externo adicionou um elemento novo à equação. Horas antes da decisão brasileira, o Federal Reserve elevou os juros americanos em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 3,75% a 4% ao ano. A combinação entre juros menores no Brasil e maiores nos Estados Unidos reduz o diferencial de taxas entre os dois países e pode ganhar importância para o câmbio e para os fluxos internacionais de capital.
É nesse contexto que Perri vê a neutralidade da comunicação como parte importante da estratégia do BC. “Hoje o compromisso do banco central é com a neutralidade e aí talvez daqui até lá a gente possa ver novas indicações caso os dados sancionem um novo corte mais para frente”.
Matéria produzida pela BM&C News