Ibovespa sobe mais de 1% com Vale, Petrobras e bancos; dólar recua

30/03/2026 • 3 mins de leitura

Após queda na sexta, mercado reage com alta disseminada, enquanto investidores monitoram guerra no Oriente Médio e avanço do petróleo

Depois da queda na sexta-feira, o Ibovespa iniciou a semana em recuperação, enquanto o dólar abriu em leve baixa, em mais um pregão sob forte influência das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Às 10h25 desta segunda-feira, 30, o principal índice da B3 avançava 1,07%, aos 183.505 pontos. O movimento de alta era disseminado. Dos 82 papéis que compõem o índice, 69 subiam, com destaque para Weg, Vamos, Assaí e Brava Energia. Outros 13 ativos operavam estáveis no mesmo horário.

A guerra no Irã completa um mês sem perspectivas de cessar-fogo e segue como principal fator de atenção dos investidores. O conflito se intensificou após Israel bombardear Teerã em resposta à identificação de mísseis lançados a partir do Iêmen no fim de semana, segundo a Reuters.

Em paralelo, os preços do petróleo permanecem elevados. Por volta das 10h, o Brent subia 1,56%, a US$ 114,33, enquanto o WTI avançava 1,19%, a US$ 100,94 — níveis próximos a US$ 115 por barril, refletindo o impacto direto da escalada militar sobre o mercado de energia.

A tensão ganhou novos contornos após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em entrevista ao Financial Times. Trump afirmou que pretende “ficar com o petróleo do Irã” e mencionou a possibilidade de tomar a ilha de Kharg, principal terminal de exportação do país. “Talvez tomemos a ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções”, disse.

Apesar do tom mais duro, Trump indicou que negociações indiretas com Teerã seguem em andamento, mediadas por representantes paquistaneses. O prazo para um acordo foi novamente adiado, agora até 6 de abril. Caso não haja avanço, os Estados Unidos podem retomar ofensivas contra o setor energético iraniano.

O presidente também citou movimentações no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, e afirmou que o Irã autorizou a passagem de 20 petroleiros como sinal de progresso nas negociações.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos ampliam sua presença militar na região, com o envio de cerca de 10 mil soldados, incluindo fuzileiros navais e tropas da 82ª Divisão Aerotransportada.

Para Bruno Benassi, analista de ativos da Monte Bravo, os mercados começam a refletir um cenário mais complexo, que vai além da inflação provocada pelo petróleo. “Os mercados estão abrindo de maneira ligeiramente positiva, tanto no Brasil quanto no exterior, mas ainda é cedo para dizer se esse movimento se sustenta ao longo do dia”, afirma.

Segundo o operador, o nível elevado do petróleo já começa a acender um alerta maior para atividade econômica global. “Com o Brent na casa dos US$ 115, o mercado passa a considerar um cenário mais recessivo à frente, especialmente nos Estados Unidos. Nesse patamar, é mais provável que a atividade desacelere do que a inflação suba de forma persistente”, diz.

Benassi destaca ainda que esse movimento já aparece nos ativos globais. “Hoje vemos o petróleo subindo ao mesmo tempo em que as curvas de Treasuries fecham, o que indica aumento da percepção de risco de recessão”, afirma. Para ele, o pregão deve seguir sensível a novas notícias sobre o conflito, incluindo o envio de tropas americanas e os desdobramentos das negociações com o Irã.

Bolsas globais: entre cautela e recuperação

As bolsas asiáticas encerraram o pregão desta segunda-feira em queda, pressionadas pela continuidade da guerra no Oriente Médio e pelo impacto dos preços elevados do petróleo.

Investidores também monitoram sinais contraditórios sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã, enquanto episódios recentes de ataques, incluindo lançamentos de mísseis e ações a partir do Iêmen, mantêm o ambiente de incerteza elevado.

No Japão, o índice Nikkei 225 recuou 2,79%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, caiu 2,97%. Em Hong Kong, o Hang Seng teve baixa de 0,81%. Na China continental, o Xangai Composto conseguiu reverter perdas ao longo do dia e fechou com leve alta de 0,24%.

Na Europa, o movimento é de recuperação após as perdas da última sessão. Por volta das 10h, o índice Stoxx 600 avançava 0,69%. Em Londres, o FTSE subia 0,61%, enquanto Frankfurt (DAX) ganhava 0,45% e Paris (CAC) avançava 0,51%.

Nos Estados Unidos, os índices futuros também apontavam para uma abertura positiva. O Dow Jones subia 0,75% no pré-mercado, enquanto o S&P 500 avançava 0,78% e o Nasdaq tinha alta de 0,77%, em um poss

Leia aqui a reportagem publicada na Exame.