Sala de Imprensa
24/04/2026 • 3 mins de leitura
Fluxo externo sustenta mercado apesar de juros e risco fiscal
Entrada de capital externo surpreende e aponta para novas oportunidades…
Além disso, momento do Real frente ao dólar é oportunidade para diversificar carteira de investimentos em ativos no exterior

O Banco Central (BC) ainda tem um espaço relevante para cortar a taxa básica de juros (Selic) neste ano, mesmo com os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, avalia o head of global Portfolio Specialists do Itaú Asset, Fernando Cavalette. Na avaliação dele, o conflito no Oriente Médio ainda não tem impacto suficiente para interromper o ciclo de cortes do BC, mas sim estender o ciclo para o próximo ano.
A análise foi feita durante o painel “Alocação global – como equilibrar Brasil e exterior”, do Monte Bravo Experience, evento organizado pela corretora Monte Bravo Investimentos em Belo Horizonte, nesta quinta-feira (23/4).
O head do Itaú Asset afirmou que o cenário atual é de uma inflação relativamente controlada, com expectativas de inflação também em certo nível de controle. Junto de uma Selic alta, há bastante espaço para o BC cortar os juros. Não fosse o conflito no Irã, avalia, a inflação brasileira poderia caminhar praticamente dentro da meta estipulada pelo BC no meio do ano.
Antes do corte menor do que o previsto pelo mercado, em março, a Selic estava no maior nível desde julho de 2006, ainda durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando estava em 15,25% ao ano (a.a.). Desde setembro de 2024, a Selic subiu sete vezes seguidas. Nas reuniões de julho, setembro, novembro, dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC não mexeu na taxa.
Além disso, Fernando Cavalette aponta que, mesmo sendo ano eleitoral, o governo federal tem injetado menos recursos na economia do que no começo do atual mandato.
O ciclo político até então visto como comum – aperto nos gastos no início de mandato e expansão no final, mais perto das eleições – aconteceu de maneira inversa no governo Lula III, em que os gastos públicos deram um salto com a aprovação da PEC da Transição e o pagamento de precatórios, no início, e depois foram restringidos devido ao estabelecimento posterior do arcabouço fiscal.
Mesmo com um choque de oferta do petróleo no curto prazo, com a crise no Estreito de Ormuz, a Selic em um patamar de 15% a.a. ainda estava muito alta para o momento. A perpetuação da guerra no Irã por muito tempo, declarou o head do Itaú, pode diminuir o ritmo de cortes da Selic e estender para 2027 a redução prevista para este ano.
“As condições estão postas para fazer algum nível de flexibilização. Os juros a 15% (atualmente em 14,75% a.a.) é muito alto até para o Brasil. A gente tem 11% de juro real, isso sufoca a economia”, disse.
O head of global Portfolio Specialists do Itaú Asset explicou ainda que a atual valorização do Real frente ao dólar é um bom momento para começar a dolarizar um pouco a carteira de investimentos, especialmente em ativos da S&P500, índice que reúne as 500 empresas mais valiosas dos Estados Unidos com ações negociadas na Nyse e Nasdaq.
Atualmente abaixo dos R$ 5,00, a cotação da moeda norte-americana na Bolsa de Valores do Brasil (B3) caiu mais de 9% neste ano em relação à moeda brasileira.
Na visão de Fernando Cavalette, o mercado norte-americano tem infinitas possibilidades, com uma economia pujante e dinâmica, mesmo com o comportamento intempestivo do presidente dos EUA, Donald Trump. Há ativos interessantes em diversos segmentos, especialmente nas empresas de tecnologia, bem como nos setores mais tradicionais.
Um caminho para o investidor iniciante diversificar a carteira no mercado exterior seria por empresas mais consolidadas, com ativos que não sofrerão grandes oscilações diante alguma turbulência provocada por uma política disruptiva do mandatário norte-americano.
O próprio choque econômico com o tarifaço de Trump, apontou Fernando Cavalette, foi bem absorvido pela economia global. Já o choque com o conflito no Irã, segundo ele, sendo de curto prazo, deverá ser amortecido pela economia ao longo do ano.
“É sempre importante ter uma carteira balanceada, equilibrada, porque é muito difícil saber quando você vai precisar daquele ativo – que você não sabe muito bem porque está ali na carteira – e evitar tentar ‘acertar na mosca’ qual vai ser o ativo da vez e que vai proteger o seu portfólio em alguma magnitude. O segredo é ter uma alocação mais diversificada para equilibrar”, argumentou o head do Itaú Asset.
Leia aqui a reportagem publicada no jornal O Tempo.