IPCA de dezembro indica que desinflação avança, apesar de pressões pontuais em bens e serviços

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Por: Monte Bravo
09/01/2026 • 3 mins de leitura

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  • IPCA registrou alta de 0,33% em dezembro;
  • Inflação manteve o comportamento favorável dos últimos meses;
  • Dinâmica da inflação corrobora com cenário de cortes na Selic a partir de janeiro;
  • Para janeiro, projetamos alta de 0,45% no IPCA;
  • Nossa projeção do IPCA em 2026 está em 4,5%.

O IPCA registrou alta de 0,33% em dezembro. O resultado ficou em linha com o consenso do mercado, mas abaixo da nossa projeção (0,40%).

A inflação manteve o comportamento favorável dos últimos meses. No entanto, as medidas qualitativas tiveram um comportamento misto em dezembro.

Como esperado, a inflação foi impactada favoravelmente pela bandeira amarela de energia elétrica. Por outro lado, a dinâmica de serviços interrompeu a melhora observada nas últimas divulgações e a inflação de bens também registrou pressões devido à reversão dos impactos favoráveis da Black Friday.

A desaceleração da atividade econômica — um indicativo de que o crescimento no segundo semestre desse ano deverá se alinhar ao ritmo do potencial da economia — e a dinâmica favorável da inflação e das expectativas de inflação reforçam a trajetória de desinflação para os próximos meses. A inflação acumulada em 12 meses deverá atingir 3,4% em maio desse ano.

Diante da queda da inflação acumulada em 12 meses e das expectativas para os próximos 12 meses, a manutenção da taxa de juros em 15,0% ao ano implica um aumento passivo das taxas de juros reais. Tal aumento do juro real não se mostra necessário no atual estágio de transmissão da política monetária, considerando as defasagens de seus impactos.

Nossa visão é de que a inflação projetada pelo Banco Central no horizonte relevante vai estar muito próxima da meta. Isso deve levar o Banco Central a promover o início do ciclo de cortes de juros a partir de janeiro de 2026, com um corte de 25 pontos base.

Os núcleos mantiveram comportamento benigno na margem, mantendo-se estáveis na média móvel de 3 meses anualizada. No entanto, os núcleos de serviços e bens reverteram a tendência de desaceleração dos últimos meses. É importante ressaltar que oscilações na trajetória desses grupos são normais e que a tendência mais longa de 12 meses segue desacelerando.

Em dezembro, os núcleos registraram alta de 0,46%, acima do patamar de 0,23% de novembro. No acumulado de 12 meses, a inflação desacelerou de 4,7% para 4,6%, reforçando a tendência de desaceleração. A média móvel trimestral anualizada ficou estável em 3,7% em dezembro.

O núcleo de bens teve alta de 0,53% em dezembro após a reversão dos impactos dos descontos da Black Friday em vestuário, TVs, informática e aparelhos eletroeletrônicos. Em 12 meses, a variação recuou de 3,4% para 3,2% até dezembro.

Os serviços sofreram pressão com a alta de passagens aéreas, transportes por aplicativo, alimentação fora do domicílio e seguro voluntário de veículo. Excluindo passagens aéreas, o núcleo de serviços foi pressionado, acelerando de 0,30% em novembro para 0,56% em dezembro. Em termos anuais, houve desaceleração de 6,0% em novembro para 5,9% em dezembro. A média móvel trimestral anualizada subiu na margem, acelerando de 4,0% para 5,0%.

Para janeiro, o IPCA deverá ficar pressionado devido aos reajustes de transporte urbano, a pressão sazonal de alimentos e o aumento de combustíveis. Considerando o resultado de dezembro, revisamos a projeção do IPCA para janeiro de 0,55% para 0,45%.

A projeção do IPCA para 2026 foi mantida em 4,5%,com aexpectativade que a inflação no segundo semestre desse ano fique mais pressionada devido àdepreciação esperada do câmbio no período — um resultado dasincertezas fiscais a partir de 2027.

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