Luis Stuhlberger no Monte Bravo Experience: ‘O CDI é um piquenique à beira do vulcão’
25/09/2026 • 4mins de leitura
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A segunda edição de 2026 do Monte Bravo Experience São Paulo recebeu na quinta-feira (24/09) Luis Stuhlberger, CEO e CIO da Verde Asset e um dos maiores nomes da gestão de recursos no Brasil.
Às vésperas da eleição presidencial, Stuhlberger comentou o cenário econômico a partir de seus quarenta anos de experiência em leitura de mercados. Ele também falou sobre economia dos Estados Unidos, Inteligência Artificial (IA) e investimentos no exterior.
O evento contou ainda com a presença de Daniel Haddad, CCO da Avenue, e Bruno Barino, Country Manager na BlackRock no Brasil, que discutiram o cenário e as oportunidades de diversificação de investimentos fora do Brasil e também trouxeram sua visão sobre tecnologia e seu impacto nas carteiras de investidores.
Veja a seguir um resumo com os principais insights do evento:
Painel 1: Diversificação internacional: oportunidades globais para os investidores brasileiros
Daniel Haddad, da Avenue, Rai Chicoli, da Monte Bravo, e Bruno Barino, da BlackRock no Monte Bravo Experience
Daniel Haddad e Bruno Barino participaram de uma conversa mediada por Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo. Os principais temas discutidos foram:
Grandes tendências no mercado global: maior demanda por energia, envelhecimento populacional e transformação tecnológica/digital. Bruno Barino afirmou que essas forças alteram inflação, juros, geopolítica e a própria forma de montar carteiras.
Inteligência Artificial: a IA é apresentada como uma cadeia ampla, que inclui data centers, chips, memória, energia, infraestrutura e aplicações. A expectativa discutida é de investimentos de US$ 5 trilhões a US$ 8 trilhões nos próximos quatro ou cinco anos. A grande discussão é como aproveitar esse movimento na construção de portfólios.
O papel da assessoria de investimentos: a confiança no assessor, o acompanhamento em períodos de queda e a disciplina de permanecer investido são apontados como fatores decisivos para capturar juros compostos e evitar decisões emocionais. A remuneração por taxa fixa (Fee Based) é o modelo que mais combina com esse relacionamento transparente e de longo prazo entre assessor e cliente.
O mercado global evoluiu para o Fee Based porque as peças se encaixam de várias formas. O assessor precisa dar uma consultoria no estilo McKinsey: entender onde o cliente quer chegar, discutir o plano e fazer o acompanhamento. Aconteceu no mundo todo. Não tem por que não acontecer aqui.
_Bruno Barino, BlackRock
Investimento internacional: Daniel Haddad observou que o brasileiro começa a perceber o país como apenas uma parte do mercado global. A diversificação internacional amplia o acesso a teses que não estão disponíveis no mercado doméstico, como IA, cibersegurança, biotecnologia e novas formas de energia.
ETFs e construção de portfólio: os convidados defenderam o ETF como um bloco de construção que oferece diversificação, acesso e disciplina. Daniel ressaltou que o investidor deve pensar mais em portfólio do que em escolher a próxima ação vencedora.
Assessoria e comportamento: a confiança no assessor, o acompanhamento em períodos de queda e a disciplina de permanecer investido são apontados como fatores decisivos para capturar juros compostos e evitar decisões emocionais.
Brasil na nova configuração: o Brasil possui energia e capacidade para atrair investimentos ligados à IA, mas precisa competir globalmente por capital e acelerar a criação de condições para capturar essa oportunidade.
O Brasil representa 1% do mercado global de ações. É como estar em um supermercado com 100 gôndolas e fazer compras em uma só.
_Daniel Haddad, Avenue
Painel 2: Quatro décadas interpretando mercados: quais movimentos serão decisivos para o próximo ciclo
O segundo painel do evento teve a presença de Luis Stuhlberger em uma conversa mediada por Guilherme Loureiro, CIO da Monte Bravo. Loureiro foi integrante da Hedging-Griffo (hoje Verde Asset), onde teve a oportunidade de trabalhar com Stuhlberger.
Ao responder a uma pergunta da plateia sobre investimentos no exterior, ele defendeu a importância de diversificar a carteira com aplicações fora do Brasil. Ele defende uma exposição de 30% a 50% do patrimônio no exterior, a depender do contexto de cada investidor.
Stuhlberger também deu um exemplo do risco de manter 100% do patrimônio no país: “Às vezes eu chamo o CDI de piquenique à beira do vulcão. Você está lá, tranquilo, mas torce para o vulcão não explodir.”
EUA: a economia americana foi descrita como forte em atividade, emprego, produtividade e geração de novas empresas, com a inteligência artificial começando a aparecer nos ganhos de eficiência. Ao mesmo tempo, há riscos estruturais: margens de lucro corporativo excepcionalmente elevadas, possível convergência à média e pressão fiscal nos Estados Unidos.
Bolsa americana: o S&P 500 foi apresentado como fortemente concentrado em tecnologia. Por isso, a análise de índices com pesos mais equilibrados e do MSCI World foi apontada como forma de observar melhor a diversificação setorial.
Risco de bolha: Stuhlberger diferencia valuation elevado de uma bolha especulativa. Os múltiplos citados não seriam comparáveis aos episódios de 2000 e 2008, o que oferece alguma tranquilidade para permanecer investido — sem eliminar riscos.
Títulos americanos: a alta dos juros americanos torna instrumentos de curto e médio prazo, como Treasuries e TIPS, alternativas para preservar capital e aguardar melhores oportunidades, com possibilidade de retorno real positivo.
Diversificação: Stuhlberger observou que a informação chega aos preços com velocidade crescente, especialmente com a IA. Por isso, tentar acertar movimentos de curto prazo é cada vez mais difícil. Para investidores, a principal implicação é combinar ativos de preservação de capital, diversificação geográfica e setorial, liquidez e exposição controlada a risco, em vez de depender de uma única tese.
Eleições no Brasil: o gestor acredita em um movimento excepcional de mercado a depender do resultado das urnas. Uma vitória do governo atual impulsionaria o dólar em razão de uma expectativa de “mais do mesmo”, especialmente em termos de aumento no ritmo do gasto público. Em caso de vitória da oposição, a bolsa pode experimentar um momento de euforia com a expectativa de redução desse ritmo. Mas o convidado se diz cético: “No longo prazo, Flávio é fraco e não tem um plano de governo. Para consertar o Brasil, você precisa de alguém muito forte e com muita moral”.
O cenário Brasil é de cauda dos dois lados por causa da eleição. O que o mercado de opções de dólar está dizendo é que, no preço atual, com Lula eleito, o dólar iria para a casa dos R$ 6. Em caso de vitória do Flávio, deve haver uma euforia inicial.