Os diretores do BC (Banco Central) voltam a se reunir hoje para decidir a taxa básica de juros da economia brasileira. A avaliação quase unânime entre os integrantes do mercado financeiro é de que a taxa Selic será mantida em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva, apesar da desaceleração da inflação e da atividade econômica. A decisão será a última de 2025.
O que vai acontecer
Banco Central define hoje o patamar da Selic. Antes da decisão, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e os outros oito integrantes do Copom (Comitê de Política Monetária) apresentam projeções macroeconômicas. O veredito oficial será divulgado por volta das 18h30, após o fechamento do mercado financeiro.
Ontem, eles debateram a conjuntura econômica. Na primeira etapa da reunião do Copom, os diretores da autoridade monetária realizaram apresentações técnicas sobre as perspectivas da economia e o comportamento do mercado financeiro. Tais indicadores podem influenciar na definição dos juros.
Mercado prevê manutenção dos juros no maior nível em quase 20 anos. Os analistas estimam que a taxa Selic permanecerá estável em 15% ao ano pela quarta vez seguida. Atingido em junho, o patamar é o mais elevado da taxa básica desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano.
Copom avalia que Selic permanecerá elevada por ‘período prolongado’. Na ata da última reunião, os diretores do BC defendem o atual patamar dos juros como estratégia adequada para conter o avanço dos preços e direcionar a inflação para o centro da meta de 3% estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).
“O Comitê dá prosseguimento ao estágio em que opta por manter a taxa inalterada por período bastante prolongado, mas já com maior convicção de que a taxa corrente é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta.”
Ata da 274ª Reunião do Copom
O que pesa na decisão
Olhares do Banco Central estão voltados para a inflação de longo prazo. As variações dos índices de preços para este ano e o próximo são considerados insignificantes para a decisão de hoje.
“As projeções de inflação do Banco Central, que hoje estão um pouco acima da meta, vão ficar cada vez mais próximas do centro da meta nesse horizonte [de 2027], oferecendo espaço para o corte de juros ao longo do primeiro trimestre de 2026.”
Alexandre Mathias, estrategista-chefe da Monte Bravo
Perda de ritmo da inflação favorece a estabilidade da taxa básica de juros. A recente desaceleração dos índices de preços no acumulado em 12 meses é vista como relevante para contabilizar os resultados do aperto monetário. A trajetória é constatada pela divulgação mais recente do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que voltou ao limite da meta no mês de novembro (4,5%) pela primeira vez desde janeiro.
“É positivo para o Copom que a inflação esteja dentro do teto da meta antes de começar a cortar a Selic, mas isso não representa um gatilho para o início dos cortes.”
André Valério, economista-sênior do Inter
Aperto monetário traz efeitos prejudiciais para a atividade econômica. Para que a desaceleração da inflação seja efetiva, o esfriamento da atividade econômica é determinante para encarecer o dinheiro e reduzir o consumo. O patamar elevado da taxa Selic foi sentido nos últimos dados do PIB (produto interno bruto). Somente no terceiro trimestre, o indicador avançou 0,1% em comparação com os três meses anteriores e cresceu 1,8% em um ano, menor alta desde a pandemia.
Arrefecimento da economia também deve ser ignorado no veredito do BC. Ainda que os dados evidenciem o efeito danoso dos juros para a atividade, as preocupações são vistas de maneira positiva. ‘[A desaceleração] não é algo que o BC está alvejando, mas dá indícios de que a atividade está perdendo força para trazer a inflação de novo para o centro da meta’, diz Valério. Ele recorda que a percepção anterior era de que a economia estava ‘imune’ ao aumento dos juros.
Mercado de trabalho aquecido centraliza as atenções do Banco Central. As últimas atas e manifestações dos diretores do Copom indicam que uma das preocupações centrais está atrelada ao menor desemprego da história e à evolução dos salários – fatores que podem contribuir para elevar a inflação. ‘Os vetores inflacionários seguem adversos, como resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho’, destacou o documento.
Expectativas mostram que corte dos juros acontecerá no início de 2026. A mediana das projeções do mercado financeiro indica que a taxa Selic passa a cair a partir da segunda reunião do ano que vem, em março, com cinco cortes consecutivos de 0,5 ponto percentual e um ajuste adicional de 0,25 ponto percentual em dezembro. Caso a perspectiva seja confirmada, a Selic chegará ao fim de 2026 em 12,25% ao ano.