Mercado global de ETFs supera US$ 19 trilhões, mas Brasil ainda tem baixa adesão
28/04/2026 • 2mins de leitura
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O mercado global de ETFs superou US$ 19 trilhões em 2025, mas o Brasil ainda representa uma fatia pequena desse segmento, afirmou Fernanda Rocha, assessora de investimentos da Monte Bravo.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Fernanda disse que, embora o investimento em ETFs tenha crescido 68% no país no ano pasado, o produto ainda responde por apenas 1% dos fundos brasileiros, contra 33% nos Estados Unidos. Segundo ela, a diferença está ligada ao modelo de remuneração dos profissionais de investimento.
“O ETF é um produto de baixo custo que cresceu em mercados onde o profissional é remunerado pelo patrimônio do cliente e não pela venda do produto. Quando esse conflito de interesse desaparece, surgem ativos muito mais interessantes para o investidor, como o BOVA11, que permite comprar as 79 maiores empresas do Brasil com capital reduzido”, afirmou.
Segundo a assessora, a eficiência de custos e a transparência estão entre os principais diferenciais dos ETFs em relação aos fundos tradicionais. Ela afirmou que fundos comuns costumam cobrar taxas mais altas e divulgar suas carteiras com defasagem.
“Enquanto fundos tradicionais cobram taxas de 2% a 2,5% ao ano e taxa de performance, os ETFs giram em torno de 0,2% a 0,7%. Além disso, a transparência é diária; o gestor de um fundo comum pode demorar até três meses para publicar sua carteira, o que gera um atraso informativo para o cotista”, disse.
Fernanda também destacou a liquidez como vantagem dos ETFs em momentos de maior volatilidade. Segundo ela, a possibilidade de vender o ativo no mesmo dia dá mais previsibilidade ao investidor.
“Diferente de um fundo de ações, onde o resgate costuma ser em D+30 e você só sabe o valor de venda daqui a um mês, no ETF a saída é imediata. Se você vende um ativo hoje nas máximas históricas, sabe exatamente o valor que vai receber, garantindo que o lucro não se perca em oscilações durante o período de cotização”, afirmou.
Na tributação, a assessora disse que os ETFs também oferecem praticidade. Em renda variável, permitem compensar lucros e prejuízos com outros ativos, como BDRs. Em renda fixa, ela citou como vantagem a ausência de come-cotas e de IOF nos primeiros 30 dias.
“Os ETFs permitem compensar lucros e prejuízos com outros ativos, como BDRs. Já na renda fixa, a grande vantagem é a ausência do ‘come-cotas’ e do IOF nos primeiros 30 dias, o que preserva a rentabilidade do investidor que busca um balanço automático e prático para sua carteira”, disse.
Fernanda afirmou ainda que ETFs de renda fixa são sensíveis às variações da curva de juros global, especialmente em períodos de instabilidade externa. Segundo ela, juros altos por mais tempo pressionam esses ativos, mas um ciclo de queda de taxas pode beneficiar papéis atrelados à inflação e prefixados.
“A guerra trouxe juros altos persistentes por mais tempo, o que balançou esses ativos. No entanto, se a perspectiva de queda de taxas pelo mundo se concretizar, os ETFs atrelados à inflação e os prefixados de médio e longo prazo vão se beneficiar muito, gerando valorização expressiva para o investidor atento”, afirmou.
Leia aqui a reportagem publicada na Times Brasil. Veja abaixo o programa na íntegra.