19/08/2021 às 18:03

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Quinta

Ago

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Durante esta semana, um dos assuntos mais comentados é a situação no Afeganistão. Sobre como a retomada de poder do Talibã afeta novamente este povo, depois de vinte anos fora do poder, e anteriormente algumas décadas atrás, mudou totalmente a estrutura do país. Vamos falar um pouco também sobre como tudo isso pode influenciar os seus investimentos.

Possivelmente, você está se perguntando, como essa situação impacta a economia e se você precisa ou não rever a sua carteira de investimentos.

Antes de responder a essas perguntas, é importante que você conheça o contexto histórico e geográfico sobre Afeganistão, Talibã e Estados Unidos, para entender melhor como esse xadrez funciona. Por isso, montamos uma linha do tempo com acontecimentos históricos e informações geográficas que vão te ajudar a entender este cenário.

Contexto histórico e geográfico

Para um contexto geográfico, precisamos ter em mente dois principais pontos:

●       O Afeganistão não tem costa marítima. Portanto, isso dificulta e encarece a chegada de suprimentos;

●       Esta região também é muito montanhosa, o que faz com que sua cultura não seja unificada, então de forma geral, temos quatro etnias principais no país: pachtuns, tajiques, hazaras e usbeques. Sendo os pachtuns a mais representativa, em torno 40% da população.

Estes são alguns dos principais acontecimentos históricos que ajudam a contextualizar a situação:

●       Em 1994, o Talibã, que é um movimento fundamentalista, nasceu. Em 1996, tomou posse do Afeganistão, impondo uma interpretação radical das leis islâmicas como, por exemplo, impedir as mulheres de estudarem – como no caso conhecido da ganhadora do prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai. Ela, ainda uma adolescente na época, sofreu um atentado ao voltar da escola, por incentivar a educação feminina no seu país.

●       Outro fator relevante são os atentados de 11 de Setembro de 2001. Na data, aviões foram sequestrados e colidiram intencionalmente com as Torres Gêmeas, em Nova Iorque. O grupo de terroristas, liderados por Osama Bin Laden, da Al-Qaeda, estava sob proteção do Talibã.

●       No mesmo ano, o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush respondeu os ataques, iniciando a chamada Guerra ao Terror. Ele enviou tropas americanas para o Afeganistão, não apenas para perseguir Bin Laden, mas também para tentar restaurar a democracia no país.

●       Após quase 20 anos de guerra, quatro presidentes e muita pressão, Joe Biden, atual presidente dos Estados Unidos, começou a retirada das tropas americanas do país. A saída já era programada desde o governo anterior.

●       Em meio à retirada dos militares americanos do país, o Talibã retomou o poder da capital Cabul. E hoje, já tomou o controle de quase todo o país. E é neste cenário que nos encontramos atualmente.

Como isso afeta a economia do Brasil e do mundo?

Após esse contexto histórico e geográfico, precisamos falar dos principais insumos que o Afeganistão produz. Em geral, o principal produto do país é a papoula, matéria-prima do ópio. Pelo menos 80% de todos os opioides do mundo são produzidos nesta região. Ou seja, boa parte dos medicamentos analgésicos relacionados à morfina são feitos da substância.

Isso significa que vai faltar morfina no mundo para quem depende do medicamento?

Rodrigo Franchini, Sócio e Head de Relações Institucionais na Monte Bravo, responde: “Apesar do Afeganistão ser um forte polo de opioides, isto não interfere nem direta e nem indiretamente no setor farmacêutico”.

No entanto, algumas drogas ilícitas como a heroína, tem o ópio como princípio ativo. Dessa forma, o tráfico de drogas acaba sendo uma forte fonte de renda para o sustento do Talibã.

Outra questão é que, apesar de o Afeganistão não ser um país rico em petróleo, ele é apoiado por países como Arábia Saudita e Emirados Árabes – cujas economias dependem primordialmente de petróleo – e pelo Paquistão, que tem grandes reservas de gás natural. Por isso, é impossível não se perguntar como fica a situação deste combustível fóssil, já que a região se torna um terreno fértil para maiores tensões.

“A gente não aguarda um impacto imediato no mercado. Mas é muito importante que o investidor avalie junto ao assessor como a carteira dele está montada, para evitar prejuízos”, explica Rodrigo Franchini.

O país também é rico em Lítio, mineral muito importante para o desenvolvimento de energia limpa, e também a base para baterias de celular e carros elétricos. Entretanto, por conta do cenário caótico e de guerra nos últimos 20 anos, não foi possível uma grande exploração deste mineral.

“Em geral, se o Talibã decidisse explorar lítio, poderíamos ter um grande avanço no setor de energia limpa. Afinal, essas baterias produzidas com o mineral podem tornar o petróleo coisa do passado. Mas, esperar por isso é um tiro no escuro”, diz Franchini, que ainda analisa que o maior impacto da retomada de poder pelo Talibã no Afeganistão é o risco de imagem dos países que se envolvem.

“Na verdade, esse contexto afeta muito mais a credibilidade dos Estados Unidos como potência do que qualquer mercado especificamente. Somando com o fato de que a China e a Rússia já reconheceram o novo governo do Talibã, o xadrez se complica um pouco. Ninguém tem a intenção de comprar risco de países emergentes e, quando um país bem-posicionado fica com uma imagem tão conturbada, as relações de bolsa de valores se complicam mais ainda. A inflação global é transitória e não emergente. Então, teremos um reajuste de juros, chegando a diversas potências mundiais. A tendência é que ano que vem, os juros subam. Em alguns países mais rapidamente, e outros mais lentamente. Essa situação se agrava um pouco mais se colocarmos outras peças no tabuleiro, como Alemanha, Reino Unido e outros países desenvolvidos. Tudo isso porque nenhum deles está disposto a tentar ajudar, e outros Estados apoiaram as medidas do Talibã”, conclui Franchini.

Insight do investidor

É muito importante prestar atenção em alguns ativos, para saber o que comprar. A curto prazo, commodities, como ouro e prata, sobem bastante. Ativos protetivos, como dólar, euro e criptomoedas, também.

A longo e médio prazo, não se esqueça, podemos ter problemas com a taxa de juros americana, por causa do acordo fiscal. Se a proposta do presidente Joe Biden não for aprovada, uma vez que a imagem do presidente está abalada, a bolsa de valores deixa de crescer conforme o esperado.

Nós, da Monte Bravo, sabemos o quanto este tipo de assunto pode ser complexo. Por isso, procure seu (a) assessor (a) e acompanhe seus investimentos!

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