Ataque de EUA e Israel ao Irã causa realização nos mercados e impulsiona preço do petróleo

02/03/2026 • 4 mins de leitura
  • Temor de conflito prolongado no Oriente Médio e chance de fechamento do Estreito de Ormuz causa tensão nos mercados globais.
  • A economia americana segue resiliente: apesar da queda pontual nas encomendas industriais, o PIB do 1º trimestre aponta para alta de 3,4%, sustentado por consumo e investimento fortes.
  • No Brasil, o setor externo surpreende positivamente, com melhora nas contas externas e entrada robusta de capital estrangeiro, reforçando o desempenho dos ativos locais.
  • A inflação veio acima do esperado, pressionada por serviços e passagens aéreas, mas o cenário ainda permite o início do ciclo de cortes da Selic em março.
  • Nos mercados globais, fevereiro foi marcado por cautela, ajuste nas ações de tecnologia e queda nas Treasuries, enquanto o ouro ganhou força com o dólar mais fraco.
  • À frente, o risco migra do exterior para o cenário político doméstico: compromisso fiscal pode comprimir prêmios, mas a incerteza eleitoral pode reacender volatilidade em juros, câmbio e bolsa.

Economia

Nos EUA, as encomendas à indústria caíram 0,7% em dezembro, refletindo as expectativas do mercado, movimento se deu principalmente pelas quedas nos pedidos de aeronaves comerciais.

O núcleo dos pedidos de bens de capital, proxy do investimento privado, teve revisão com alta de 0,2 p.p., para +0,8%, enquanto os embarques desses bens ficaram em +1,0%. Em vista disso, o tracking do PIB para o 1° trimestre indica alta de 3,4% na margem, apoiada pela reversão do impacto negativo do shutdown e pela continuidade da alta do consumo e investimento.

No Brasil, o déficit em transações correntes caiu para US$ 8,4 bilhões em janeiro, em comparação à US$ 9,8 bilhões no ano passado, refletindo a ampliação do superávit comercial e a redução do déficit em serviços, que mais do que compensaram a piora na conta de renda primária.

O déficit em serviços recuou 12,8%, para US$ 4,0 bilhões, por conta de forte queda nas despesas líquidas de transporte e por menores gastos com telecomunicações, computação e informações.

O investimento estrangeiro direto no país somou US$ 8,2 bilhões no mês. Os investimentos em carteira surpreenderam, com entrada de US$ 8,9 bilhões, maior valor desde 2018, impulsionando ativos domésticos devido à menor aversão ao risco no exterior e diversificação dos portfólios para além dos EUA.

O IPCA-15 de janeiro subiu 0,84%, bem acima das projeções — nossa estimativa era de 0,58% e a mediana do mercado apontava 0,56%.

A surpresa foi puxada principalmente pela forte alta nas passagens aéreas, em movimento oposto ao padrão sazonal de deflação, além de avanços acima do esperado em itens como consertos, manutenção e automóveis novos. Os núcleos de inflação também vieram pressionados na margem, com destaque para serviços, indicando uma dinâmica menos benigna na prévia do índice.

Ainda assim, a leitura exige cautela. Embora o desvio frente às expectativas e a aceleração dos núcleos mereçam atenção, o dado corrente tem peso limitado para a condução da política monetária.

A inflação observada reflete, em grande medida, decisões passadas, enquanto o Banco Central calibra suas decisões com base nas projeções para o horizonte relevante, de cerca de 18 meses.

Nesse contexto, o arrefecimento da atividade, a acomodação das expectativas e o elevado nível de juros reais sustentam a avaliação de que o início do ciclo de cortes pode ocorrer na reunião de 18 de março.

Mantemos a projeção de redução de 50 pontos-base na Selic em março, para 14,5% ao ano, com a taxa encerrando 2026 em 12,25%. Em fevereiro, os núcleos avançaram 0,66%, com a média móvel trimestral anualizada subindo de 4,0% para 4,6%, enquanto a variação em 12 meses ficou estável em 4,4%.

O núcleo de bens perdeu fôlego, com alta de 0,29% e inflação em 12 meses estável em 3,5%, mas o núcleo de serviços — excluindo passagens aéreas — acelerou para 0,65% no mês, mantendo-se em 5,6% em termos anuais.

Revisamos a projeção do IPCA de fevereiro para 0,73% e mantemos a estimativa de 4,8% para 2026, incorporando maior incerteza fiscal no período pré-eleitoral e possível depreciação cambial no segundo semestre desse ano.

Mercados e Estratégia

Os mercados globais encerraram fevereiro em tom de cautela, após um mês dominado por ajustes no setor de tecnologia, incerteza tarifária nos Estados Unidos e comunicação mais conservadora de dirigentes do Federal Reserve.

Embora a maioria dos índices globais tenha preservado ganhos no mês, sustentados pela rotação para setores cíclicos e pelos fluxos positivos; Wall Street perdeu tração. O S&P 500 e o Nasdaq recuaram 0,9% e 3,4% em fevereiro, respectivamente, em virtude da realização em ações ligadas à inteligência artificial e da reprecificação de múltiplos.

A postura mais cautelosa de diversos diretores do Federal Reserve afastou o consenso de um corte precoce em 2026, mas o movimento de redução de risco levou as taxas para baixo.

A taxa da Treasury de 10 anos caiu -14 bps na semana e -30 bps no mês, com a taxa de 10 anos rompendo a marca de 4,00% para fechar em 3,94%. Essa combinação de dólar mais fraco e recuo no custo de oportunidade do capital serviu de catalisador para o ouro, que manteve sua firme trajetória de alta com 3,3% na semana, chegando a 22,2% no ano.

Nesse ambiente de aversão ao risco, o dólar ficou relativamente estável com o DXY caindo 0,20% para 97,6, refletindo a descompressão nas taxas das Treasuries.

No Brasil, o Ibovespa e o câmbio exibiram estabilidade na semana, mas o desempenho mensal consolidou a bolsa brasileiro como destaque entre os emergentes. O índice acumulou valorização de 4,1% em fevereiro, fechando a 188.787 pontos, sustentado por fluxo estrangeiro consistente. O movimento contrastou com a realização observada nas bolsas americanas e foi impulsionado por um robusto fluxo de capital estrangeiro.

O dólar oscilou e fechou em queda de -2,2% no mês, cotado a R$ 5,1340. Na curva de juros, o IPCA-15 acima do esperado pressionou os vértices curtos no último dia do mês, mas as taxas longas fecharam ao longo do mês. Enquanto o mercado aguarda o Copom, mantemos a expectativa de início do ciclo de cortes em março, com redução de 50 pontos-base.

A partir de abril, o eixo de risco tende a migrar do ambiente global para as incertezas políticas. No momento, os preços dos ativos sugerem que o mercado embute probabilidade relevante de consolidação fiscal a partir de 2027.

O desfecho eleitoral tem natureza binária. Uma sinalização clara de compromisso fiscal pode gerar forte compressão de prêmios, mas sem isso a piora tende a ser abrupta, com impacto relevante sobre juros, câmbio e bolsa.

Os ataques dos EUA contra o Irã deverão impactar os preços do petróleo. Na segunda-feira, o mercado deve reagir em alta diante da perspectiva de interrupção do fluxo de produção pelo Estreito de Ormuz. Os demais mercados de risco tendem a reagir em queda devido ao aumento da aversão ao risco.

A perspectiva, no entanto, é de que seja um evento pontual e, passada a realização inicial, os mercados se recuperem ao longo dos próximos dias.

Se você tem
Monte Bravo, Bravo!

Invista com quem ajuda você a alcançar o próximo topo.

Abra sua conta