Informe Semanal
14/09/2022 • 3 mins de leitura
Volatilidade: você sabe o que é e como ela afeta seus investimentos?
A volatilidade é um conceito da economia que explica a…
Nos EUA, as encomendas à indústria caíram 0,7% em dezembro, refletindo as expectativas do mercado, movimento se deu principalmente pelas quedas nos pedidos de aeronaves comerciais.
O núcleo dos pedidos de bens de capital, proxy do investimento privado, teve revisão com alta de 0,2 p.p., para +0,8%, enquanto os embarques desses bens ficaram em +1,0%. Em vista disso, o tracking do PIB para o 1° trimestre indica alta de 3,4% na margem, apoiada pela reversão do impacto negativo do shutdown e pela continuidade da alta do consumo e investimento.
No Brasil, o déficit em transações correntes caiu para US$ 8,4 bilhões em janeiro, em comparação à US$ 9,8 bilhões no ano passado, refletindo a ampliação do superávit comercial e a redução do déficit em serviços, que mais do que compensaram a piora na conta de renda primária.
O déficit em serviços recuou 12,8%, para US$ 4,0 bilhões, por conta de forte queda nas despesas líquidas de transporte e por menores gastos com telecomunicações, computação e informações.
O investimento estrangeiro direto no país somou US$ 8,2 bilhões no mês. Os investimentos em carteira surpreenderam, com entrada de US$ 8,9 bilhões, maior valor desde 2018, impulsionando ativos domésticos devido à menor aversão ao risco no exterior e diversificação dos portfólios para além dos EUA.
O IPCA-15 de janeiro subiu 0,84%, bem acima das projeções — nossa estimativa era de 0,58% e a mediana do mercado apontava 0,56%.
A surpresa foi puxada principalmente pela forte alta nas passagens aéreas, em movimento oposto ao padrão sazonal de deflação, além de avanços acima do esperado em itens como consertos, manutenção e automóveis novos. Os núcleos de inflação também vieram pressionados na margem, com destaque para serviços, indicando uma dinâmica menos benigna na prévia do índice.
Ainda assim, a leitura exige cautela. Embora o desvio frente às expectativas e a aceleração dos núcleos mereçam atenção, o dado corrente tem peso limitado para a condução da política monetária.
A inflação observada reflete, em grande medida, decisões passadas, enquanto o Banco Central calibra suas decisões com base nas projeções para o horizonte relevante, de cerca de 18 meses.
Nesse contexto, o arrefecimento da atividade, a acomodação das expectativas e o elevado nível de juros reais sustentam a avaliação de que o início do ciclo de cortes pode ocorrer na reunião de 18 de março.
Mantemos a projeção de redução de 50 pontos-base na Selic em março, para 14,5% ao ano, com a taxa encerrando 2026 em 12,25%. Em fevereiro, os núcleos avançaram 0,66%, com a média móvel trimestral anualizada subindo de 4,0% para 4,6%, enquanto a variação em 12 meses ficou estável em 4,4%.
O núcleo de bens perdeu fôlego, com alta de 0,29% e inflação em 12 meses estável em 3,5%, mas o núcleo de serviços — excluindo passagens aéreas — acelerou para 0,65% no mês, mantendo-se em 5,6% em termos anuais.
Revisamos a projeção do IPCA de fevereiro para 0,73% e mantemos a estimativa de 4,8% para 2026, incorporando maior incerteza fiscal no período pré-eleitoral e possível depreciação cambial no segundo semestre desse ano.
Os mercados globais encerraram fevereiro em tom de cautela, após um mês dominado por ajustes no setor de tecnologia, incerteza tarifária nos Estados Unidos e comunicação mais conservadora de dirigentes do Federal Reserve.
Embora a maioria dos índices globais tenha preservado ganhos no mês, sustentados pela rotação para setores cíclicos e pelos fluxos positivos; Wall Street perdeu tração. O S&P 500 e o Nasdaq recuaram 0,9% e 3,4% em fevereiro, respectivamente, em virtude da realização em ações ligadas à inteligência artificial e da reprecificação de múltiplos.
A postura mais cautelosa de diversos diretores do Federal Reserve afastou o consenso de um corte precoce em 2026, mas o movimento de redução de risco levou as taxas para baixo.
A taxa da Treasury de 10 anos caiu -14 bps na semana e -30 bps no mês, com a taxa de 10 anos rompendo a marca de 4,00% para fechar em 3,94%. Essa combinação de dólar mais fraco e recuo no custo de oportunidade do capital serviu de catalisador para o ouro, que manteve sua firme trajetória de alta com 3,3% na semana, chegando a 22,2% no ano.
Nesse ambiente de aversão ao risco, o dólar ficou relativamente estável com o DXY caindo 0,20% para 97,6, refletindo a descompressão nas taxas das Treasuries.
No Brasil, o Ibovespa e o câmbio exibiram estabilidade na semana, mas o desempenho mensal consolidou a bolsa brasileiro como destaque entre os emergentes. O índice acumulou valorização de 4,1% em fevereiro, fechando a 188.787 pontos, sustentado por fluxo estrangeiro consistente. O movimento contrastou com a realização observada nas bolsas americanas e foi impulsionado por um robusto fluxo de capital estrangeiro.
O dólar oscilou e fechou em queda de -2,2% no mês, cotado a R$ 5,1340. Na curva de juros, o IPCA-15 acima do esperado pressionou os vértices curtos no último dia do mês, mas as taxas longas fecharam ao longo do mês. Enquanto o mercado aguarda o Copom, mantemos a expectativa de início do ciclo de cortes em março, com redução de 50 pontos-base.
A partir de abril, o eixo de risco tende a migrar do ambiente global para as incertezas políticas. No momento, os preços dos ativos sugerem que o mercado embute probabilidade relevante de consolidação fiscal a partir de 2027.
O desfecho eleitoral tem natureza binária. Uma sinalização clara de compromisso fiscal pode gerar forte compressão de prêmios, mas sem isso a piora tende a ser abrupta, com impacto relevante sobre juros, câmbio e bolsa.
Os ataques dos EUA contra o Irã deverão impactar os preços do petróleo. Na segunda-feira, o mercado deve reagir em alta diante da perspectiva de interrupção do fluxo de produção pelo Estreito de Ormuz. Os demais mercados de risco tendem a reagir em queda devido ao aumento da aversão ao risco.
A perspectiva, no entanto, é de que seja um evento pontual e, passada a realização inicial, os mercados se recuperem ao longo dos próximos dias.