Eleições 2026 e dólar: o que a história ensina sobre o câmbio e como preparar sua carteira

14/07/2026 • 3 mins de leitura

Períodos de eleições costumam aumentar a atenção de investidores para os movimentos do mercado financeiro. Isso porque a performance dos ativos costuma ser mais sensível às expectativas criadas em relação à troca de poder.

Nesses momentos, é muito comum ver mudanças nas projeções sobre política econômica, cenário fiscal e fluxo de capital estrangeiro. A depender dos nomes que aparecem à frente nas pesquisas eleitorais, os mercados podem apresentar mais volatilidade, especialmente quando se trata do câmbio.

Mas será que toda eleição provoca uma disparada do dólar?

Um estudo elaborado por Alexandre Pacheco, da Monte Bravo, revisitou mais de duas décadas de dados oficiais do Banco Central para entender como o câmbio se comportou nos ciclos eleitorais brasileiros entre 2002 e 2026.

A conclusão é que, embora existam padrões históricos relevantes, cada eleição possui características próprias e exige uma análise cuidadosa antes da tomada de decisão.

O que o estudo analisou?

A pesquisa utilizou a série diária oficial da taxa PTAX do Banco Central, abrangendo mais de 6.300 observações entre 2001 e junho de 2026. O objetivo foi identificar o comportamento do dólar em diferentes fases dos ciclos eleitorais brasileiros e construir cenários estatísticos para o período atual.

Entre os principais objetivos estavam:

  • analisar o comportamento do dólar antes, durante e depois das eleições;
  • identificar padrões recorrentes nos últimos seis ciclos eleitorais;
  • contextualizar o cenário de 2026;
  • elaborar projeções baseadas em dados históricos oficiais.

O comportamento do dólar muda em anos eleitorais?

A resposta é: depende. Os dados mostram que não existe um comportamento único para o câmbio durante eleições.

Em alguns ciclos, como 2002 e 2014, houve forte desvalorização do real diante do aumento das incertezas políticas e fiscais. Já em 2006, 2010 e 2022, o comportamento foi bastante diferente, com estabilidade ou até apreciação da moeda brasileira.

Isso mostra que o resultado do câmbio não depende apenas das eleições.

Outros fatores exercem influência significativa, como:

  • cenário fiscal;
  • política monetária brasileira;
  • decisões do Federal Reserve;
  • preço das commodities;
  • fluxo de capital para mercados emergentes;
  • percepção de risco dos investidores.

O que chama atenção no ciclo eleitoral de 2026

O comportamento observado até o momento difere dos principais ciclos históricos.

Enquanto eleições anteriores frequentemente apresentaram pressão cambial antes da votação, entre janeiro de 2025 e junho de 2026 ocorreu uma valorização consistente do real. A cotação média do dólar caiu de aproximadamente R$ 6,02 para cerca de R$ 5,10 no período analisado.

Segundo o estudo, isso pode indicar que fatores externos, como fluxo internacional de capitais e cenário global, estejam exercendo influência maior do que o próprio calendário eleitoral neste momento.

O período pós-eleitoral costuma ser o mais incerto

Outro ponto importante identificado pela análise é que a maior volatilidade histórica não ocorre necessariamente antes da eleição.

Os dados mostram que o período posterior ao pleito apresentou o maior nível de dispersão entre todos os ciclos analisados, indicando que é justamente nessa fase que as incertezas tendem a aumentar.

Isso acontece porque, após o resultado eleitoral, o mercado passa a avaliar a formação da equipe econômica, as prioridades do novo governo, a condução da política fiscal e outras decisões capazes de impactar os ativos brasileiros.

O que isso significa para os investidores?

A principal conclusão do estudo é que dados históricos ajudam a entender padrões, mas não permitem prever o comportamento do mercado com precisão.

Inclusive, os próprios autores recomendam que qualquer análise considere a diferença entre os cenários estatísticos e o comportamento efetivamente observado em 2025 e 2026, evitando interpretar projeções como certezas.

Para o investidor, isso reforça a importância de construir um portfólio preparado para diferentes cenários, reduzindo a dependência de um único ativo ou de uma única hipótese econômica.

Como proteger sua carteira em um ano eleitoral?

Momentos de maior incerteza costumam exigir uma gestão ainda mais cuidadosa do patrimônio. Entre as alternativas que podem contribuir para aumentar a resiliência da carteira estão:

  • diversificação entre diferentes classes de ativos;
  • exposição internacional;
  • ativos indexados à inflação;
  • estratégias de proteção (hedge), quando adequadas ao perfil do investidor;
  • rebalanceamento periódico da carteira conforme a evolução do cenário.

A estratégia ideal, no entanto, depende dos objetivos, horizonte de investimento e perfil de risco de cada investidor.

A Monte Bravo pode ajudar você a atravessar o ciclo eleitoral com mais estratégia

Independentemente do resultado das eleições, investidores bem preparados tendem a tomar decisões mais consistentes do que aqueles que reagem apenas às oscilações do mercado.

Os analistas da Monte Bravo acompanham continuamente os indicadores econômicos, o cenário político e as oportunidades de investimento para construir estratégias alinhadas aos diferentes contextos de mercado.

Se você deseja preparar seu patrimônio para atravessar o período eleitoral com mais controle sobre os riscos da carteira e, ao mesmo tempo, aproveitar as oportunidades que esse momento pode oferecer, converse com um assessor da Monte Bravo e descubra como uma estratégia personalizada pode fazer diferença para seus investimentos.

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