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21/02/2024 • 4 mins de leitura
Cenário econômico e política fiscal no Suno Notícias
Cenário econômico: com a aprovação pelo Congresso, a execução do…

IPCA: Juros futuros e Ibovespa observaram forte descompressão na sexta-feira, após dados de inflação de junho mais brandos
Após alguns indicadores já apontarem para algum desaquecimento do mercado de trabalho, o IPCA de junho selou um viés mais otimista de parte do mercado com o desempenho dos ativos financeiros no Brasil. Os números mais brandos da inflação derrubaram os juros futuros e abriram espaço para uma recuperação da bolsa brasileira na sexta-feira após diversas semanas em que investidores exigiram prêmios de risco cada vez maiores dos mercados locais.
Mais importante que o índice “cheio” do IPCA de junho foi a composição favorável, com a inflação de serviços subjacente e a média dos núcleos abaixo das expectativas do mercado. Não por acaso, as taxas futuras caíram cerca de 20 pontos-base em alguns trechos da curva, o que abriu espaço para uma valorização de quase 3% do Ibovespa.

Mais do que a sequência de dados macroeconômicos benignos, como os de inflação e mercado de trabalho, a queda de quase 20 pontos-base nos juros futuros reflete a comunicação do BC, avalia o diretor de investimentos (CIO) da Monte Bravo Investimentos, Guilherme Loureiro. “Obviamente, uma queda mais rápida da inflação abre espaço para juros menores, mas um dado isolado não muda a visão como um todo. O que faz diferença é a sequência de indicadores”, afirma o executivo. “Hoje [ontem], o mercado está operando a comunicação do BC.”
Loureiro ressalta, no entanto, que ainda há riscos capazes de alterar a trajetória dos juros mais à frente, como a evolução dos preços do petróleo, as incertezas em relação ao câmbio e o comportamento das expectativas de inflação. “Confirmando uma inflação em torno de 4%, esse é um cenário compatível com juros menores. Se ela ficar acima disso, o BC precisará adotar uma postura mais cautelosa”, afirma.
Na visão do executivo, uma parte relevante da avaliação sobre a desaceleração da inflação passa pelo cenário fiscal e pelas eleições. “Se não houver clareza sobre o cenário fiscal pós-eleição, fica difícil enxergar uma queda consistente dos juros”, enfatiza. Não por acaso, Loureiro considera prematuro precificar um ciclo mais intenso de cortes da Selic. Para ele, o mercado deve continuar calibrando as expectativas reunião a reunião, conforme a evolução da inflação corrente e das expectativas inflacionárias de médio prazo.
“Muito provavelmente o juro vai para 14%, mas justificar um número muito abaixo disso de antemão eu acho um pouco prematuro. É fazer reunião a reunião. Se a desinflação continuar e as expectativas melhorarem, abre espaço para mais reduções. Caso contrário, os 14% ficam mais compatíveis com o balanço de riscos”, completa.
Confira a reportagem na íntegra no Valor Econômico.