IPCA-15: Inflação de serviços continua em nível elevado, diz economista

27/01/2026 • 2 mins de leitura

A prévia da inflação medida pelo IPCA-15, divulgada pelo IBGE, registrou alta de 0,20% no mês, resultado levemente abaixo das expectativas do mercado. Para Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, o número não altera, neste momento, o cenário de manutenção da taxa básica de juros nas primeiras reuniões do ano. Segundo ele, apesar da surpresa positiva no índice cheio, os núcleos de inflação e as medidas subjacentes seguem pressionados, com destaque para a inflação de serviços, que permanece em patamar elevado e indica resiliência dos preços.

De acordo com Costa, a composição do índice reforça a cautela do Banco Central. A inflação de alimentos voltou a acelerar na comparação mensal, movimento já esperado diante da sazonalidade e do período de chuvas, que afeta principalmente produtos in natura. Ainda assim, o economista avalia que essa pressão está dentro da normalidade, já que não há, até o momento, sinais de quebra relevante de safra e as projeções seguem indicando produção robusta ao longo do ano.

Por outro lado, alguns grupos contribuíram para aliviar o índice no curto prazo, como habitação, beneficiada pela bandeira tarifária verde, transportes, impactados pela queda sazonal das passagens aéreas, e pela expectativa de recuo nos preços dos combustíveis. Costa alerta, no entanto, que o alívio na energia elétrica tende a ser temporário, já que os níveis dos reservatórios ainda inspiram atenção e reajustes tarifários podem voltar a pressionar o IPCA ao longo do ano.

Mesmo assim, o economista destaca que a inflação ligeiramente melhor na margem reforça a leitura de mercado de que o primeiro corte de juros se aproxima, possivelmente a partir de março, o que pode favorecer os ativos de risco e setores mais sensíveis ao custo do crédito.