Investimentos
14/09/2022 • 3 mins de leitura
Volatilidade: você sabe o que é e como ela afeta seus investimentos?
A volatilidade é um conceito da economia que explica a…
Neste mês de abril, ocorre o tradicional FMI Spring Meetings, o encontro de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O evento é composto por uma série de reuniões com banqueiros, gestores de fundos e formuladores de política econômica em Washington e Nova Iorque, nos Estados Unidos.
A Monte Bravo é participante recorrente do encontro, pois nele são discutidas as principais tendências econômicas globais e insights sobre oportunidades de investimentos.
A edição deste ano trouxe preocupações com um cenário global ainda mais incerto, considerando o conflito no Irã e seu impacto na inflação global. E isso afeta a maneira de investidores pensarem em sua estratégia de alocação.
Mas, apesar disso, a visão é de que o Brasil se beneficia desse cenário.
Entenda a seguir os principais pontos que emergiram dessas conversas e o que eles significam, na prática, para o mercado.
Guilherme Loureiro, Chief Investment Officer (CIO) da Monte Bravo, acompanhou as discussões do primeiro dia, dominadas pelo conflito no Oriente Médio. Ainda há expectativa por uma solução diplomática, mas o consenso está longe de ser confortável.
O problema central não é apenas a guerra em si, mas suas consequências indiretas:
Esse conjunto cria um ambiente que começa a se aproximar de um cenário de estagflação (crescimento fraco com inflação persistente). E esse é um dos piores cenários possíveis para alocação, porque reduz a previsibilidade e limita as ferramentas de política monetária. Entenda mais no vídeo a seguir:
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No segundo dia do encontro, Alex Carpenter, Head de Investimentos Globais da Monte Bravo, trouxe um resumo das discussões sobre inflação global e taxas de juros nas grandes economias.
O FMI revisou suas projeções:
À primeira vista, isso poderia justificar uma postura mais dura dos bancos centrais. Mas não foi essa a leitura predominante.
O entendimento é de que o aumento de inflação tem caráter pontual. As expectativas de longo prazo (2027 em diante) permanecem ancoradas.
Consequentemente, os principais bancos centrais devem manter a trajetória de queda de juros, ainda que em ritmo mais cauteloso.
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Após participar de reuniões com autoridades, líderes de bancos centrais e gestores de fundos, Guilherme Loureiro explica que a visão é de um cenário mais equilibrado, com risco menor de descontrole inflacionário.
Esse fator mantém o suporte para diferentes classes de ativos e reforça a importância da diversificação geográfica, com destaque relativo para a América Latina, especialmente o Brasil.
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Antes do aumento das tensões, o mercado precificava dois a três cortes de juros nos EUA em 2026. Agora, a expectativa foi reduzida para algo próximo de apenas um corte de juros.
Essa mudança gerou uma abertura nas curvas de juros — especialmente nos vencimentos mais curtos — criando oportunidades em:
A lógica é: com juros mais altos por mais tempo, o investidor volta a ser bem remunerado por carregar renda fixa de qualidade.
Apesar do ambiente mais incerto, os mercados acionários demonstram resiliência.
Os principais pontos:
O principal motor continua sendo o crescimento de lucros:
Ou seja: o suporte fundamental segue intacto, mesmo em um cenário macro mais desafiador.
Outro tema recorrente nas conversas foi a possível transição para um sistema menos centrado no dólar.
É importante separar narrativa de realidade: o dólar deve continuar sendo a principal moeda global, mas há um movimento gradual de diversificação de investimentos.
Isso inclui:
Havia preocupação no mercado de que o crescimento do crédito privado (títulos emitidos por empresas) pudesse representar um risco sistêmico, uma repetição da crise de 2008 em outro formato.
As discussões indicam o contrário:
Isso reduz a probabilidade de um evento disruptivo vindo desse segmento específico.
Em meio a um cenário global mais frágil, o Brasil começa a se destacar, ainda que com ressalvas. Os principais fatores são:
O país se beneficia diretamente de choques de oferta e preços mais altos.
O diferencial de juros continua atraente para capital estrangeiro.
Menor exposição direta a conflitos geopolíticos.
O real é percebido como desvalorizado em termos globais.
Um ambiente que favorece moedas emergentes.
Percepção de maior alinhamento a agendas pró-mercado em alguns países.
O efeito combinado desses fatores já começa a aparecer:
Apesar do cenário construtivo, existe uma condição clara para que essa “oportunidade” se concretize.
O fator decisivo é o fiscal.
Sem ajustes estruturais, o potencial se perde. O debate gira em torno de:
Se esse caminho for seguido, o Brasil pode entrar em um ciclo mais virtuoso:
Caso contrário, o prêmio de risco permanece e limita o potencial de ganho.
Os especialistas da Monte Bravo seguirão acompanhando de perto essas discussões e compartilhando os principais insights e suas implicações para os investimentos.
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