10/07/2020 às 15:28

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Sexta

Jul

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Nos últimos meses, vimos o real se desvalorizar frente a moeda americana. Já falei um pouco sobre esse fenômeno em alguns posts no meu Instagram explicando alguns fatores responsáveis por essa questão.

Em resumo, impactos internacionais podem influenciar o nosso câmbio. E qual seria o porquê disso? Vamos aos pontos.

O Brasil é um país emergente e é característico desses países não ter força de moeda. Além disso, historicamente, esses mercados apresentam muita volatilidade, são mais sensíveis a questões externas. Em crises locais, o dólar se valoriza, como vimos recentemente, já em crises internacionais, a resiliência das empresas fora do Brasil tende a ser maior.

Então, ter no seu portfólio de investimentos ativos “dolarizados” pode te proteger da instabilidade do Brasil, já que o dólar é considerado a moeda mais segura do mundo – não é à toa a sua valorização (aumento da sua demanda) frente a muitas moedas globais em momentos de crise e tensão. Muitos gestores, especialistas e casas de análise apostam que a recuperação causada pelo coronavírus (covid-19) vai ser liderada pelos EUA. E isso significa que os ativos americanos, provavelmente, vão se recuperar mais rapidamente que os demais.

E como fugir das variações do câmbio? Isso é possível? Sim. Existem ativos expostos ao mercado internacional que realizam uma prática chamada de “Hedge Cambial”. Essa é uma forma de evitar sofrer alguma mudança inesperada na taxa de câmbio de uma moeda em relação à outra. Como por exemplo, você pode ser cotista de um fundo que busca replicar o retorno das ações de alguma empresa brasileira listada na NASDAQ que use estratégias de hedge para evitar sofrer as volatilidades das moedas.

Então, pensando em proteger a sua carteira, a diversificação da sua carteira de investimentos e oportunidades que podem surgir, investir em empresas dos EUA significa acompanhar a economia mais segura e desenvolvida do mundo. 

Como faço para investir nos Estados Unidos? 

Você já entendeu alguns pontos relevantes a serem considerados na hora de pensar se deve ou não investir nos Estados Unidos, certo? Agora vamos oara o que interessa: como investir, de fato, em fundo nos EUA.

Não pensa que há pouco a se aprender, mas são simples de entender.

Investindo em ativos internacionais pelo Brasil

Você pode investir por meio de Fundos de Investimento, como Fundos de Ações, Fundos Cambiais e Fundos Multimercado. Existem diversos Fundos brasileiros que podem ter exposição à ativos estrangeiros e ainda combinar estratégias de hedge cambial para evitar sofrer com a volatilidade do câmbio. Eles podem ser investidos diretamente pela plataforma da sua corretora de preferência.

ETFs (exchange traded funds). 

Os ETFs são Fundos de Índices que buscam replicar a carteira de algum índice, como o Ibovespa. As cotas são negociadas na bolsa de valores brasileira, mesmo os ETFs que buscam acompanhar índices americanos, como o IVVB11, ETF que replica o S&P500 (Standard & Poor’s 500 Index, que é um índice financeiro que lista as 500 maiores empresas líderes dos seus setores cotadas nas bolsas americanas), ou seja, podem ser adquiridos pela plataforma da sua própria corretora. As operações com ETFs são tributadas da mesma forma que a compra de ações. O Imposto de Renda é de 15% sobre o ganho obtido. 

BDRs, Brazilian Depositary Receipts

Os BDRs são certificados que representam ações emitidas por empresas no exterior, mas negociados no pregão da B3.

Ao investir em um BDR, você compra títulos representativos das empresas, não se torna sócio delas. Funciona como uma alternativa para empresas estrangeiras captarem recursos no mercado brasileiro. No Brasil, a Instituição que emite o BDR é chamada de Instituição depositária. Atualmente, existem cerca de 200 BDRs – patrocinados e não patrocinados (enquanto os BDRs patrocinados são emitidos pelas próprias empresas estrangeiras, os não patrocinados são emitidos por uma instituição financeira independente) – disponíveis para negociação na B3. Algumas empresas emissoras são Apple, Google, Ebay, Hp, entre outras. Então, não é necessária a abertura de conta no exterior para se investir neles. Duas desvantagens são a pouca liquidez e também o fato de que para se investir na maioria dos BDRs é necessário ser investidor qualificado (ter aplicações financeiras acima de 1 milhão de reais).

Investimento Direto

O investidor brasileiro tem a opção também de abrir conta em uma corretora americana para investir. Normalmente, são pedidas algumas informações como cópia do CPF brasileiro, declaração do Imposto de Renda, informações sobre o empregador do investidor, cópia do passaporte e comprovante de residência.

Além do preenchimento de um formulário chamado W-8 BEN. É importante escolher uma corretora regulamentada e registrada, como por exemplo, na FINRA (Financial Industry Regulatory Authority; regulamenta a negociação de ações, opções de títulos, títulos corporativos e futuros no mercado americano), na SEC (Securities and Exchange Commission; agência federal dos Estados Unidos responsável pelo mercado de capitais no país, tipo a noss CVM) e na SIPC (Securities Investor Protection Corporation; protege o investidor caso a corretora venha a falir).

É também importante verificar se a corretora aceita não residentes dos EUA. De início, existem muito mais opções de ações e outros ativos nos EUA quando comparado ao mercado brasileiro e qualquer pessoa pode investir, independentemente da quantia inicial. Investindo em algumas das bolsas americanas você se torna sócio da empresa que comprou a ação, assim como no Brasil. Para enviar dinheiro do Brasil para os EUA será preciso usar os serviços de um banco ou corretora de câmbio autorizada pelo Banco Central. Separei alguns detalhes referentes aos impostos pagos, fato gerador de muitas dúvidas.

Impostos

Ganho de capital (lucro na venda do papel) – o pagamento do IR será efetuado no Brasil – e somente será pago quando o investidor trouxer o dinheiro para o Brasil.

Juros recebidos – pagamento de IR no Brasil – e somente será pago quando o investidor trouxer o dinheiro para o Brasil.

Dividendos de FUNDOS – pagamento de IR no Brasil – só paga quando trouxer o dinheiro para o Brasil (no caso, quando resgatar).

Dividendos de AÇÕES ou ETFs – pagamento de IR nos EUA – 30% retidos na fonte dos EUA.

Existem custos? Sim. Para enviar capital à uma corretora, sendo de uma conta para outra de  diferente titularidade (1,3% spread + 0,38% de IOF) o valor pago do IOF é um pouco abaixo de quando a titularidade é a mesma (1,3% spread + 1,1% de IOF).

Espero que eu tenha te ajudado vocês com este conteúdo. Caso tenham dúvidas, mandem no meu Instagram (@marinaseixas) ou no da Monte Bravo (@montebravoinvestimentos).

Até semana que vem!

Marina Seixas
Finanças e investimentos

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