Monte Bravo leva a Elliot e estreia em ‘trading’

10/09/2026 • 3 mins de leitura
Monte Bravo leva a Elliot e estreia em ‘trading’

A Monte Bravo Corretora fechou acordo para incorporar a Elliot, plataforma de negociação dedicada à renda variável e operações de “day trade” (de compra e venda no mesmo dia) em míni contratos de índice, dólar e bitcoin na B3. A companhia era o braço de “trading” da Warren Rena (antiga Renascença DTVM), vendida em julho junto com a Warren Investimentos para a argentina Cocos Capital.

A Elliot ficou fora da transação e seus executivos recompraram a empresa. Agora, por meio de uma troca de ações, os principais sócios da Elliot passam a integrar a sociedade da corretora. Vão dividir os resultados da vertical de trading, que vira uma marca dentro da Monte Bravo.

Filipe Portella, co-CEO da Monte Bravo

Com R$ 45 bilhões sob seu guarda-chuva e atendimento voltado para a alocação tradicional de investimentos, a Monte Bravo tem poucos clientes com perfil de trader, segundo Filipe Portella, co-CEO do grupo. “Era um desejo antigo ter esse braço. A empresa se desenvolveu como uma casa de assessoria de investimentos, a Monte Bravo é isso, mas quando se constrói uma corretora é natural que atenda outros perfis de clientes”, diz, ao compartilhar o negócio em conversa com o Valor.

Com uma base de 18 mil clientes ativos, a Elliot tem negociado, em média, cerca de 10 milhões de minicontratos de Ibovespa por mês, ocupando, nesse segmento, a quinta posição em “market share” – atrás da Toro, do Santander, da Genial e das grandes XP Investimentos e BTG Pactual, que são hub de outras operações -, segundo Felipe Vella, um dos sócios da companhia.

A plataforma atua no competitivo modelo de corretagem zero, apurando receitas da internalização de ordens (RLP), em que atua como contraparte das operações no ambiente da bolsa, conta margem e serviços de pós-negociação. É um tipo de renda que hoje a Monte Bravo não captura.

Um dos objetivos da corretora com a união é levar o serviço de alocação para o resto da carteira do investidor, segundo Portella.

“Nós nunca fizemos ‘cross sell’ para outras classes de ativos, essa era uma expectativa dentro da Warren, mas não aconteceu”, reforça Vella. “Um dos principais motivos do negócio com a Monte Bravo é a oportunidade de ela cuidar do outro bolso do cliente, do patrimônio, uma capacidade que a gente nunca teve.”

Antes da associação com a Warren, os sócios da Elliot eram de um escritório de agentes autônomos ligado à Ativa Corretora, especializado em negociações de renda variável para o varejo. “No fim de 2023, chegamos à conclusão que aquele aquário era pequeno para nossas ambições, então fizemos um ‘M&A’ com a Warren, refundamos a empresa e ela dona metade do negócio”, afirma Vella.

A XP é sócia da Monte Bravo e acertou ficar com 45% do negócio quando os executivos do então escritório de agentes autônomos da rede levaram adiante o plano de montar uma corretora “light”. Nesse desenho, a custódia e a retaguarda operacional permanecem com a plataforma. A operação foi aprovada pelo Banco Central (BC) há dois anos.

Para se tornar um participante de negociação pleno (“full”), a Monte Bravo precisaria ainda obter a licença de custodiante da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da operacional da BSM, a autorregulação da bolsa, com todos os ajustes de tecnologia que o modelo exige. “Essa é uma conversa para daqui alguns meses”, brinca Portella.

Esse era um atalho que a Monte Bravo poderia, eventualmente, pegar caso as conversas para aquisição da Warren Investimentos tivessem evoluído para um acordo. Mas foi naquela aproximação que conheceram o time da Elliot, que agora embarca num novo projeto.

Reportagem publicada no Valor Econômico.