10/08/2020 às 14:56

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Segunda

Ago

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A taxa oficial de juros no Brasil vem batendo recordes negativos em série neste ano quando se fala sobre rentabilidade. Na última revisão, o Banco Central estabeleceu a Selic em 2%, o que deve levar o juro real (aquele em que se desconta a inflação) ao patamar de -0,71% no próximo ano.

Um percentual tão baixo pede revisão na carteira de investimentos, até dos investidores mais cautelosos, a fim de preservar patrimônio e não perder dinheiro. Na cena da renda fixa, o crédito privado ganha espaço justamente por oferecer maior rentabilidade.

Mas o que é crédito privado?

Imagine que uma empresa ou até mesmo um banco queira fazer um grande investimento e, para isso, precisa contrair uma dívida. A empresa então lança títulos desta dívida e o cidadão compra esse título – ou seja, “empresta” dinheiro para esta firma. Ao final de um período determinado, o débito é pago com os juros e a correção do período.

Sim, é parecido com o Tesouro Direto, mas em vez de emprestar dinheiro para o governo, você empresta para a iniciativa privada.

No âmbito do crédito privado, existem papéis de renda pré-fixada e pós-fixada – ou seja, com rendimento pré-determinado vinculado a algum índice inflacionário ou cuja rentabilidade será conhecida depois.

Até meados de 2019, as perspectivas sobre o crédito privado vinham em uma crescente, motivada pela alta procura por estes papéis. A partir de março de 2020, contudo, os resgates aumentaram e o segmento experimentou uma grande migração de investimentos. A boa notícia é que, já no fim do primeiro semestre, o crédito privado começou a vivenciar uma grande recuperação.

Ou seja: o crédito privado voltou a ser a bola da vez entre os investimentos de renda fixa.

Você deve estar se perguntando por que isso acontece, considerando os juros incrivelmente baixos – em tese sinalizando para rentabilidade baixa nos títulos vinculados às oscilações da inflação.

Há algumas razões para esse “fenômeno”

Investidores menos agressivos, que apostam em papéis para preservar patrimônio e sem depender de retorno a curto prazo, têm receio de apostar todas as fichas em ações – por exemplo – em um cenário de tamanha incerteza como o provocado pela pandemia de coronavírus. 

Ou seja, por mais que a renda fixa esteja escorada em um indicador que está em baixa, a outra opção – investimentos muito arriscados – trazem pouca segurança para os poupadores menos profissionais.

Outra razão: quanto mais arriscado o fundo, maior o prazo de expectativa de resgate. Infelizmente, não são todos que podem aplicar seu dinheiro “a perder de vista”, sobretudo por não ter certeza do que nos espera na economia daqui em diante.

Tanto é assim que, passada a mais recente diminuição da taxa de juros, consultores financeiros continuaram orientando seus clientes a apostar no crédito privado.

Com isso, qual o cenário ideal de cada título?

Debêntures

Há quem diga que este é o investimento mais rentável atualmente, considerando ainda um perfil de conservador a moderado.
Aqui, o investidor empresta seu dinheiro para uma empresa privada, com exceção dos bancos e das instituições de crédito imobiliário. Os títulos são emitidos diretamente pelas empresas e podem ser conversíveis (podem “virar” ações) ou não. A rentabilidade bruta anual, considerando o atual cenário, passa dos 5%.

Certificado de Depósito Bancário (CDB)

Com taxas competitivas, o CDB também está em alta, com projeções de rentabilidade próximas a 4%. A vantagem é que o CDB pode ser resgatado de imediato sem perda de valor, o que também combina com cenários de incerteza.

Certificado de Depósito Interbancário (CDI)

O CDI é uma espécie de balizados dos demais investimentos em renda fixa. Rende menos que o CDB e é conhecido pela rentabilidade baixa (e pelo risco baixo, portanto).

Letras Financeiras (LF)
Também um título bancário, possui rentabilidade anual estimada acima de 4%.

Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)

Dois tipos de investimento de crédito privado que não incidem sobre o Imposto de Renda, mas que possuem rendimento menor, na casa dos 2,3% (considerando a taxa de juros atual). Ainda assim, são muito procuradas porque têm rentabilidade bem maior que a poupança (na casa de 1,4% a/a).

Se você está se perguntando papéis de qual empresa adquirir, é bom fazer uma pesquisa mais acurada. Em geral, empresas e bancos pequenos têm rentabilidade maior, mas estão sujeitos a maior volatilidade, por conta do risco de calote. Grandes bancos e empresas do setor elétrico, por outro lado, seguem em alta.

Agora que você já entendeu o que é e como funcionam os investimentos em crédito privado, é hora de correr atrás de seus objetivos financeiros. Conte com a equipe de Assessoria da Monte Bravo para otimizar a sua experiência com o seu patrimônio.

E fique sempre atento ao nosso site de conteúdos para mais artigos, vídeos e podcasts sobre o mercado financeiro e as principais novidades do meio.

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